BASF destaca crédito e digitalização no Congresso Andav 2026

Durante o evento, companhia prevê R$ 2,5 bilhões em soluções financeiras e aponta efeitos do El Niño sobre o manejo

11.08.2026 | 15:52 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações de Deusarina Alves Santana

A BASF Soluções para Agricultura apresenta, durante a 15ª edição do Congresso Andav, um conjunto de iniciativas voltadas ao fortalecimento da distribuição agrícola, com foco em acesso ao crédito, digitalização e desenvolvimento de distribuidores e cooperativas. A estratégia ocorre em um cenário de margens pressionadas, restrições de financiamento e busca crescente por eficiência no campo.

Entre as principais frentes está a ampliação do acesso a recursos financeiros. A companhia prevê disponibilizar ao menos R$ 2,5 bilhões em soluções de crédito ao longo de 2026, por meio da combinação de instrumentos tradicionais e estruturados desenvolvidos em parceria com bancos, agfintechs e fundos de investimento.

A estratégia inclui operações de barter e estruturas como Fiagros e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). Segundo a BASF, a diversificação das alternativas de financiamento contribui para ampliar o acesso a recursos e aprimorar a gestão de riscos nas operações.

“Temos duas frentes importantes: ganho de produtividade com o uso de tecnologia e acesso estruturado ao crédito. Para que essas iniciativas gerem resultados consistentes, a gestão de risco, a partir do entendimento profundo sobre as realidades e desafios de cada cliente, combinada à diversificação das operações de crédito, é fundamental”, afirma Eduardo Gradiz, “líder” de Operações Financeiras da BASF Soluções para Agricultura.

Digitalização integra crédito e gestão no campo

A digitalização é outra frente da estratégia da companhia. Por meio do ecossistema conecta.ag, a BASF reúne ferramentas voltadas à gestão comercial, financiamento, relacionamento e apoio à tomada de decisão no campo.

Uma das soluções é o Conecta Finance, plataforma de crédito digital baseada em um fundo exclusivo estruturado e gerido pela Farmtech no formato de Fiagro. A ferramenta já viabilizou aproximadamente R$ 280 milhões em operações de crédito.

Com jornada totalmente digital, o sistema concentra etapas como análise, documentação e contratação. A proposta é facilitar a gestão de crédito, risco e carteira de clientes pelos distribuidores e, ao mesmo tempo, ampliar o acesso dos produtores ao financiamento no momento da compra.

A BASF pretende ampliar o número de distribuidores atendidos pela solução e sua integração ao conecta.ag, concentrando diferentes etapas da jornada comercial e financeira em um mesmo ambiente.

O ecossistema também inclui o Conecta Pontos, iniciativa de relacionamento e fidelização integrada ao programa Agrega. Nos últimos dois anos, a plataforma registrou crescimento médio anual de 91% no valor resgatado. Os resgates de produtos voltados ao agronegócio também aumentaram 94% em relação ao ano anterior, segundo a companhia.

Distribuição é considerada estratégica

A BASF também busca ampliar a atuação junto aos canais de distribuição a partir de quatro frentes: governança, efetividade comercial, inovação e desenvolvimento.

Entre as iniciativas estão programas de capacitação para líderes, gestores e equipes comerciais de distribuidores e cooperativas, além de ações voltadas à eficiência operacional e à adoção de tecnologias no campo.

“A distribuição desempenha um papel estratégico na evolução do agronegócio brasileiro. Gerar valor para o setor vai além da oferta de produtos: significa desenvolver soluções que fortaleçam a cadeia, ampliem a eficiência no campo e contribuam para um crescimento sustentável”, afirma Gustavo Bastos, gerente sênior de Acesso ao Mercado da BASF Soluções para Agricultura.

El Niño exige atenção ao manejo

Durante o evento, Bastos também comentou os possíveis efeitos do El Niño sobre a próxima safra brasileira. Segundo ele, o fenômeno tende a aumentar a necessidade de atenção ao manejo, com impactos diferentes conforme a região e a cultura.

No Sul do país, a expectativa de maior volume e intensidade das chuvas pode elevar a pressão de doenças nas lavouras. Nesse cenário, o uso de fungicidas pode ganhar importância, especialmente em culturas como soja, milho, arroz e trigo.

“Chuvas mais intensas implicam em uma pressão de doenças também mais severa. Isso provavelmente indica o uso mais intensivo de fungicidas para controle dessas doenças. Agora, qual fungicida e em qual momento utilizar, o agricultor vai precisar não só de bons parceiros, como nós e nossos distribuidores, mas também estar com um olhar mais crítico sobre a propriedade”, afirma Bastos.

Para o Cerrado, por outro lado, a possibilidade de períodos mais secos pode interferir na janela de plantio. O executivo recomenda que o produtor acompanhe a regularização das chuvas antes de iniciar a semeadura.

“É um momento de não ter pressa de plantar no Cerrado. É importante que o agricultor entenda se as chuvas de fato se estabilizaram na região em que produz para, então, iniciar o plantio”, diz.

A menor disponibilidade de chuva também pode favorecer a ocorrência de algumas pragas. Na soja, Bastos cita a possibilidade de maior pressão de lagartas, percevejos e mosca-branca, enquanto no milho a atenção deve estar voltada principalmente para cigarrinha e lagartas. No algodão, a expectativa é de maior pressão de pragas como lagartas, pulgões e mosca-branca.

Já no Centro-Sul, além da maior pressão de doenças associada à umidade, culturas como arroz e trigo podem enfrentar dificuldades adicionais no controle de plantas daninhas.

Outro ponto de atenção, segundo Bastos, é o aumento das temperaturas no Centro-Oeste. Nesse cenário, a escolha de produtos com maior seletividade e menor potencial de causar fitotoxicidade pode ser importante para preservar o desenvolvimento das plantas.

“É um momento em que o agricultor precisa estar mais atento e próximo da lavoura, acompanhando de perto as condições. Ele também pode contar com a BASF, com todo o corpo técnico da companhia e com os parceiros para ajudá-lo a tomar a melhor decisão”, afirma.

A avaliação da companhia é de que o acompanhamento das condições climáticas e o ajuste das estratégias de manejo serão fundamentais para enfrentar as diferenças regionais previstas para a safra e buscar produtividade, qualidade e rentabilidade.

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