RS Safra 2024/25: canola avança com bom desenvolvimento
Por outro lado, trigo enfrenta desafios com chuvas volumosas e risco de doenças fúngicas
A safra de soja dos Estados Unidos está praticamente definida. Cerca de 92% das lavouras formaram vagens e 6% já atingiram a maturação, ambos dentro da média histórica. O clima se manteve regular. A produtividade é considerada boa, embora inferior à do ano passado. A estimativa atual aponta para 116,8 milhões de toneladas, dois milhões a menos que em 2024.
No Brasil, 123 milhões de toneladas de soja da safra de 170 milhões já foram negociadas. Restam cerca de 47 milhões de toneladas nas mãos dos produtores. A comercialização está abaixo da média de 77% para o período. A safra nova também avança lentamente: apenas 18% foi negociada, frente à média histórica de 25%.
O mercado internacional reflete esse cenário. Chicago registrou queda nas cotações e os prêmios recuaram entre 15 e 20 pontos na semana. No Brasil, os preços caíram R$ 2 por saca em média. Ainda assim, as exportações seguem firmes. A estimativa para agosto é de 8,5 milhões de toneladas embarcadas, acumulando 86 milhões de janeiro até agora. A receita cambial pode se aproximar de US$ 5 bilhões no mês.
O milho norte-americano também mostra bom desempenho. Quase 90% das lavouras formaram espigas, com mais da metade enchendo grãos. A maturação atinge 10%. A qualidade da safra é excelente, com 71% das áreas classificadas como boas ou excelentes. A produção pode chegar a 420 milhões de toneladas, próxima do recorde.
No Brasil, a colheita do milho segunda safra atinge 97%. Mato Grosso lidera a comercialização com 67%, abaixo da média de 73%. A média nacional está em 55%. O plantio da safra de verão segue lento: 18% da área semeada, contra os 25% esperados. O frio e as geadas explicam a cautela do produtor. A área deve ser reduzida. As exportações brasileiras de milho seguem aquecidas. O país pode encerrar agosto com mais de 6 milhões de toneladas embarcadas e receita próxima de R$ 7 bilhões.
O mercado do algodão avança em colheita no Brasil e formação de maçãs nos Estados Unidos. A safra americana é considerada fraca, com apenas 44% das lavouras em boas condições. No Brasil, as exportações seguem firmes. O país deve continuar como maior exportador mundial.
O sorgo também mostra força. Nos EUA, 20% da colheita foi realizada, com expectativa de produção de 10,6 milhões de toneladas. No Brasil, a colheita está quase concluída. Goiás, Minas e Bahia ainda têm áreas em campo. A projeção indica safra recorde de até 6 milhões de toneladas.
O trigo vive momento de calmaria. A oferta elevada da Rússia pressionou os preços em Chicago. No Brasil, os moinhos compram com cautela. A tonelada varia entre R$ 1.280 e R$ 1.480, dependendo da região. A colheita começou no norte do Paraná, com relatos positivos. A área plantada, no entanto, caiu entre 20% e 25%.
O arroz sofre com excesso de oferta. A safra alcançou 12,3 milhões de toneladas, forçando quedas de preços. No varejo, pacotes promocionais chegam a R$ 15. O produtor amarga prejuízo de até R$ 20 por saca. A indústria e o varejo também relatam perdas. As exportações devem fechar agosto com cerca de 100 mil toneladas do produto beneficiado.
O feijão carioca e preto, apesar da menor oferta da terceira safra, não reagem nos preços. Problemas sanitários e redução de área limitam a colheita. A reposição no varejo ainda não anima o mercado. Os preços do carioca nobre variam entre R$ 205 e R$ 240. O feijão preto encontra sustentação na oferta reduzida. A primeira safra de 2025/26 deve ter plantio limitado. Setembro pode trazer reação, historicamente sendo o mês mais firme para o setor.
Por Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting
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