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O Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) divulgou nesta segunda-feira (23/3) o relatório “Tabaco 2026: Renda e Futuro”, com um panorama atualizado do setor no Brasil. O documento reúne dados sobre desempenho das exportações em 2025, impactos socioeconômicos e iniciativas voltadas à sustentabilidade e à diversificação nas propriedades rurais.
De acordo com o levantamento, o país mantém há 32 anos a liderança mundial nas exportações de tabaco e registrou, em 2025, novo recorde ao superar R$ 3,39 bilhões em divisas. O relatório também destaca o potencial de geração de renda da cultura em pequenas áreas. Dados da Afubra, com base na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), indicam que, para alcançar a mesma renda de um hectare de tabaco, seriam necessários 7,53 hectares de soja ou 6,58 hectares de milho.
No cenário internacional, o estudo chama atenção para o avanço dos Dispositivos Eletrônicos de Fumar (DEFs), já regulamentados em mais de 100 países. No Brasil, a proibição limita a participação em um mercado emergente de nicotina líquida, estimado em mais de US$ 320 milhões anuais e com projeção de crescimento entre 15% e 20% ao ano, segundo estimativas da Goldman Sachs.
O modelo de integração entre indústrias e produtores segue como base do setor, com foco em conformidade legal, qualidade, inovação e sustentabilidade. A atuação conjunta no Fórum Nacional de Integração (Foniagro) reforça o compromisso com a Lei da Integração e com relações transparentes entre as partes.
Na diversificação produtiva, iniciativas conduzidas há mais de quatro décadas mostram que, embora os produtores adotem outras atividades, o tabaco permanece central na renda. Na safra 2024/25, a cultura ocupou, em média, 21,4% da área das propriedades, mas respondeu por 58,3% da receita bruta.
As ações ambientais também são destacadas no relatório. O incentivo ao plantio de eucalipto para abastecimento das estufas ocorre desde a década de 1970, e atualmente cerca de um quarto das áreas das propriedades conta com cobertura florestal. Tecnologias mais eficientes reduziram o consumo de lenha, enquanto contratos exigem comprovação da origem legal da madeira.
Entre as iniciativas recentes, o programa Solo Protegido, em parceria com a Embrapa, busca aprimorar práticas de manejo e conservação do solo e da água, além de ampliar estoques de carbono e capacitar produtores. O setor também aponta redução no uso de agrotóxicos, com orientação técnica para aplicação responsável, e destaca a logística reversa de embalagens, considerada referência nacional. Há 25 anos, o programa percorre cerca de 1,8 mil pontos de coleta em 385 municípios, atendendo aproximadamente 108 mil produtores.
Na área social, ações de saúde e segurança incluem assistência técnica, treinamentos e campanhas educativas voltadas ao uso de equipamentos de proteção e boas práticas no campo. Já o Instituto Crescer Legal desenvolve programas de formação para jovens rurais, com foco em gestão e empreendedorismo, além de iniciativas voltadas à valorização da presença feminina e à educação no meio rural.
Segundo o presidente do SindiTabaco, Valmor Thesing, os resultados refletem um modelo consolidado ao longo de décadas. “Esse resultado é fruto de um sistema que garante qualidade, inovação, previsibilidade e assistência técnica no campo, fundamentais para a competitividade do tabaco brasileiro no cenário internacional”, afirma. Ele também destaca a preocupação com o avanço do mercado ilegal e a busca por novas oportunidades de agregação de valor nas regiões produtoras.
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