Agro perde espaço nas exportações para os EUA

Setor registra retração no trimestre e enfrenta tarifas e risco de novas restrições

10.04.2026 | 15:23 (UTC -3)
Dirceu Pinto, edição Revista Cultivar

As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram queda no primeiro trimestre de 2026, com impacto direto também sobre o agronegócio. Segundo levantamento da Amcham Brasil, as vendas totais ao mercado norte-americano somaram US$ 7,8 bilhões, recuo de 18,7% em relação ao mesmo período de 2025.

Com isso, a participação dos EUA nas exportações brasileiras caiu para 9,5%, o menor nível da série histórica iniciada em 1997. No caso da agropecuária, a retração foi ainda mais intensa, com queda de 34,4% no trimestre.

O desempenho contrasta com o avanço das exportações brasileiras para outros destinos, como China e União Europeia, além do crescimento de 3,5% nas vendas totais ao exterior.

Tarifas e restrições afetam competitividade

De acordo com a Amcham, as sobretaxas impostas a parte dos produtos brasileiros seguem como fator central para o recuo das exportações, especialmente em setores de maior valor agregado. Atualmente, cerca de 45% dos embarques brasileiros entram nos EUA sem tarifas adicionais, enquanto o restante ainda enfrenta barreiras comerciais.

A entidade destaca que o ambiente de incerteza preocupa o setor produtivo: 86% das empresas consultadas avaliam o risco de novas restrições comerciais como elevado.

Março indica desaceleração da queda

Apesar do resultado negativo no acumulado do trimestre, os dados de março apontam sinais de melhora. As exportações recuaram 9,1% no mês — ritmo inferior ao observado no trimestre — e sete dos dez principais produtos exportados registraram crescimento.

Produtos sem sobretaxas tiveram avanço de 15,1% em março, movimento associado, em parte, à redução de tarifas após decisão recente da Suprema Corte dos Estados Unidos.

Cenário ainda incerto para o agro

Mesmo com a leve recuperação recente, o cenário para os próximos meses segue indefinido. A possibilidade de novas medidas tarifárias e o ambiente internacional volátil mantêm a cautela entre exportadores.

Por outro lado, a demanda consistente do mercado norte-americano e a ampliação da participação de produtos sem sobretaxas podem favorecer uma recuperação gradual ao longo de 2026, inclusive para segmentos do agronegócio.

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