Abelhas aprendem odores associados à rainha

Operárias reconheceram aroma aprendido na colônia e alteraram postura de ovos na presença de crias

12.08.2026 | 14:59 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
Foto: Imvenkat M on Unsplash
Foto: Imvenkat M on Unsplash

Operárias de Bombus terrestris conseguem aprender um odor associado à rainha e usar esse estímulo como pista social. O aprendizado modificou a atração das abelhas pelo aroma e influenciou a postura de ovos na presença de crias.

Pesquisadores da Pennsylvania State University e da Tel Aviv University avaliaram oito colônias. As rainhas receberam, todos os dias, um miligrama de álcool anisílico ou antranilato de metila. Os dois compostos constituem aromas florais e não haviam sido identificados em amostras de Bombus terrestris.

Após o desenvolvimento das colônias, as operárias passaram por testes de escolha entre o odor associado à rainha e o aroma alternativo. No conjunto dos ensaios, 74% escolheram o odor conhecido e 26% optaram pelo alternativo. As operárias apresentaram probabilidade três vezes maior de escolher o aroma aprendido.

Reprodução das operárias

Os pesquisadores também avaliaram a reprodução das operárias após a retirada da rainha. Sem crias, a exposição ao odor conhecido não alterou o número de ovos. Os três tratamentos produziram média de 12 ovos em sete dias.

A resposta mudou na presença de crias. As operárias expostas ao odor aprendido colocaram mais ovos em comparação com aquelas submetidas ao aroma alternativo. A quantidade e o estágio de desenvolvimento das crias também influenciaram a postura. Crias jovens reduziram o número de ovos produzidos pelas operárias.

O resultado contrariou a hipótese inicial. Os cientistas esperavam redução da postura caso o odor aprendido funcionasse como representação química da presença da rainha. O mecanismo permanece indefinido. O aroma pode ter adquirido associação com a rainha ou com o ambiente do ninho.

Segundo o estudo, os dados indicam maior flexibilidade na comunicação química de insetos sociais. A experiência pode modificar respostas a sinais ligados ao contexto social e reprodutivo (doi 10.1038/s42003-026-10634-w).

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