Trigo: clima pode favorecer incidência de giberela

Temperaturas acima da média e excesso de chuvas podem favorecer incidência do fungo Gibberella zeae (Fusarium graminearum)

01.08.2023 | 14:19 (UTC -3)
Joseani Antunes
Foto: Diogo Zanata
Foto: Diogo Zanata

Temperaturas acima da média e excesso de chuvas trazidas pelo fenômeno El Niño formam o ambiente perfeito para o fungo causador da giberela, principal doença do trigo. Veja as orientações da pesquisa para reduzir os danos com a doença.

A giberela é uma doença causada pelo fungo Gibberella zeae (Fusarium graminearum) que ataca as espigas dos cereais de inverno, ocasionando perdas de até 25% no rendimento de grãos, além do potencial de contaminação dos grãos por micotoxinas, que prejudicam a saúde humana e animal. Giberela é o principal problema que afeta as lavouras de trigo, cevada e triticale no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e região centro-sul do Paraná, especialmente em anos de El Niño, quando são frequentes períodos de alta umidade do ar com precipitação pluvial em dias consecutivos e temperaturas entre 24 e 30ºC, que potencializam a ocorrência de epidemia na Região Sul.

Por se tratar de um fungo que ataca a espiga, a planta de trigo fica mais suscetível à giberela a partir do florescimento até a fase final de enchimento de grãos. No PR, segundo o Deral, quase metade das lavouras estão nas fases de floração e frutificação, ou seja, suscetíveis à incidência de giberela. Nos estados do RS e SC, as lavouras são implantadas mais tarde, com espigamento do trigo previsto entre os meses de agosto e setembro.

“Sempre orientamos o produtor a monitorar a lavoura para fazer o manejo de doenças em trigo, mas no caso da giberela a recomendação é monitorar as previsões climáticas para fazer o controle preventivo e evitar que o fungo chegue à espiga”, explica a fitopatologista Cheila Sbalcheiro, da Embrapa Trigo.

Conforme Cheila, para o melhor controle da doença é preciso fazer a proteção antecipada da espiga. Assim, por exemplo, com previsão de chuva nas próximas 24h a 72h, a orientação é aplicar o fungicida antes da chuva e repetir a operação após 7 a 10 dias se houver nova previsão de chuva.

Qual o melhor controle?

Como até o momento não existem cultivares de trigo com total resistência genética à giberela, o controle químico tem sido a forma mais indicada de controle, mas a eficácia é variável entre os princípios ativos, sendo também afetada pela favorabilidade ao desenvolvimento da doença em função das condições do ambiente e diferenças genéticas entre as cultivares. De forma geral, a eficiência no controle com fungicidas varia de 60 a 80%, mas o manejo químico deve estar associado a cultivares com resistência, mesmo que parcial, e à aplicação do fungicida no momento correto.

Para auxiliar na escolha de fungicidas mais eficazes no controle de giberela do trigo, proporcionando proteção do potencial produtivo das lavouras com redução do volume de agroquímicos aplicados por área, em 2011 foi criada a Rede de Ensaios Cooperativos, que reúne diversas instituições de pesquisa e empresas produtoras de fungicidas, visando avaliar, anualmente, a eficácia de produtos (registrados ou em fase de registro) para o controle da giberela, sob infecção natural, nas principais regiões produtoras de trigo.

Atualmente, participam da Rede de Ensaios Cooperativos as empresas/instituições: G12 Agro, EEACG, 3M Experimentação Agrícola, CCGL, Agronômica, Instituto Agris, Embrapa Trigo, Agrotecno Research, Biotrigo Genética, 3tentos e Universidade Federal de Viçosa. Em 2022, foram conduzidos 12 ensaios de pesquisa em oito locais: Guarapuava/PR, Palmeira/PR, Ponta Grossa/PR, Cruz Alta/RS, Jaboticaba/RS, Passo Fundo/RS, Santa Bárbara do Sul/RS e Viçosa/MG. Foram utilizadas cultivares de trigo com diferentes reações à giberela e adaptadas às regiões dos ensaios.

Os tratamentos (fungicidas comerciais de diferentes grupos químicos, isolados ou em misturas formuladas e registradas, e produtos com Registro Especial Temporário para experimentação) foram definidos conjuntamente entre instituições de pesquisa e empresas fabricantes (Bayer, Ihara e Syngenta). Foram avaliados uma testemunha sem fungicida (controle negativo), uma testemunha com fungicida (controle positivo) e outros três tratamentos com diferentes fungicidas. Para cada fungicida, foram realizadas três aplicações, a primeira no início da floração (25% a 50%), e as demais em intervalos entre 7 a 12 dias, conforme protocolo, utilizando-se pulverizador costal, com pressão constante, ponta 110:02 duplo leque sem indução de ar e vazão de 200 L ha-1.

Todos os fungicidas em análise reduziram a incidência e índice de giberela, com eficiência de controle da doença de 60,9% a 82,7%. 

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