Estresse hídrico ameaça milho de terceira safra no Sealba
Déficit de água pode causar perdas de até 35,8% no potencial produtivo, segundo análise do Inmet
O Valor Bruto da Produção (VBP) do milho em Mato Grosso foi projetado em R$ 42,27 bilhões para 2026, alta de 7,94% em relação ao valor estimado para 2025. Os dados constam na terceira estimativa divulgada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Com o resultado, o milho passa a representar 25,74% dos R$ 164,22 bilhões projetados para o Valor Bruto da Produção da agricultura mato-grossense neste ano.
Segundo o instituto, o desempenho é sustentado pela expectativa de uma produção recorde na safra 2025/26, estimada em 57,06 milhões de toneladas, volume 2,92% superior ao obtido no ciclo anterior. O avanço decorre da ampliação da área cultivada e da expectativa de elevados rendimentos, favorecidos pelas boas condições climáticas registradas ao longo do desenvolvimento da cultura na maior parte das regiões produtoras do estado.
Além da maior produção, o Imea destaca que o preço médio projetado para a safra 2025/26 permanece acima do registrado na temporada anterior, mesmo sob pressão da elevada oferta, contribuindo para sustentar o crescimento do VBP.
No mercado, os contratos futuros de milho na B3 avançaram 3,26% na comparação semanal, encerrando o período com média de R$ 66,96 por saca, impulsionados pelo atraso da colheita em importantes estados produtores brasileiros. Em Chicago, o cereal também registrou valorização de 1,02%, fechando a semana na média de US$ 4,41 por bushel, refletindo o fortalecimento da demanda internacional.
Já os fretes de grãos no trecho entre Sorriso (MT) e Miritituba (PA) recuaram 5,45% em relação à semana anterior, movimento atribuído à maior demanda interna das indústrias, que reduziu a necessidade de envio da produção para os portos.
Na análise do boletim, o Imea aponta que os custos com fertilizantes e corretivos para a safra 2026/27 de milho em Mato Grosso apresentaram queda de 2,38% em junho, sendo estimados em R$ 1.532,66 por hectare. A redução é atribuída à normalização da logística no Oriente Médio, que permitiu a retomada das exportações e favoreceu as negociações, pressionando os preços dos fertilizantes.
Por outro lado, o instituto alerta que o atraso nas compras pode concentrar a demanda nos próximos meses e voltar a pressionar as cotações dos insumos.
Os gastos com defensivos recuaram 0,32%, para R$ 913,04 por hectare, enquanto o custo com sementes avançou 0,95%, alcançando R$ 848,78 por hectare. Com isso, o custeio da lavoura foi estimado em R$ 3.767,37 por hectare.
O Custo Operacional Efetivo (COE) foi projetado em R$ 5.493,40 por hectare, enquanto o Custo Operacional Total (COT) ficou em R$ 6.057,70 por hectare, ambos com recuos mensais próximos de 0,6%.
Considerando a produtividade estimada de 128,64 sacas por hectare para a safra 2025/26, o produtor precisaria comercializar o milho por pelo menos R$ 42,70 por saca para cobrir o COE e R$ 47,09 por saca para cobrir o COT. Segundo o Imea, o preço médio mensal projetado para a safra 2026/27, de R$ 44,76 por saca, permanece acima do ponto de equilíbrio do COE, mas ainda insuficiente para cobrir integralmente o COT.
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