Acordo Mercosul-UE impulsiona exportação de frutas

Redução de tarifas e cenário global abrem oportunidades para o Brasil

25.03.2026 | 14:16 (UTC -3)
Ronaldo Luiz, edição Revista Cultivar

O início da implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia, aliado ao atual cenário geopolítico global, deve abrir uma nova janela de oportunidades para as exportações brasileiras de frutas. A avaliação foi apresentada durante a Fruit Attraction São Paulo 2026, que ocorre até quinta-feira (26), na capital paulista.

No primeiro dia do evento, especialistas destacaram os impactos positivos do tratado comercial para o setor. Participaram das discussões o presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), Guilherme Coelho, e o doutor em Economia e coordenador do Mestrado em Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV), Felipe Serigatti.

De acordo com Coelho, o acordo prevê a redução gradual das tarifas de importação para frutas brasileiras no mercado europeu, principal destino das exportações do segmento. Atualmente, cerca de 70% das vendas externas do setor têm como destino o bloco.

Entre os produtos mais beneficiados, a uva deve ter tarifa zerada já no início da vigência do acordo, prevista para maio. Para outras frutas, o cronograma de redução será escalonado:

  • abacate: tarifa de 4% zerada em quatro anos;
  • limões e limas: tarifa de 14% zerada em sete anos;
  • melão e melancia: tarifa de 9% zerada em sete anos;
  • maçã: tarifa de 10% zerada em dez anos.

“O corte gradual de tarifas deve ampliar a presença das frutas brasileiras no mercado europeu”, afirmou Coelho.

No cenário macroeconômico, Serigatti apontou que o agronegócio brasileiro deve manter bom desempenho em volume exportado em 2026, embora com preços mais acomodados, o que tende a pressionar as margens dos produtores.

Para o segmento de frutas, fatores geopolíticos também entram na equação. Segundo o economista, tensões no Oriente Médio têm elevado o preço do petróleo e impactado rotas estratégicas de comércio internacional, como o Estreito de Ormuz, encarecendo o frete marítimo.

Apesar disso, o contexto pode favorecer o Brasil. “O encarecimento logístico é generalizado, mas países concorrentes, especialmente no segmento de frutas secas, enfrentam condições mais adversas por dependerem diretamente dessas rotas. Isso pode abrir espaço para o produto brasileiro”, explicou.

Expectativa de negócios

Em sua terceira edição, a Fruit Attraction São Paulo projeta movimentar até R$ 1,5 bilhão em negócios. Considerado o maior evento do segmento de frutas e hortaliças do hemisfério sul, reúne produtores, exportadores, compradores e demais agentes da cadeia em um único espaço.

Na edição de 2025, o evento recebeu mais de 16,3 mil visitantes, contou com 400 marcas expositoras de mais de 60 países e gerou mais de 1,5 mil reuniões de negócios, resultando em mais de R$ 1 bilhão em vendas. A área expositiva somou 15 mil m², crescimento de 66% em relação a 2024.

Para 2026, a rodada de negócios deve contar com compradores de 16 países, especialmente da Europa, Ásia e Américas, em parceria com a Abrafrutas.

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