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A mariposa-minadora Bedellia somnulentella encontra na batata-doce e em plantas daninhas do gênero Ipomoea base para manter populações no campo. Estudo conduzido em Diamantina, Minas Gerais, mostra maior sobrevivência, desenvolvimento mais rápido e consumo foliar mais intenso em batata-doce (Ipomoea batatas cv. Beauregard). Entre as espécies espontâneas avaliadas, a corda-de-viola (Ipomoea hederifolia) também favoreceu o inseto.
Ensaios compararam o desempenho biológico do inseto em quatro hospedeiros: Ipomoea batatas, Ipomoea hederifolia, Ipomoea indica e Ipomoea purpurea. A equipe de cientistas acompanhou diariamente ovos, larvas, pré-pupas, pupas e adultos em sala climatizada. O trabalho registrou cinco ínstares larvais em todos os hospedeiros. Também apontou variações morfológicas entre larvas criadas nas diferentes espécies de Ipomoea.
O inseto completou o ciclo com maior eficiência em Ipomoea batatas. Nessa planta, a fase larval durou 10,9 dias. Em Ipomoea hederifolia, 11,9 dias. Em Ipomoea indica, 13,2 dias. Em Ipomoea purpurea, 13,7 dias. A longevidade dos adultos também caiu conforme piorou a adequação do hospedeiro. Adultos oriundos de Ipomoea batatas viveram 6,6 dias. Em Ipomoea hederifolia, 4,7 dias. Em Ipomoea indica, 4,2 dias. Em Ipomoea purpurea, 3,3 dias.
As taxas de sobrevivência seguiram a mesma tendência. Em Ipomoea batatas, a viabilidade dos ovos alcançou 82,61%. A sobrevivência larval chegou a 48,43%. A de pupas, a 59,62%. A de adultos, a 59,84%. Em Ipomoea hederifolia, os valores caíram, mas ainda superaram os observados em Ipomoea indica e Ipomoea purpurea. Nessas duas espécies, a emergência de adultos ficou muito baixa, com 3,49% e 2,17%, respectivamente. O estudo também relata pupação deficiente e adultos deformados nesses hospedeiros menos favoráveis.
O dano foliar variou de forma ampla. Em Ipomoea batatas, as larvas consumiram 78,98% da área foliar avaliada. Em Ipomoea hederifolia, 21,86%. Em Ipomoea purpurea, 20,17%. Em Ipomoea indica, 12,78%.
O ataque ocorre por mineração das folhas. As larvas consomem o mesófilo e preservam uma epiderme translúcida. Esse padrão compromete a integridade do tecido, reduz a fotossíntese e acelera a murcha. O inseto também produz fios de seda para deslocamento e fixação durante pré-pupa e pupa.
Os cientistas destacam um ponto agronômico central. Mesmo com desempenho inferior ao observado em Ipomoea batatas, as espécies espontâneas permitem a conclusão do ciclo biológico. Na prática, essas plantas funcionam como reservatório entre safras. O inseto sobrevive fora da área cultivada e retorna à lavoura quando a cultura volta ao campo. Esse processo amplia a pressão inicial de infestação e dificulta o manejo.
O trabalho foi conduzido por Maria Jéssica dos Santos Cabral, Rodrigo Almeida Pinheiro, Isabel Moreira da Silva, José Barbosa dos Santos, Muhammad Haseeb e Marcus Alvarenga Soares.
Outras informações em doi.org/10.3390/insects17040425
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