Danos por lepidópteros atingem 80% das lavouras de milho Bt na Argentina

Pesquisa da REM/Aapresid mostra alta adoção de biotecnologia

12.01.2026 | 10:19 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações da Aapresid
Foto: Aapresid
Foto: Aapresid

Oito em cada dez produtores argentinos registraram danos de lepidópteros em lavouras de milho Bt na safra 2024/25. O dado integra a Pesquisa Nacional 2025 da Rede de Manejo de Pragas. O levantamento analisou mais de 1,8 milhão de hectares. O estudo ouviu associados da Aapresid (Associação Argentina de Produtores de Semeadura Direta).

A Rede de Manejo de Pragas apresentou os resultados. A pesquisa ocorre de forma contínua há quase dez anos. O objetivo envolve mapear manejo de plantas daninhas, insetos e doenças nos principais cultivos do país. O cenário inclui avanço de biotecnologias, pressão de resistências e busca por estratégias diversificadas.

O milho concentrou alta adoção de eventos Bt para controle de lepidópteros. Mesmo assim, 82% das lavouras apresentaram danos e presença de espécies-alvo. A lagarta-da-espiga, Helicoverpa zea, predominou entre os registros.

Os danos, na maioria dos casos, não exigiram aplicações extras de inseticidas. Apenas entre 3% e 15% das áreas receberam reforço químico. O menor percentual ocorreu em milho Vip. O maior índice apareceu em materiais Cry.

Na soja, a tecnologia Intacta manteve liderança. A biotecnologia apareceu em 78% das áreas avaliadas.

Entre as plantas daninhas, Conyza spp. definiu aplicações em dessecação de primavera. Amaranthus spp. e Sorghum halepense lideraram os problemas em pós-emergência de culturas de verão. Em cultivos de inverno, produtores quase não realizaram aplicações pós-emergentes. Quando ocorreram, focaram espécies da família Brassicaceae.

No manejo químico, produtores priorizaram herbicidas HPPD, PPO e ALS em pré-emergência. Em pós-emergência, o uso concentrou glifosato, hormonais e graminicidas.

As principais pragas insetos variaram conforme a cultura. Além de Helicoverpa zea no milho, Rachiplusia nu direcionou aplicações inseticidas em trigo, girassol e soja. Na soja, ácaros do grupo Tetranychus spp. dividiram protagonismo com a lagarta-medideira.

Entre as doenças, Puccinia sorghi apresentou maior frequência no milho. Os casos quase não resultaram em controle químico. Na soja, Septoria glycines exigiu ao menos uma aplicação em metade das áreas. No trigo, Puccinia striiformis levou a controle químico em mais de 60% das lavouras.

O uso de produtos biológicos avançou. Em 2025, 37,7% dos produtores aplicaram algum biológico, além de inoculantes. O índice representa alta de 10 pontos percentuais em relação a 2024. Bioestimulantes lideraram as escolhas.

O controle químico manteve posição central no manejo de plantas daninhas. Produtores também adotaram estratégias complementares, como cultivos de serviço e redução do espaçamento entre linhas.

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