Ureia sobe 14% nos portos brasileiros em quatro semanas

StoneX atribui alta às tensões no Oriente Médio e alerta para compras da próxima safra

27.07.2026 | 16:08 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações da StoneX

As cotações da ureia nos portos brasileiros acumularam alta de 14% nas últimas quatro semanas, refletindo o recrudescimento das tensões no Oriente Médio e o aumento das preocupações com a oferta global de nitrogenados. A avaliação é da StoneX, que alerta para possíveis impactos sobre as compras de fertilizantes para a próxima safra.

Segundo Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da consultoria, o movimento de alta é impulsionado por restrições logísticas relacionadas às dificuldades de navegação no Estreito de Ormuz e pelo bloqueio dos Estados Unidos aos portos iranianos, fatores que reforçam a percepção de menor disponibilidade do produto no mercado internacional.

Pelo lado da demanda, o período também favorece a valorização dos preços. O Brasil costuma intensificar as compras de fertilizantes nitrogenados nesta época do ano, enquanto a Índia permanece ativa no mercado internacional para recompor estoques, ampliando a disputa por cargas disponíveis.

De acordo com a StoneX, a retomada da tendência de alta ocorre após um curto período de alívio nos preços, sustentado pelas expectativas de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã e de normalização gradual da navegação pelo Estreito de Ormuz. Com a nova escalada das tensões, essas perspectivas perderam força.

A consultoria observa que o cenário merece atenção porque os próximos meses concentram a principal janela de aquisição de fertilizantes para a safra 2026/27. Além disso, os volumes de ureia, sulfato de amônio e nitrato de amônio importados pelo Brasil entre janeiro e junho indicam estoques de nitrogênio abaixo dos níveis registrados em anos anteriores, o que pode exigir maior ritmo de compras nas próximas semanas.

Apesar da recente valorização da ureia, Pernías afirma que as relações de troca entre milho e o fertilizante permanecem próximas da média histórica, indicando que, por enquanto, o impacto para o produtor ainda é limitado. Já no mercado de fosfatados, o cenário é menos favorável, com relações de troca pressionadas, o que continua afetando a rentabilidade da produção agrícola.

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