Bactéria degrada atrazina e nicosulfuron no solo

Cepa YB01 reduz resíduos de herbicidas e melhora atributos químicos e biológicos do solo

05.04.2026 | 15:47 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar

Uma cepa bacteriana isolada de solo de milho demonstrou capacidade de degradar simultaneamente atrazina e nicosulfuron e ainda promover melhorias em atributos do solo. Estudo identificou a bactéria Priestia aryabhattai YB01 como agente com potencial para biorremediação em sistemas agrícolas. Os resultados indicam degradação de até 56,99% para atrazina e 44,51% para nicosulfuron em condições otimizadas.

O trabalho mostra impacto direto na redução de resíduos de herbicidas amplamente utilizados na cultura do milho. Ambos compostos apresentam persistência elevada no ambiente. A atrazina pode permanecer por centenas de dias no solo. O nicosulfuron também apresenta residual prolongado, sobretudo em solos salinos. Esses resíduos afetam culturas subsequentes e reduzem produtividade.

Cepa YB01

A cepa YB01 foi isolada de área com histórico de aplicação contínua de herbicidas. Testes laboratoriais indicaram maior atividade de degradação nas primeiras 24 horas. As condições ótimas envolveram temperatura próxima de 30 a 35 ºC, pH neutro e inoculação em torno de 1%. Modelos baseados em rede neural artificial permitiram definir parâmetros ideais para maximizar a degradação.

A análise genômica revelou genes associados à degradação de compostos orgânicos. Foram identificados mecanismos metabólicos ligados à hidrólise e reações redox.

No caso da atrazina, a degradação ocorre por rotas que levam à formação de ácido cianúrico. Esse composto apresenta menor toxicidade ambiental em comparação ao herbicida original.

Para o nicosulfuron, a degradação envolve ruptura de ligações químicas específicas, com formação de compostos como ADMP e ASDM. Esses metabólitos apresentam menor toxicidade. A pesquisa indica menor eficiência relativa na degradação desse herbicida, possivelmente devido à menor expressão de genes específicos no solo.

Ensaios e eficiência

Ensaios em solo confirmaram a eficiência da cepa. A degradação de atrazina atingiu 76,77% após cinco dias em maior densidade de inoculação. Para nicosulfuron, a taxa chegou a cerca de 53%. Os resultados indicam influência da microbiota nativa e da composição do solo na eficiência do processo.

Além da degradação, a aplicação da bactéria promoveu melhorias em atributos químicos do solo. Houve aumento de 4,03% no nitrogênio disponível, 13,08% no fósforo e 7,17% no potássio. O teor de matéria orgânica cresceu 15,11%. A cepa também reduziu o pH do solo, efeito associado à produção de ácidos orgânicos.

A atividade enzimática do solo aumentou após inoculação. Foram registrados incrementos em urease, fosfatase, catalase e sacarase. Esses indicadores apontam maior atividade microbiana e potencial melhoria na ciclagem de nutrientes.

A estrutura da comunidade microbiana também mudou. Houve aumento na diversidade bacteriana e fúngica. Grupos associados à decomposição de matéria orgânica e ciclagem de nutrientes ganharam predominância. Esse efeito indica sinergia entre a cepa introduzida e a microbiota nativa.

Outras informações em doi.org/10.1016/j.pestbp.2026.107099

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