Etanol ocorre em néctar floral em diversas espécies

Estudo detecta álcool em 48% das amostras e indica impacto potencial sobre polinizadores

25.03.2026 | 08:52 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
Foto: David Clode
Foto: David Clode

O néctar floral contém etanol em baixa concentração em ampla gama de espécies vegetais. Análise com 147 amostras, obtidas de 29 espécies, registrou presença do composto em 48% dos casos. Pelo menos uma amostra positiva surgiu em 26 espécies. Os dados indicam exposição frequente de polinizadores ao álcool durante forrageamento.

Pesquisadores aplicaram ensaio enzimático para quantificar etanol em néctar coletado em jardim botânico na Califórnia. As concentrações médias por espécie alcançaram 0,016% (m/m), com máximo médio de 0,032% e pico individual de 0,056%.

A fermentação microbiana explica a origem do etanol. Leveduras colonizam néctar rico em açúcares e convertem substrato em álcool. Levantamentos prévios indicam presença frequente desses microrganismos em flores. Assim, produção de etanol tende a ocorrer de forma recorrente em diferentes ambientes.

Açúcar e etanol

Os dados revelam correlação positiva entre teor de açúcar e concentração de etanol. Néctares mais doces favorecem fermentação. Modelos estatísticos apontam relação significativa entre grau Brix e álcool, embora com variação entre espécies.

Exposição de polinizadores

A exposição diária de polinizadores pode atingir níveis relevantes. Estimativas baseadas em consumo energético indicam ingestão de até 0,20 g/kg/dia em beija-flores e até 0,27 g/kg/dia em aves nectarívoras africanas. Abelhas exibem valores menores, próximos de 0,05 g/kg/dia. O volume elevado de néctar ingerido compensa a baixa concentração de etanol.

Os cientistas comparam esse consumo ao equivalente a uma dose de bebida alcoólica em humanos ao longo de um dia. A relação surge devido ao metabolismo intenso e à alta ingestão relativa ao peso corporal. Ainda faltam estudos sobre efeitos fisiológicos diretos em polinizadores.

Sinal filogenético

O trabalho também indica ausência de forte sinal filogenético para etanol. Espécies próximas não apresentaram padrão consistente. Já o teor de açúcar exibiu maior previsibilidade dentro de cada espécie, porém com baixa consistência entre grupos evolutivos.

Os resultados sugerem papel ecológico do etanol como possível sinal químico. Compostos derivados da fermentação podem influenciar comportamento de polinizadores. Estudos anteriores mostram resposta de insetos a substâncias do néctar, como cafeína e nicotina. O etanol pode atuar de forma semelhante em baixas doses.

Outras informações em doi.org/10.1098/rsos.250847

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