Resistência de Ostrinia nubilalis a Cry2Ab2 mostra alta estabilidade

Estudo aponta herança autossômica, recessiva e ligada a um único gene em população de Wisconsin

21.09.2026 | 10:12 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: Mariusz Sobieski / Bugwood
Foto: Mariusz Sobieski / Bugwood

Pesquisadores caracterizaram a herança e a estabilidade da resistência elevada à proteína Cry2Ab2 em uma linhagem de Ostrinia nubilalis derivada de insetos coletados em Wisconsin, nos Estados Unidos. A linhagem já havia sido estabelecida em estudo anterior, por triagem F2, e passou por retrocruzamentos e nova seleção antes deste trabalho. A característica apresentou herança autossômica, funcionalmente recessiva e compatível com controle por um único gene ou por poucos genes fortemente ligados. A resistência persistiu por 17 gerações sem pressão de seleção com Cry2Ab2 (doi 10.1002/ps.71336).

A linhagem resistente apresentou concentração letal mediana estimada em 189.329 nanogramas por centímetro quadrado. Na linhagem suscetível, o valor foi de 139,7 nanogramas por centímetro quadrado. A relação correspondeu a resistência 1.355,3 vezes maior. Como a mortalidade da linhagem resistente não passou de 13,2% nas concentrações testadas, esse valor é uma extrapolação, e o intervalo de confiança de 95% é muito amplo (de 25.014 a 616.283.587 nanogramas por centímetro quadrado).

Efeito materno

Cruzamentos recíprocos não apresentaram diferenças significativas na resposta à proteína. O resultado afastou efeito materno e ligação ao sexo. Os descendentes heterozigotos tiveram concentrações letais medianas de 181,8 e 208,0 nanogramas por centímetro quadrado, com razões de resistência de apenas 1,3 e 1,5 em relação à linhagem suscetível.

A recessividade, porém, dependeu da concentração. Pelo índice de dominância de Stone, a resistência foi quase completamente recessiva (−0,93 e −0,89). Pela dominância efetiva, foi incompletamente recessiva entre 90 e 270 nanogramas por centímetro quadrado (0,31 a 0,37), quase completamente recessiva a 360 (0,07) e completamente recessiva a 540 e 900, onde o valor foi igual a zero.

Os testes com gerações F2 e retrocruzamentos também acompanharam as proporções esperadas para herança mendeliana monogênica. Os testes de qui-quadrado não mostraram diferença significativa entre a mortalidade esperada e a observada a 540 e 900 nanogramas por centímetro quadrado.

Sobrevivência da linhagem

A estabilidade chamou atenção. A sobrevivência da linhagem resistente variou de 87,5% a 100% na primeira, na sexta e na 17ª geração, mesmo sob concentrações de até 5.400 nanogramas por centímetro quadrado, sem efeito significativo da geração. Não houve redução significativa da resistência após a retirada da pressão de seleção. Os autores ressalvam que isso vale, ao menos, para as condições testadas, isto é, bioensaios em dieta com avaliação após sete dias. A avaliação foi feita em três gerações não consecutivas (G1, G6 e G17).

Os pesquisadores destacam implicações para o manejo de resistência em milho Bt. A estratégia de alta dose associada a refúgio depende da eliminação de indivíduos heterozigotos. A recessividade observada favorece esse princípio, mas apenas se a expressão de Cry2Ab2 nas plantas atingir de forma consistente as concentrações em que a resistência se mostrou completamente recessiva. Essa expressão varia entre tecidos.

No milho MON 89034, por exemplo, a Cry2Ab2 alcançou 160 a 180 microgramas por grama de peso seco nas folhas e 62 no colmo. Como as larvas jovens alimentam-se sobretudo de folhas e as mais velhas perfuram o colmo, os cientistas apontam que a exigência de alta dose pode ser atendida nas folhas, mas não no colmo. Além disso, a persistência da resistência sem exposição à Cry2Ab2 pode ampliar o desafio de manejo, porque a população pode continuar resistente mesmo sem pressão de seleção.

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