Safra de café do Brasil 2026/27 avança com clima favorável

Relatório da Hedgepoint aponta produção de 75,8 milhões de sacas, com 50,2 milhões de Arábica e 25,6 milhões de Conilon

13.04.2026 | 15:26 (UTC -3)
Adriane Froldi

A Hedgepoint Global Markets revisou as projeções para a safra brasileira de café 2026/27, refletindo condições climáticas favoráveis, aumento da área plantada e melhorias no manejo das lavouras. O volume total pode atingir 75,8 milhões de sacas, sendo 50,2 milhões de sacas de Arábica e 25,6 milhões de sacas de Conilon.

Desde meados de outubro, o clima tem sido favorável para o desenvolvimento da safra 26/27 nas regiões do café Arábica, com destaque para Minas Gerais e São Paulo. Embora a chuva tenha permanecido ligeiramente abaixo da média em 2025, o volume combinado com temperaturas amenas permitiu uma boa floração e o início do desenvolvimento dos grãos.

Nas principais regiões cafeeiras desses estados, as precipitações e as condições climáticas contribuíram para que os cafezais se mantivessem em ótimas condições, impulsionados também pelo aumento das áreas de produção e pelos tratos culturais adequados.

Em 2026, durante a fase de enchimento dos grãos, as chuvas continuaram, com volumes acima da média em fevereiro e março, favorecendo o ganho de peso e tamanho dos grãos, o que deve resultar em maior rendimento de processamento. Esse cenário, combinado à expansão da área plantada, levou à projeção de produção de Arábica em 50,2 milhões de sacas na safra 26/27, um aumento de 33,2% em relação à safra 25/26.

As áreas de Conilon também apresentaram condições climáticas favoráveis, com chuvas consistentes e temperaturas amenas ao longo do desenvolvimento da safra. O aumento da área plantada, aliado ao uso de variedades mais produtivas e a investimentos em manejo, deve sustentar a produção em níveis elevados.

A estimativa é de 25,6 milhões de sacas, o segundo maior volume já registrado no país, com queda de apenas 5,3% em relação ao ciclo anterior. A colheita já começou em algumas áreas e deve ganhar ritmo entre o final de abril e o início de maio.

“O clima favorável ao longo do desenvolvimento da safra, combinado ao aumento de área e aos investimentos em manejo, resultou em cafezais em ótimas condições e sustentou a revisão dos números de produção para a temporada 26/27”, afirma Laleska Moda, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets.

Safra 26/27 deve começar com estoques iniciais mais elevados

As exportações do ciclo 25/26 continuam apresentando desempenho abaixo do esperado. O movimento reflete a menor disposição dos produtores para vender, em meio à volatilidade dos preços e ao aumento das incertezas, além dos efeitos das tarifas dos EUA em parte de 2025.

Para a nova temporada, a estrutura do p mercado ainda pode permanecer invertida, com os vencimentos mais próximos negociados acima dos de maior prazo, e os custos financeiros mais elevados tendem a levar destinos a adiar a recomposição de estoques, impactando os fluxos globais de exportação. Ainda assim, há expectativa de aumento nos embarques brasileiros, sustentada pela maior oferta.

No mercado interno, a safra 25/26 registrou maior uso de Conilon nos blends, devido ao diferencial de preço em relação ao Arábica. Para 26/27, a tendência inicial é de manutenção desse padrão, embora uma safra maior de Arábica possa pressionar os preços da variedade nos próximos meses.

Os estoques iniciais também devem ser mais elevados no caso do Conilon, com produtores capitalizados e menor urgência de venda após os preços elevados observados nos últimos anos.

Diante desse contexto, as exportações da safra 25/26 foram revisadas para baixo, enquanto para 26/27 há expectativa de recuperação, apoiada pela maior oferta e pela demanda global mais aquecida por robusta, impulsionada por preços relativamente mais baixos frente ao Arábica.

Espera-se que os preços do Robusta sigam menores nos próximos meses, considerando não apenas o aumento da oferta no Brasil, mas também a expectativa de maior produção em outros importantes países, como Vietnã e Uganda. Esse cenário, no entanto, ainda depende da evolução climática, especialmente diante de um possível evento de El Niño.

Compartilhar

Newsletter Cultivar

Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura

acessar grupo whatsapp