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Resultado contrasta com lucro de US$ 411 milhões em 2025; operações brasileiras registram queda nas vendas
O fenômeno El Niño intensifica-se no Oceano Pacífico Equatorial. Segundo o Centro de Previsão Climática (CPC), da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 atingiu +2,47 °C em outubro de 2026.
De acordo com a atualização divulgada pelo CPC em 8 de outubro, a previsão é de que o fenômeno permaneça nas categorias forte a muito forte até o trimestre janeiro-fevereiro-março de 2027. As projeções indicam probabilidade de 83% de que o episódio atual supere, em intensidade, os eventos de El Niño registrados desde 1950 durante o trimestre outubro-novembro-dezembro de 2026.
No Matopiba, região que abrange áreas agrícolas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, setembro e outubro marcam a transição entre a estação seca e o início do período chuvoso. Nessa fase, o avanço das áreas de instabilidade favorece a regularização das precipitações, essencial para recuperar a umidade do solo e permitir a implantação da nova safra, especialmente da soja.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), setembro de 2026 registrou baixos volumes de chuva e distribuição irregular das precipitações, insuficientes para promover alterações significativas no armazenamento de água no solo. Os maiores acumulados ocorreram no oeste e norte do Tocantins e no sul da Bahia. Em grande parte da região, a combinação de chuvas escassas e temperaturas elevadas contribuiu para a manutenção do déficit hídrico.
As temperaturas máximas médias também ficaram acima da climatologia em diversas áreas do Matopiba. Dados das estações meteorológicas do Inmet apontaram anomalias superiores a 2 °C em setembro, com destaque para Jacobina (BA), onde o desvio chegou a +3,0 °C, e Morro do Chapéu (BA), com +3,6 °C em relação à média climatológica.
O calor, associado à irregularidade das precipitações, aumenta a demanda hídrica do ambiente e as perdas de água por evaporação. Nessas condições, são necessários maiores volumes de chuva para recuperar a umidade do solo e assegurar disponibilidade hídrica adequada à semeadura e ao desenvolvimento inicial da soja.
Em outubro, o comportamento das temperaturas máximas permaneceu semelhante ao do mês anterior. Diversas localidades registraram anomalias superiores a 2 °C, chegando a aproximadamente 3 °C. Cruz das Almas (BA) apresentou desvio de +3,0 °C, enquanto Araguaína (TO) registrou +3,2 °C em relação à normal climatológica de 1991 a 2020. As temperaturas elevadas continuaram a intensificar a demanda hídrica e a limitar os efeitos das pancadas de chuva sobre a recuperação da umidade do solo.
O cenário exige atenção especialmente nas áreas de cultivo de soja irrigada no oeste da Bahia. Nessa região, o acompanhamento da disponibilidade de água e o ajuste do manejo da irrigação à demanda da cultura são importantes para garantir condições adequadas durante a emergência e o estabelecimento das lavouras.
Apesar das restrições observadas, houve avanço das áreas de instabilidade, principalmente sobre o sul do Matopiba, incluindo localidades do Tocantins e da Bahia. A comparação entre setembro e outubro indica aumento da disponibilidade de água no solo, com destaque para o Tocantins, onde os índices superaram 30% em alguns pontos. Embora a recuperação ainda seja parcial, os dados evidenciam a contribuição das precipitações para a melhoria das condições hídricas regionais.
As condições meteorológicas observadas no início do ciclo são determinantes para o avanço da semeadura e o estabelecimento das lavouras. Para contextualizar os possíveis efeitos do El Niño sobre a safra atual, foi analisada a série histórica de produtividade da soja no Matopiba entre 1996 e 2025.
Os resultados mostram que a resposta da cultura ao fenômeno não segue um padrão uniforme entre os estados. Na Bahia e no Piauí, 50% dos anos sob influência do El Niño apresentaram produtividades superiores à média histórica, indicando maior frequência de resultados favoráveis. No Tocantins, houve distribuição equilibrada entre produtividades na média e acima dela, ambas com frequência de 37,5%. Já no Maranhão, predominaram os rendimentos próximos à média histórica, observados em 50% dos casos.
Apesar dessas tendências, todos os estados registraram anos com produtividade inferior à média, com frequências entre 25% e 37,5%. O Piauí apresentou a maior variabilidade, reunindo tanto a maior proporção de anos com rendimentos acima da média (50%) quanto uma frequência expressiva de resultados abaixo dela (37,5%).
De maneira geral, os dados indicam que a ocorrência de El Niño não está necessariamente associada à redução da produtividade da soja no Matopiba. A intensidade e a direção dos seus efeitos dependem, sobretudo, da distribuição das chuvas ao longo do ciclo da cultura. Períodos de deficiência hídrica coincidentes com estádios fenológicos de maior sensibilidade, como a floração e o enchimento de grãos, podem comprometer o rendimento.
A análise histórica ajuda a contextualizar o cenário da safra 2026/2027. A distribuição irregular das chuvas, a recuperação parcial da umidade do solo em algumas áreas e a persistência de temperaturas acima da climatologia ocorrem em um período estratégico para a implantação das lavouras.
Até o momento, os possíveis impactos estão relacionados principalmente ao estabelecimento da cultura, com reflexos sobre o avanço da semeadura, a uniformidade da emergência e a formação do estande de plantas. Embora limitações nessa fase possam reduzir o potencial produtivo de determinadas áreas, ainda não há elementos suficientes para determinar o desempenho final da safra.
O rendimento dependerá, principalmente, da evolução das condições hídricas e térmicas nos próximos meses, sobretudo durante os estádios reprodutivos, quando a demanda por água aumenta e a soja se torna mais sensível aos estresses ambientais.
Assim, a evolução das chuvas e das temperaturas será determinante para avaliar se a safra apresentará comportamento semelhante ao observado em anos de El Niño com produtividades na média ou acima dela no Matopiba, ou se as restrições hídricas e o excesso de calor registrados no início do ciclo persistirão até as fases críticas da cultura.
Nesse cenário, o monitoramento das condições meteorológicas e da umidade do solo será fundamental para orientar o manejo e o planejamento agrícola, permitindo reduzir riscos e adequar as decisões às condições climáticas ao longo da safra.
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