Mudanças climáticas desafiam produção de café

Fórum da Cooxupé discutirá manejo para reduzir perdas e preservar o potencial produtivo

24.07.2026 | 15:24 (UTC -3)
Vinicius Fernandes de Oliveira Maia

A previsão de um El Niño forte e de longa duração para os próximos meses coloca em evidência os impactos do clima sobre a fisiologia do cafeeiro e a necessidade de planejamento do manejo das lavouras para as safras 2027 e 2028. O tema será debatido durante a 8ª edição do Fórum Café e Clima, promovido pela Cooxupé, no dia 29 de julho, em Guaxupé (MG).

O professor doutor José Donizeti Alves, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), apresentará uma análise dos efeitos das condições climáticas observadas no ciclo agrícola 2025/2026 e as estratégias voltadas à preservação do potencial produtivo dos cafezais.

Segundo o especialista, o ciclo atual foi marcado por chuvas localizadas e irregulares, intercaladas por períodos de veranicos, marcados por déficits hídricos moderados e choques térmicos que induziram três a quatro floradas. Houve também vários períodos com noites frias e dias quentes que geraram grandes amplitudes térmicas e provocaram a queda de gemas, flores, frutos e folhas. O período também foi marcado por granizo, geadas localizadas e precipitações muito acima da média durante a colheita.

“Essas chuvas tardias, além de atrasarem a colheita, dificultaram o manejo pós-colheita nas lavouras e comprometeram a qualidade da safra. Todas essas instabilidades climáticas também prejudicaram o vingamento das flores, o pegamento dos frutos e o tamanho da peneira. Evidentemente, todos esses distúrbios fisiológicos farão com que o volume desta safra seja menor do que o previsto anteriormente pelo mercado”, aponta o especialista.

Para a safra 2027, a previsão meteorológica indica a possibilidade de chuvas antecipadas e mal distribuídas, períodos mais prolongados de estiagem e temperaturas elevadas. "A previsão de um El Niño forte exige atenção do produtor. O manejo antecipado das lavouras será fundamental para reduzir os impactos climáticos sobre a produtividade do café", destaca José Donizeti Alves.

Entre os principais sinais de estresse climático estão a queda de folhas e frutos, problemas no vingamento das flores, crescimento reduzido das plantas, desequilíbrios nutricionais e maior suscetibilidade ao ataque de pragas e doenças.

O especialista ressalta que o aprofundamento do sistema radicular das plantas é uma das principais estratégias para aumentar a resiliência dos cafezais. Entre as práticas recomendadas estão o manejo adequado da irrigação, nutrição balanceada, correção do solo, incremento da matéria orgânica, cobertura vegetal, controle fitossanitário, poda, uso de bioinsumos e acompanhamento técnico especializado. “O planejamento e a adoção antecipada das práticas de manejo são determinantes para minimizar os efeitos do clima sobre as lavouras”, afirma o professor.

Como participar do 8º Fórum Café e Clima Cooxupé

O evento acontecerá no auditório da cooperativa, em Guaxupé (MG), das 14h às 17h, com transmissão on-line e ao vivo pelo Portal Hub do Café e pela página da Cooxupé no YouTube.

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