Hemileia vastatrix

21.03.2025 | 08:19 (UTC -3)
Foto: José Braz Matiello
Foto: José Braz Matiello

A ferrugem-do-cafeeiro, causada pelo fungo Hemileia vastatrix, é uma das doenças mais devastadoras para a cultura do café (Coffea spp.), especialmente para o café arábica (Coffea arabica).

Biologia

Classificação taxonômica:

  • Reino: Fungi
  • Filo: Basidiomycota
  • Classe: Pucciniomycetes
  • Ordem: Pucciniales
  • Família: Pucciniaceae
  • Gênero: Hemileia
  • Espécie: Hemileia vastatrix

Hemileia vastatrix é um fungo biotrófico: depende de tecidos vivos do hospedeiro para completar seu ciclo de vida. Pertencente à classe Pucciniomycetes, ele apresenta especialização em infectar espécies de café, com maior impacto sobre Coffea arabica. A natureza biotrófica do fungo implica que ele não pode sobreviver fora do hospedeiro por longos períodos, limitando sua dispersão a condições específicas.

O fungo produz estruturas reprodutivas como urediniósporos e, raramente, teliosporos.

Os urediniósporos são esporos laranja-dourados altamente infecciosos, responsáveis pela disseminação rápida da doença. Esses esporos são liberados nas superfícies inferiores das folhas infectadas e podem ser transportados pelo vento, chuva ou contato direto.

A fase sexual, envolvendo teliosporos e basidiósporos, é pouco observada na natureza, mas desempenha papel potencial na geração de diversidade genética.

Etiologia

O processo de infecção por Hemileia vastatrix ocorre em várias etapas bem definidas:

  • Dispersão: os urediniósporos são transportados pelo vento ou água até as folhas do cafeeiro.
  • Germinação: sob condições de alta umidade relativa (>80%) e temperaturas moderadas (16°C a 25°C), os esporos germinam e formam um tubo germinativo.
  • Penetração: o tubo germinativo penetra nos estômatos das folhas, onde o fungo começa a colonizar os tecidos internos.
  • Colonização: dentro da folha, o fungo forma haustórios, estruturas especializadas que absorvem nutrientes diretamente das células vivas do hospedeiro sem matá-las imediatamente.
  • Produção de novos esporos: após a colonização bem-sucedida, o fungo forma novos uredínios nas superfícies inferiores das folhas, liberando mais urediniósporos e perpetuando o ciclo de infecção.

A ferrugem-do-cafeeiro prospera em ambientes úmidos e sombreados. Altas taxas de umidade relativa, chuvas frequentes e temperaturas moderadas favorecem a germinação dos esporos e a infecção. Plantas cultivadas sob sombreamento excessivo são particularmente vulneráveis, pois o ambiente úmido proporciona condições ideais para a proliferação do fungo.

O ciclo de vida de Hemileia vastatrix inclui fases sexuada e assexuada, sendo esta última predominante na natureza.

Fase assexuada:

  • Produção de Urediniósporos: após a infecção inicial, o fungo coloniza a folha e forma haustórios, estruturas especializadas que extraem nutrientes das células vivas do hospedeiro. A produção contínua de urediniósporos garante a rápida disseminação do fungo.
  • Disseminação: os urediniósporos são liberados nas superfícies inferiores das folhas e podem infectar novas plantas, perpetuando o ciclo.

Fase sexuada:

  • Embora rara, a fase sexuada envolve a formação de teliosporos, que são estruturas de resistência adaptadas para sobreviver em ambientes adversos. Os teliosporos podem germinar para formar basidiósporos, iniciando um novo ciclo de infecção. Essa fase é importante para a geração de diversidade genética no fungo, potencialmente levando ao surgimento de novas cepas mais agressivas ou resistentes a fungicidas.

A infecção compromete a fotossíntese, reduzindo a área foliar funcional e causando estresse nutricional na planta. Folhas severamente infectadas secam e caem, reduzindo a capacidade da planta de produzir energia e frutos.

A interação entre Hemileia vastatrix e o cafeeiro envolve múltiplos mecanismos moleculares. O fungo secreta proteínas efetoras que ajudam a suprimir as respostas de defesa do cafeeiro. Algumas variedades de café possuem genes de resistência que reconhecem essas efetoras e ativam mecanismos de defesa, impedindo a infecção.

Espécies como Coffea canephora (café robusta) apresentam maior resistência natural à ferrugem, enquanto Coffea arabica é mais suscetível. Programas de melhoramento genético têm buscado incorporar genes de resistência de espécies selvagens ou robusta em variedades comerciais de arábica. No entanto, a resistência pode ser superada pelo fungo ao longo do tempo, exigindo monitoramento constante e desenvolvimento de novas variedades.

Métodos de controle e manejo

O desenvolvimento de variedades de café resistentes à ferrugem é uma das estratégias mais promissoras para o controle da doença. Exemplos incluem híbridos como o "Catimor" e o "Sarchimor", que combinam resistência genética com boa qualidade de grãos. No entanto, a resistência pode ser superada pelo fungo ao longo do tempo, exigindo contínuo monitoramento e desenvolvimento de novas variedades.

Fungicidas sistêmicos, como triazóis e estrobilurinas, são amplamente utilizados para controlar a ferrugem. (Clique aqui e veja os pesticidas registrados para o controle de "Hemileia vastatrix")

Práticas culturais, como poda regular, controle de sombreamento e rotação de culturas, ajudam a reduzir a pressão da doença. A remoção e queima de folhas infectadas também são medidas importantes para evitar a disseminação do fungo.

Sistemas de alerta precoce baseados em dados climáticos e sensoriamento remoto podem auxiliar no monitoramento da doença e na tomada de decisões sobre o manejo. Essas ferramentas permitem que os produtores antecipem surtos e apliquem medidas de controle de forma mais eficiente.

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