Crédito rural avança 10% e atinge R$ 404 bilhões

Expansão da CPR sustenta resultado em meio à retração de linhas tradicionais

10.04.2026 | 16:30 (UTC -3)
Ministério da Agricultura, edição Revista Cultivar

O crédito rural empresarial somou R$ 404 bilhões em contratações entre julho de 2025 e março de 2026, alta de 10% em relação aos R$ 368 bilhões registrados no mesmo intervalo da safra anterior. Os dados constam no Boletim do Crédito Rural do Plano Safra 2025/2026, elaborado pelo Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário, da Secretaria de Política Agrícola, com base em informações do Banco Central.

Do total contratado, R$ 387 bilhões já foram efetivamente concedidos, ou seja, liberados nas contas dos produtores, o que representa crescimento de 5% na comparação anual.

A emissão de Cédulas de Produto Rural se destacou no período, com avanço de 38% e volume de R$ 183,1 bilhões. Como esse instrumento é majoritariamente utilizado para custeio da safra, sua soma ao crédito de custeio tradicional elevou os recursos destinados à atividade para R$ 303,1 bilhões, aumento de 13% frente à safra 2024/2025.

Segundo a Secretaria de Política Agrícola, o avanço nas contratações e concessões reflete a solidez do sistema de financiamento agropecuário, mesmo em um cenário de maior seletividade por parte de produtores e instituições financeiras.

Desempenho por finalidade

A análise por modalidade revela comportamentos distintos entre as linhas de crédito. A industrialização apresentou o maior crescimento proporcional, com alta de 74% nas contratações, totalizando R$ 28,1 bilhões, e de 64% nas concessões, que chegaram a R$ 26,4 bilhões. O movimento indica aumento da demanda por financiamento voltado ao processamento agroindustrial.

Em contrapartida, as linhas tradicionais registraram retração. O crédito de custeio caiu 11% nas contratações, somando R$ 120 bilhões, e 15% nas concessões, com R$ 114,3 bilhões. Já o crédito de investimento recuou 16% nas contratações, para R$ 45,5 bilhões, e 30% nas concessões, totalizando R$ 37,6 bilhões. A comercialização também apresentou queda, de 10% nas contratações e de 16% nas concessões.

De acordo com o boletim, a redução nas operações de investimento está associada à cautela do setor diante do atual patamar de juros, em um contexto de expectativa de recuo da taxa Selic até o fim de 2026.

Entre os programas oficiais, apenas o Prodecoop registrou crescimento, com alta de 20% e R$ 900 milhões concedidos. Os demais apresentaram retração, embora em ritmo mais moderado do que no levantamento anterior.

O número total de contratos firmados caiu 24%, passando de 534.351 para 408.353 operações. O Pronamp respondeu por 156.485 contratos, enquanto os demais produtores somaram 127.615 operações. As operações com CPR totalizaram 125.310 contratos.

Na distribuição regional, a região Sul lidera em número de operações, enquanto o Sudeste concentra os maiores volumes financeiros.

Fontes de recursos

As fontes controladas de crédito rural totalizaram R$ 106,5 bilhões em concessões, com recuo de 7%. Entre elas, os Recursos Obrigatórios cresceram 19%, atingindo R$ 42,8 bilhões. A Letra de Crédito do Agronegócio controlada registrou forte expansão, com alta de 3.564% e volume de R$ 26,9 bilhões. A Poupança Rural Controlada somou R$ 7,5 bilhões, enquanto os Fundos Constitucionais alcançaram R$ 14,5 bilhões.

Já as fontes não controladas movimentaram R$ 97,3 bilhões. A LCA respondeu por R$ 47,8 bilhões, e a Poupança Rural Livre somou R$ 44,4 bilhões, com crescimento de 39%. O BNDES Livre recuou 11%, totalizando R$ 4,4 bilhões.

Execução do Plano Safra

Até março de 2026, foram concedidos R$ 43,4 bilhões dos R$ 113,4 bilhões previstos em recursos equalizáveis, o que corresponde a 38% de execução. Ainda restam 62% disponíveis para contratação.

No custeio, foram liberados R$ 24,7 bilhões de um total programado de R$ 63 bilhões. No investimento, R$ 18,4 bilhões foram concedidos frente a R$ 49,5 bilhões previstos. Na comercialização, o volume aplicado soma R$ 307 milhões, de um total de R$ 845 milhões.

Entre as instituições financeiras, o Banco do Brasil lidera a execução, com R$ 7,1 bilhões em custeio e R$ 7 bilhões em investimento. O Sicoob executou 59% do volume programado para custeio e 69% no investimento, enquanto o Cresol já atingiu 100% das metas previstas para custeio.

Há ainda R$ 21,7 bilhões em crédito já contratado, mas ainda não liberado aos produtores.

Síntese e perspectivas

Os dados indicam que o crédito rural mantém trajetória de crescimento no volume total, impulsionado principalmente pela expansão da CPR e pelo avanço do financiamento à industrialização. Ao mesmo tempo, a retração nas linhas tradicionais sinaliza maior cautela por parte dos produtores diante do ambiente de juros elevados.

Com 62% dos recursos equalizáveis ainda disponíveis, o boletim aponta espaço relevante para avanço das contratações até o encerramento do Plano Safra 2025/2026.

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