Terminal de Paranaguá amplia capacidade ferroviária

Obra da TCP e da Brado eleva a eficiência operacional e amplia a movimentação de contêineres

22.07.2026 | 16:06 (UTC -3)
Thaiany Osório

A TCP, empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá, e a Brado Logística, referência no transporte multimodal de contêineres, concluíram, neste mês de julho, as obras de ampliação da estrutura ferroviária dentro do pátio de operações do Terminal. O empreendimento deve aumentar a eficiência da operação e ampliar em cerca de 20% a capacidade de movimentação no modal.

“O ramal ferroviário conecta Paranaguá a Ortigueira, Cambé e Cascavel, importantes polos produtores e exportadores de carne de frango e de papel e celulose. Com a instalação da terceira linha férrea, será possível ampliar a capacidade de movimentação de cargas cheias na ferrovia de 55 mil contêineres para cerca de 66 mil contêineres cheios por ano, o que representa um ganho significativo em eficiência para os clientes atendidos nestas regiões”, explica Fabio Mattos, gerente comercial da TCP.

Para Vinicius Cordeiro, gerente executivo de Comercial e Novos Negócios da Brado, a conclusão da obra representa mais do que a entrega de uma nova infraestrutura. O projeto inaugura uma nova etapa para a logística do Paraná, ampliando as possibilidades de conexão entre produtores e mercados nacionais e internacionais.

“Como operadora multimodal, a Brado tem o papel de transformar essa estrutura em soluções concretas, apoiando o crescimento das operações e ampliando o acesso a uma logística mais eficiente e sustentável. Essa evolução na TCP é especialmente relevante para o agronegócio e o setor industrial do estado, que precisa de alternativas capazes de acompanhar o aumento da produção e alcançar mercados cada vez mais distantes. Ao fortalecer a integração ferroviária, contribuímos para ampliar a competitividade dos produtos paranaenses, oferecendo mais eficiência e previsibilidade ao escoamento da produção”, afirma.

A TCP é o único terminal portuário na região Sul do país a possuir uma conexão direta entre o pátio de operações e um ramal ferroviário, e, com a finalização da obra, o Terminal recebe uma terceira linha de trilhos e uma nova área de manobras, totalizando 757 metros adicionais de ferrovia.“

O modal se consolida como uma solução estratégica, que fortalece a logística de cargas. Com menor risco de avarias, maior segurança e assertividade no tempo de trânsito, o transporte ferroviário no Brasil integra a cadeia de suprimentos de diversos negócios. Em 2024, dos 310 mil contêineres cheios exportados pela TCP, cerca de 52 mil — o equivalente a 17% dos embarques — foram transportados pela Brado”, comenta Mattos.

Anteriormente, o Terminal operava com duas linhas: enquanto um trem chegava ao pátio de operações, outro deixava a área, permitindo a operação de carga e descarga de 41 contêineres por vez. Com a nova linha e a área de manobras, dois trens poderão operar simultaneamente, enquanto um terceiro realiza a saída.

A conclusão da obra também altera a dinâmica no fluxo de veículos. No modelo anterior, os trens chegavam a Paranaguá com 82 vagões e as composições precisavam ser divididas em duas menores, de 41 contêineres cada, para cruzar a passagem de nível na Avenida Portuária. Este processo gerava a necessidade de duas paradas tanto dos trens quanto dos veículos para viabilizar a passagem das composições.

Agora, um único trem poderá seguir de forma contínua e com capacidade máxima, o que diminui a frequência de cruzamentos na passagem de nível da Avenida Portuária e garante uma circulação constante, em velocidade reduzida, evitando os antigos bloqueios prolongados da via.

Investimentos ampliam capacidade logística e fortalecem operação ferroviária

A ampliação da ferrovia integra um conjunto amplo de investimentos realizados pela TCP para fortalecer sua infraestrutura logística. Nos últimos cinco anos, a empresa investiu cerca de R$ 500 milhões em melhorias operacionais e na expansão da capacidade do Terminal.

Para atender ao crescimento da movimentação na ferrovia, a área passou a operar com três guindastes RTG (Rubber Tyred Gantry) — um a mais do que anteriormente. Esses equipamentos passaram por um processo de eletrificação, com a instalação de barramentos elétricos ao longo da área ferroviária, iniciativa que gerou uma redução nas emissões de aproximadamente 771 toneladas de carbono por ano na operação dos três equipamentos.

Além disso, a TCP investiu na mobilização de novos Terminal Tractors (TTs) para otimizar a operação ferroviária e na readequação do gate do Terminal, permitindo o acesso da terceira linha e maior fluidez na movimentação de cargas.A expansão também envolveu investimentos da Brado Logística em ativos e componentes estratégicos para a implementação da nova infraestrutura ferroviária. Segundo o executivo da companhia, esses aportes foram determinantes para elevar a capacidade operacional e garantir um serviço mais ágil e confiável aos clientes.

"Essa foi uma estratégia pensada para entregar mais produtividade e eficiência diretamente aos nossos clientes. Com a instalação de novos trilhos e três aparelhos de movimentação de via (AMVs), ampliamos significativamente nossa capacidade de manobra e fluxo de composições, reduzindo tempos de espera e aumentando o giro de atendimento no terminal. Toda a base de sustentação desse sistema, como placas de apoio, chumbadores, soldas e grampos de fixação, foi dimensionada para garantir máxima disponibilidade e confiabilidade operacional. O resultado é uma operação mais versátil, com maior vazão e capacidade de resposta às demandas crescentes dos nossos clientes", afirma Cordeiro.

Para Washington Renan Bohnn, gerente de operações logísticas da TCP, “esses investimentos fortalecem a infraestrutura logística da TCP e permitem que a operação ferroviária evolua com mais eficiência e previsibilidade. Ao ampliar a capacidade do Terminal e integrar melhor os modais de transporte, conseguimos oferecer soluções mais competitivas para os nossos clientes e contribuir diretamente para a eficiência da cadeia logística do comércio exterior brasileiro”.

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