BrasilAgro lucra R$ 81,3 milhões e reduz projeção de milho

Companhia reverte prejuízo trimestral, amplia receita em 16% e revisa estimativas de produção para a safra 2026/27

04.11.2026 | 06:26 (UTC -3)
Revista Cultivar

A BrasilAgro registrou lucro líquido de R$ 81,3 milhões no primeiro trimestre do exercício 2026/27, encerrado em 30 de setembro de 2026. O resultado reverte o prejuízo de R$ 64,3 milhões apurado no mesmo período do ano anterior. A companhia também revisou suas projeções agrícolas para a safra 2026/27, com redução das áreas destinadas ao milho e aumento da participação da soja. A produção prevista de grãos e algodão caiu 3% em relação à estimativa inicial, para 439,3 mil toneladas.

A receita líquida total alcançou R$ 332,1 milhões, crescimento de 16% na comparação anual. O EBITDA ajustado total somou R$ 94,6 milhões, avanço de 47%. O resultado recebeu contribuição da venda de parte da Fazenda Rio do Meio, localizada em Correntina (BA), operação responsável por ganho contábil de R$ 50,8 milhões. No lucro líquido, também contribuiu a valorização de R$ 76 milhões dos recebíveis de vendas de fazendas, registrada no resultado financeiro.

“Diante do El Niño, revisamos a janela de plantio e o mix de culturas fazenda a fazenda: retiramos o milho das áreas de menor aptidão no Mato Grosso e, onde a conta favoreceu a soja, trocamos de cultura”, afirmou André Guillaumon (na foto), CEO da BrasilAgro.

A receita líquida operacional permaneceu praticamente estável, em R$ 300,9 milhões. O EBITDA ajustado operacional recuou 32%, para R$ 43,8 milhões. Segundo a administração, parte da redução decorreu do resultado com derivativos, com passagem de ganho de R$ 9,6 milhões para perda de R$ 3,4 milhões. A menor margem das operações de soja e milho também pressionou o desempenho.

Revisão da safra 2026/27

A BrasilAgro projeta área total de 164.664 hectares, em linha com a estimativa anterior, de 165.208 hectares. O número representa queda de 1% em relação à safra 2025/26.

A soja ganhou espaço no planejamento agrícola. A companhia elevou a previsão de plantio de 74.425 para 75.474 hectares, crescimento de 1% em relação à estimativa inicial. A produção projetada passou de 259.138 para 261.192 toneladas, também com avanço de 1%.

O milho apresentou movimento contrário. A área prevista para a primeira safra caiu 15%, de 13.718 para 11.645 hectares. A projeção de produção passou de 85.319 para 73.123 toneladas, redução de 14%.

Na segunda safra, a área de milho diminuiu de 13.892 para 13.240 hectares, retração de 5%. A estimativa de produção recuou 4%, de 96.111 para 92.582 toneladas.

Segundo a companhia, a ausência de recuperação dos preços do milho motivou mudanças no planejamento. A empresa retirou a cultura de áreas com menor aptidão produtiva, principalmente em Mato Grosso. Parte dessas áreas recebeu destinação para pousio ou culturas de cobertura. Em outras propriedades, a melhora das cotações da soja favoreceu a substituição do milho pela oleaginosa.

A produção conjunta de milho de primeira e segunda safras deverá alcançar 165.705 toneladas. Na safra anterior, a companhia produziu 151.591 toneladas.

No algodão, a projeção de área permaneceu em 2.608 hectares, distribuídos entre 643 hectares de primeira safra e 1.966 hectares de segunda safra. A produção prevista totaliza 12.378 toneladas, sem alteração em relação à estimativa anterior.

A companhia projeta 439.275 toneladas de grãos e algodão na safra 2026/27, ante 452.946 toneladas anteriormente previstas. Apesar da revisão negativa, o volume supera em aproximadamente 3% as 426.393 toneladas produzidas na safra 2025/26.

Comercialização e custos

A BrasilAgro informou avanço na comercialização antecipada da produção. Até 27 de outubro, a empresa havia fixado o preço de 57% da soja da safra 2026/27, equivalente a 140.324 toneladas, ao valor médio de US$ 12,26 por bushel.

No milho, a proteção alcançava 32% da produção, com preço médio de R$ 56,82 por saca. Para o algodão, o percentual contratado chegava a 52%, ao preço de 77 centavos de dólar por libra-peso.

A companhia também antecipou as aquisições de insumos. Segundo a administração, 94% dos fertilizantes necessários para a safra haviam sido comprados abaixo do orçamento. Na posição de outubro, a cobertura alcançava 98% das necessidades de cloreto de potássio, 95% dos fertilizantes fosfatados MAP e 79% dos nitrogenados. Os defensivos agrícolas apresentavam cobertura de 76%.

A revisão dos custos de produção aponta despesa estimada de R$ 5.152 por hectare de soja, praticamente estável em relação à projeção anterior. No milho de primeira safra, o custo deverá alcançar R$ 5.058 por hectare.

Para o milho safrinha, a estimativa aumentou 3%, para R$ 4.378 por hectare. No algodão de primeira safra, a previsão caiu 1%, para R$ 10.618 por hectare. Na linha que reúne o algodão safrinha e o cultivado em áreas irrigadas por pivô, a estimativa é de R$ 14.059 por hectare.

O plantio da soja alcançava 68% da área prevista na data informada pela administração, com avanço de 17 dias em relação ao mesmo período da safra anterior.

Cana-de-açúcar e pecuária

A BrasilAgro também reduziu sua projeção de produção de cana-de-açúcar para a safra 2026. A nova estimativa aponta 2,06 milhões de toneladas, ante 2,18 milhões anteriormente previstas, redução de 6%.

A produtividade projetada passou de 79,51 para 77,05 toneladas por hectare. A companhia atribuiu a revisão às condições climáticas e ao ritmo de processamento das usinas.

No Maranhão, a menor velocidade de moagem provocou o adiamento da colheita de aproximadamente 175 mil toneladas para o trimestre seguinte.

Até 30 de setembro, a empresa havia colhido 1,2 milhão de toneladas de cana-de-açúcar, com produtividade média de 75,86 toneladas por hectare. No mesmo período do ano anterior, o rendimento alcançou 69,46 toneladas por hectare.

Na pecuária, a projeção de produção de carne caiu 2%, para 2,33 milhões de quilogramas. O rebanho estimado passou de 15.554 para 14.934 cabeças. A área destinada à atividade permaneceu em 10.732 hectares, crescimento de 21% em comparação à safra anterior.

Venda de terras e endividamento

A venda de 2.593 hectares da Fazenda Rio do Meio, dos quais 1.753 hectares úteis, contribuiu para a recuperação dos resultados financeiros. A negociação alcançou aproximadamente R$ 45 mil por hectare útil.

O valor da venda registrado nas demonstrações financeiras somou R$ 94,2 milhões. Após ajuste a valor presente, a receita reconhecida alcançou R$ 77 milhões, diante de custo contábil de R$ 26,2 milhões. A operação gerou ganho de R$ 50,8 milhões.

A dívida líquida ajustada pelos recebíveis de vendas de propriedades caiu 51% no trimestre, para R$ 136,3 milhões. A relação entre dívida líquida ajustada e EBITDA ajustado dos últimos 12 meses recuou de 2,82 para 1,05 vez.

A companhia mantém R$ 626 milhões em recebíveis provenientes da comercialização de propriedades rurais. Desse total, R$ 218 milhões têm previsão de recebimento nos próximos 12 meses.

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