Mosaic registra prejuízo de US$ 72 milhões no terceiro trimestre
Resultado contrasta com lucro de US$ 411 milhões em 2025; operações brasileiras registram queda nas vendas
O Brasil deve enfrentar um verão marcado por contrastes climáticos sob influência de um El Niño muito forte. A previsão, analisada pela ClimaInfo, é de manutenção da elevada intensidade do fenômeno entre novembro e janeiro, com possibilidade de alcançar o maior patamar desde 1950. Os efeitos sobre a distribuição das chuvas e as temperaturas poderão persistir mesmo após o início do enfraquecimento do aquecimento das águas do Oceano Pacífico.
O cenário é apresentado na quinta edição do Painel El Niño 2026–2027, divulgada no fim de outubro pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e outros seis órgãos federais. O boletim reúne projeções climáticas e hidrológicas que indicam agravamento da seca em áreas do Norte e Nordeste e maior risco de cheias no Sul e Sudeste.
Os sinais de intensificação da estiagem já aparecem nos indicadores de monitoramento. Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o número de municípios brasileiros em situação de seca extrema passou de quatro, em agosto, para 68 em outubro. No mesmo período, as localidades classificadas em seca severa aumentaram de 153 para 232. Os dados de outubro ainda são parciais.
A situação é mais preocupante no Nordeste, mas também atinge Roraima e o Amazonas. Nessas regiões, a redução das chuvas poderá comprometer a disponibilidade de água para atividades agrícolas e o abastecimento.
A intensidade do fenômeno também aparece nas medições da temperatura da superfície do mar. De acordo com o Inmet, a região do Niño 3.4 registrou, em outubro, anomalia de +2,47 °C, a maior já observada para o mês. Na área do Niño 3, mais próxima da América do Sul, a anomalia semanal chegou a +3,7 °C, também um recorde.
A leitura da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), em 2 de novembro, apontou anomalia de +2,5 °C na região do Niño 3.4. Foi a oitava semana consecutiva com valores na faixa de intensidade muito forte.
Enquanto parte do país enfrenta restrição hídrica, as projeções indicam precipitações acima da média e vazões elevadas em bacias hidrográficas do Sul e Sudeste.
Na região Sul, o excesso de chuva poderá dificultar as operações de colheita do trigo e comprometer a qualidade dos grãos. O monitoramento do Serviço Geológico do Brasil (SGB) já identificou níveis elevados na bacia do Rio Uruguai. Nos últimos dias, trechos do rio no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina atingiram cotas de atenção.
No Sudeste, o risco de cheias ganha importância em janeiro, especialmente nas bacias dos rios Doce, em Minas Gerais e no Espírito Santo, e Paraíba do Sul, que abrange áreas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
O Painel El Niño também aponta risco de restrição hídrica para as lavouras em Roraima, no Amapá, no Baixo Amazonas e em áreas do Pará. No semiárido e no leste do Nordeste, a previsão indica baixa disponibilidade de água.
Na Amazônia, a estiagem poderá agravar as dificuldades de acesso à água e aos serviços públicos em comunidades ribeirinhas e indígenas. As bacias dos rios Negro e Branco estão entre as áreas que exigem maior atenção. O Painel identifica 1.219 localidades sob restrição hidrológica, com população estimada em 2,2 milhões de pessoas, além de 70 polos-base de saúde indígena em situação de seca severa.
Em Boa Vista (RR), o Rio Branco chegou a 36 centímetros em 3 de novembro, após baixar 21 centímetros em uma semana. O nível ficou a apenas 12 centímetros da menor marca já registrada para a data. A previsão do Inmet indica chuva abaixo da média em Roraima durante novembro. No El Niño de 2015–2016, o rio atingiu, em fevereiro de 2016, a menor cota de sua série histórica na capital.
A estiagem também aumenta a preocupação com incêndios florestais. Em Roraima, o risco deverá ser mais crítico entre dezembro e abril.
Os dados de monitoramento mostram que outubro terminou com 32.454 focos de calor no Brasil, volume 13,2% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. Desse total, 18.907 ocorreram na Amazônia, 2,4 vezes o número observado em outubro do ano passado.
Nos 30 dias encerrados em 2 de novembro, o bioma concentrou 59,6% dos focos registrados no país, ante 29,7% no mesmo período de 2025. O Pará respondeu por aproximadamente dois terços das ocorrências na Amazônia e está entre os estados com previsão de chuva abaixo da média em novembro.
O boletim também aponta aumento dos impactos associados a eventos meteorológicos extremos. Entre 4 de outubro e 2 de novembro, chuvas, vendavais e granizo atingiram 44 municípios de 11 estados, deixando dois mortos e 1.479 pessoas desalojadas ou desabrigadas. O número é 3,7 vezes superior ao registrado no mesmo intervalo de 2025.
No acumulado do ano, 600.923 pessoas precisaram deixar suas casas em decorrência de eventos extremos, aumento de 75% em relação a 2025. O total de pessoas afetadas, entretanto, foi 7,9% menor.
Apesar das diferenças regionais na disponibilidade hídrica, os reservatórios das hidrelétricas voltaram a apresentar recuperação em parte do país. Em 2 de novembro, o subsistema Sudeste/Centro-Oeste, responsável pela maior parcela da geração de energia elétrica brasileira, registrou armazenamento de 55,2%, após quatro quedas consecutivas.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) manteve a bandeira tarifária verde para novembro, sem cobrança adicional na conta de luz.
No Nordeste, os reservatórios destinados ao abastecimento registraram nível de 44,5%. No Ceará, que concentra mais da metade da capacidade de armazenamento da região, o índice chegou a 42,9%. Para dezembro, o Inmet projeta déficit de água no solo superior a 150 milímetros no centro do estado.
As projeções reforçam a necessidade de acompanhamento das condições meteorológicas e hidrológicas ao longo dos próximos meses. Para o setor agropecuário, a distribuição irregular das chuvas representa desafios distintos: enquanto a estiagem poderá limitar o desenvolvimento das lavouras e a disponibilidade de água em áreas do Norte e Nordeste, o excesso de precipitação no Sul poderá interferir nas operações de campo e na qualidade da produção.
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