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O tipo de solo usado para cultivo do milho interfere de forma direta no desenvolvimento da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) e na eficácia do controle químico. A conclusão vem de um estudo científico que analisou a relação entre solo, planta hospedeira, nutrição e resposta do inseto a inseticidas. Os resultados indicam que solos mais férteis favorecem o crescimento da planta, aumentam o peso das lagartas e reduzem a suscetibilidade ao inseticida lambda-cialotrina.
A pesquisa avaliou milho cultivado em três tipos de solo. Latossolo vermelho, solo cinamônico e solo preto. Esses solos apresentam diferenças marcantes de fertilidade, pH e teor de matéria orgânica. O experimento mediu o crescimento das plantas, a composição nutricional das folhas e o desempenho biológico das lagartas alimentadas com esse material vegetal.
O milho cultivado em solo preto e em solo cinamônico apresentou maior altura, maior diâmetro de colmo e maior acúmulo de biomassa. As folhas dessas plantas concentraram mais açúcares solúveis, proteínas e aminoácidos livres. O latossolo vermelho, de menor fertilidade, resultou em plantas menores e com menor teor nutricional.
Essas diferenças refletiram diretamente no inseto-praga. Lagartas alimentadas com milho oriundo de solo preto e solo cinamônico atingiram maior peso corporal a partir do quarto ínstar. O desenvolvimento larval ocorreu em menos tempo, embora a longevidade dos adultos tenha sido maior. As taxas de sobrevivência larval e total também aumentaram nesses dois solos quando comparadas ao latossolo vermelho.
O estudo analisou ainda índices nutricionais das lagartas. Os insetos que se alimentaram de milho cultivado em solos mais férteis apresentaram maior taxa de crescimento e melhor eficiência na conversão do alimento ingerido em biomassa. O consumo relativo foi menor, o que indica maior qualidade nutricional da dieta. No latossolo vermelho, as lagartas consumiram mais alimento, mas converteram menos em ganho de peso.
No controle químico, os resultados chamam atenção. A suscetibilidade da lagarta ao inseticida lambda-cialotrina variou conforme o solo de origem do milho. Lagartas alimentadas com milho de latossolo vermelho apresentaram menor concentração letal média. Já aquelas provenientes de milho cultivado em solo preto e solo cinamônico exigiram doses entre 1,6 e 2 vezes maiores do inseticida para atingir o mesmo nível de mortalidade.
A análise estatística apontou correlação positiva entre o peso das lagartas e a concentração letal do inseticida. Quanto maior o peso corporal, maior a tolerância ao produto. Modelagens estruturais confirmaram que o solo não afeta diretamente a eficácia do inseticida. O efeito ocorre de forma indireta, mediado pelo crescimento da planta, pelo valor nutricional das folhas e pelo aumento do peso do inseto.
O trabalho também avaliou enzimas de desintoxicação. Lagartas alimentadas com milho de latossolo vermelho apresentaram maior atividade de carboxilesterases, glutationa S-transferases e citocromos P450. Apesar disso, essas lagartas mostraram menor tolerância ao inseticida. A explicação proposta aponta que o menor peso corporal reduz o efeito de diluição do produto no organismo do inseto.
A pesquisa identificou ainda dois aminoácidos-chave nesse processo. Leucina e valina. A leucina mostrou correlação positiva com o peso das lagartas e com a tolerância ao inseticida. A valina apresentou efeito oposto. Ensaios com suplementação desses aminoácidos confirmaram que a leucina aumenta a sobrevivência após a exposição ao inseticida, enquanto a valina reduz.
Os autores destacam que o manejo da lagarta-do-cartucho pode ser mais complexo em áreas com solos férteis, como solos pretos e cinamônico. Nessas condições, o milho cresce melhor, mas o inseto-praga também se desenvolve mais e responde menos ao controle químico.
Outras informações em doi.org/10.1016/j.pestbp.2026.106952
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