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As cotações da soja e do milho recuaram na última semana, pressionadas pelas previsões de chuvas e temperaturas favoráveis no cinturão agrícola dos Estados Unidos, fator que reduziu as preocupações com perdas de produtividade nas lavouras. Apesar da queda em Chicago, analistas avaliam que o mercado segue sensível às condições climáticas durante agosto, enquanto exportações, demanda chinesa, avanço da colheita brasileira e o cenário macroeconômico devem continuar influenciando a formação dos preços nos próximos dias. Confira a análise completa elaborada pela Grainsights by Grão Direto.
Forte queda: a soja encerrou a semana passada em forte correção na CBOT. O contrato mais negociado acumulou queda de 5,2%, pressionado pelas previsões de chuvas e temperaturas favoráveis no Meio-Oeste dos Estados Unidos, justamente durante a formação de vagens. Na quarta-feira, a cotação fechou a US$ 11,9275 por bushel.
Boas condições de lavouras americanas: o USDA classificou 63% das lavouras norte-americanas como boas ou excelentes, antes 66% na semana anterior, enquanto 47% já estavam formando vagens, acima da média de 39%. No Brasil, Paranaguá recuou de R$148,37 para R$144,91 por saca. O dólar próximo de R$5,08 trouxe pouco suporte, diante da produção brasileira estimada em 180,6 milhões de toneladas.
Mercado impulsionou as compras: a queda dos preços também estimulou compras. Na sexta-feira, empresas estatais chinesas adquiriram entre 14 e 16 cargas de soja dos Estados Unidos, volume próximo de 1 milhão de toneladas. No Brasil, o dólar oscilou durante a semana e encerrou próximo de R$5,08.
De acordo com a Grainsights, Inteligência de Mercado da Grão Direto, a semana foi de queda no contrato de soja spot em Chicago (ago/26), que fechou a semana cotado a US$11,71 por bushel, com queda expressiva de 6,09%. O contrato março/27 seguiu na mesma direção, apresentando uma queda de 4,59%, fechando a US$12,05 por bushel. Esse cenário impulsionou o Índice Soja FOB Santos (SPOT) para patamares recordes, indicador exclusivo da Grainsights, que teve queda expressiva de 4,50% na semana, encerrando a R$146,16 por saca.
Clima nos EUA: o mercado global de soja inicia a semana sob extrema sensibilidade às janelas de clima no cinturão agrícola dos Estados Unidos. Com o ingresso do mês de agosto, as lavouras norte-americanas entram na fase crítica de enchimento de vagens, período determinante para a consolidação da produtividade da safra 2026/27. Embora a previsão de precipitações pontuais tenha trazido baixas recentes aos contratos na Bolsa de Chicago, a ocorrência de episódios de calor seco nas próximas semanas pode reacender a volatilidade e impulsionar repiques nas cotações internacionais.
Safra americana e projeções: a sustentação dos preços fundamenta-se no balanço de oferta e demanda apertado nos Estados Unidos. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos prevê a colheita de 120,7 milhões de toneladas, mantendo estoques finais em cerca de 310 milhões de bushels e uma relação estoque/consumo próxima a 7%. Uma relação tênue, que tende a ser muito reativa a informações de perdas. Portanto, como a margem para perdas de produtividade é mínima, qualquer oscilação negativa no rendimento por acre reduzirá diretamente as reservas estratégicas, impedindo quedas prolongadas na cotação do grão em Chicago.
Exportações e relevância internacional: pelo lado da demanda internacional, a atratividade das compras chinesas e o ritmo das exportações dos Estados Unidos continuam oferecendo suporte ao mercado. No Brasil, os prêmios nos portos seguem firmes, compensando parcialmente os recuos observados na B3 e na CBOT e preservando a competitividade da soja brasileira.
Oportunidades: no ambiente doméstico brasileiro, a liquidez tende a continuar contida ao longo desta semana, refletindo a postura cautelosa dos produtores na originação física. A atenção dos agricultores permanece voltada para a gestão de custos da safra 2026/27 e ao monitoramento do câmbio. Ao mesmo tempo, permanecem desafios logísticos, uma vez que o avanço da colheita do milho safrinha intensifica a disputa por espaço em armazéns e transporte rodoviário, gerando pressão sobre os prêmios portuários e exigindo cautela na fixação de preços spot. Variações diárias nas cotações e nos prêmios podem criar oportunidades pontuais para a fixação de preços, tornando essencial o acompanhamento constante das condições do mercado para assegurar rentabilidade.
