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Bacteriófagos (fagos) que infectam bactérias utilizam sinais químicos para influenciar o comportamento de outros vírus no mesmo ambiente. Estudo recente mostra interação entre sistemas de comunicação distintos. O resultado altera decisões entre lise e lisogenia. O mecanismo favorece bacteriófagos emissores e impõe custos aos receptores.
Pesquisadores analisaram bacteriófagos com sistema arbitrium, baseado em peptídeos sinalizadores. Esses compostos indicam disponibilidade de hospedeiros. Concentração baixa estimula lise. Concentração alta direciona para lisogenia. O trabalho demonstrou exposição frequente a sinais não cognatos, produzidos por outros fagos presentes no mesmo hospedeiro ou ambiente.
Dados indicam coexistência comum de múltiplos profagos em genomas bacterianos. Cerca de 35% dos genomas avaliados carregam dois sistemas arbitrium. Alguns casos apresentam até oito. Essa sobreposição cria ambiente favorável para interferência entre sinais.
Experimentos com peptídeos sintéticos confirmaram resposta cruzada. O bacteriófago modelo Phi3T reagiu não apenas ao seu sinal SAIRGA, mas também a outros quatro peptídeos semelhantes. Essa interação reduziu a virulência e aumentou a frequência de lisogenia. O efeito ocorreu por ligação direta ao receptor AimR.
Testes com diferentes fagos revelaram padrão amplo de crosstalk. Alguns sistemas responderam a vários sinais. Outros apresentaram alta especificidade. Interações ocorreram de forma bidirecional ou unilateral. Em certos casos, um fago influencia outro sem reciprocidade.
Ensaios com meios condicionados mostraram impacto ecológico direto. Sinais produzidos por um bacteriófago alteraram infecções subsequentes. Fagos receptores passaram a adotar lisogenia mais cedo. Co-infecções simultâneas confirmaram o padrão. A presença de um fago emissor elevou a taxa de lisogenia de outro no mesmo cultivo.
Experimentos com lisógenos indicaram efeito adicional. Um profago residente produziu sinais capazes de influenciar fagos invasores. O resultado aumentou a formação de polilisógenos. Esse processo reduz risco de lise da célula hospedeira.
Análise estrutural explicou parte da especificidade. Interações entre peptídeos e receptores dependem de ajustes finos na estrutura molecular. Pequenas diferenças em aminoácidos alteram afinidade. Isso permite reconhecimento de sinais semelhantes. Também limita interação com peptídeos divergentes.
Os resultados indicam cenário competitivo entre vírus. Bacteriófagos emissores podem manipular rivais. Eles induzem lisogenia precoce em competidores. Isso reduz replicação desses vírus. Ao mesmo tempo, preserva o hospedeiro para o emissor.
O estudo sugere pressão evolutiva sobre sistemas arbitrium. Interferência entre sinais pode gerar desvantagem. Isso favorece evolução de novos pares sinal-receptor. Troca horizontal de genes contribui para diversidade observada.
Outras informações em doi.org/10.1016/j.cell.2026.02.020
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