Ferrugem-do-cafeeiro pode reduzir a produção em até 35%

Aldir Teixeira, CEO Experimental Agrícola/illycaffè, destaca soluções para combater o problema

17.03.2025 | 16:46 (UTC -3)
Larissa Takahashi

As plantas de café podem ser afetadas por diversas doenças que têm um impacto significativo na produção e na economia dos produtores, entre essas doenças vale destacar a ferrugem-do-cafeeiro - Hemileia vastatrix (saiba mais clicando aqui).

A ferrugem-do-cafeeiro é causada pelo fungo Hemileia vastatrix e é uma das doenças mais prejudiciais ao café. Ela afeta as folhas, causando manchas e enfraquecendo a planta, o que pode levar a perdas significativas na produção.

“Lavouras bem conduzidas tecnicamente, com calagem e adubações adequadas, de maneira geral, suportam melhor as epidemias da ferrugem. Paradoxalmente, entretanto, lavouras produtivas são as mais afetadas pela doença. A incidência de ferrugem em plantas produtivas, comparadas às plantas cujas cargas foram retiradas, pode ser de 100% a 200% maior”, explica o engenheiro agrônomo e CEO da Experimental Agrícola/illycaffè,  Aldir Alves Teixeira.   

O clima também influencia, pois os invernos nas regiões produtoras de café têm sido mais quentes e, em alguns anos, mais chuvosos, contribuindo para o aumento de inóculo, no início do ciclo da cultura. A ferrugem forma manchas pulverulentas amareladas na face inferior das folhas, após a formação dos uredosporos. As folhas lesionadas caem e debilitam a planta, que não consegue formar os botões florais da safra seguinte, acentuando o ciclo bienal de produção da cultura. A doença pode reduzir a produção em 35%, em média.

A combinação de produtos de diferentes grupos químicos não é apenas eficaz, mas também ajuda a evitar que o patógeno desenvolva resistência. No entanto, a capacidade do patógeno de produzir grandes quantidades de uredosporos (cada lesão pode gerar entre 300 e 400 mil uredosporos ativos ao longo de aproximadamente dois meses) e a variabilidade genética de H. vastatrix aumentam a probabilidade de quebra da resistência dos cultivares e o desenvolvimento de populações do patógeno resistentes aos fungicidas aplicados na cultura. Esse é um desafio constante no manejo da doença.

Como não há fungicidas tão eficientes disponíveis para o controle da ferrugem – como as misturas de triazóis e estrubulurinas –, uma estratégia pode ser o retorno das aplicações de fungicidas cúpricos, que também atuam como coadjuvantes no controle de outras doenças do cafeeiro, como a cercosporiose e a mancha aureolada. Por tratar-se de doença endêmica, é importante que o controle químico seja preventivo, e seja feito com um nível máximo de 5% de incidência de ferrugem na lavoura, monitorada no período favorável à doença, dando continuidade aos tratamentos sempre que a doença chegar próximo a este nível de infecção.

“É importante que os produtores adotem medidas de controle adequadas, como o monitoramento constante das lavouras, o uso de práticas de manejo integrado de pragas e doenças. Dessa forma, é possível reduzir os impactos econômicos causados por essas doenças e garantir uma produção mais saudável e sustentável”, finaliza.

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