Milho também em queda na CBOT: o milho também perdeu força em Chicago, pressionado pelas previsões de clima favorável no cinturão produtor dos Estados Unidos. Na quarta-feira, o contrato mais ativo fechou a US$ 4,7175 por bushel. A expectativa de chuvas reduziu o temor de perdas de produtividade, mesmo com a piora das condições das lavouras.
Lavouras americanas: o USDA avaliou 63% do milho como bom ou excelente, abaixo dos 67% da semana anterior. Com isso, as lavouras de milho apresentaram leve piora nas condições, embora o desenvolvimento continue avançado. O mercado acompanhou de perto essa combinação entre produtividade e clima, o que aumentou a sensibilidade das cotações em Chicago às mudanças nas previsões meteorológicas.
Avanço na colheita da safrinha brasileira: no mercado interno, o avanço da colheita da segunda safra aumentou a disponibilidade de milho e manteve os compradores mais cautelosos. Com maior oferta chegando aos armazéns, as negociações ocorreram de forma pontual, enquanto produtores avaliavam preços e espaço para armazenagem. Esse cenário limitou reações mais firmes das cotações no mercado físico.
De acordo com a Inteligência de Mercado da Grão Direto, Grainsights, o milho spot em Chicago encerrou a semana com queda acentuada de 5,17% no período. No Brasil, o contrato da B3 com mesma referência seguiu na mesma direção, fechando a R$69,20 por saca, representando uma queda de 1,96% na semana. No mercado físico, na região do Sul Goiano, as cotações encerraram a semana com referência de R$51,70 por saca.
Avanço da colheita no Brasil: a colheita da segunda safra de milho no Brasil acelera nesta primeira semana de agosto. Com a colheita quase concluída no Mato Grosso, o ritmo de trabalho ganha intensidade no Paraná e em Mato Grosso do Sul, favorecido pela melhora do clima. A entrada volumosa do cereal recém-colhido no mercado físico amplia a oferta disponível e impõe a habitual pressão sazonal de baixa sobre as cotações nas praças do interior e nas estruturas de armazenagem.
Demanda internacional e os preços: apesar da pressão de oferta da safrinha, o forte fluxo das exportações atua como um contrapeso fundamental para conter desvalorizações mais acentuadas. A programação dos portos brasileiros indica que as exportações de milho devem alcançar 8,24 milhões de toneladas em agosto. Paralelamente, os temores climáticos no Hemisfério Norte e os conflitos na região do Mar Negro elevam a procura internacional pela matéria-prima brasileira, sustentando a paridade de exportação nos portos.
Mercados de ração e etanol: internamente, o consumo doméstico sustentado pelo setor de rações e pelo avanço do etanol de milho oferece suporte adicional aos preços. Esse equilíbrio entre oferta sazonal e demanda aquecida reflete-se na B3 e no mercado físico. O mercado futuro sinaliza recuperação das cotações no último trimestre, impulsionado pelo consumo industrial interno.
Posicionamento no mercado: diante deste panorama, o produtor brasileiro adota uma postura de retenção de lotes, evitando negociações precipitadas durante o pico do recolhimento. Com a produção da segunda safra amplamente precificada, o direcionamento das negociações na semana dependerá da capacidade dos compradores em recompor estoques e do desempenho das cotações em Chicago. Momentos de valorização pontual nos portos podem representar janelas adequadas para a fixação de lotes.
Macroeconomia e oportunidades: no cenário macroeconômico, a semana iniciada neste dia 03 de agosto de 2026 é marcada pelas expectativas em torno da reunião do Copom na quarta-feira, acompanhada pela divulgação do Boletim Focus, que indicou a quinta queda seguida na projeção da inflação (IPCA a 5,03%) e estimativa da taxa Selic recuando para 13,75% a 14,00% ao ano, enquanto a cotação do dólar se mantém projetada em R$ 5,20.
Com a estabilidade cambial e as oscilações no mercado internacional de energia impactando os prêmios portuários e os custos logísticos no Brasil, torna-se essencial que o produtor rural permaneça atento às oscilações de mercado e controle rigorosamente seus custos de produção.
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