El Niño muito forte deve marcar primavera de 2026 no Brasil

Prognóstico aponta chuva irregular no Centro-Norte e excesso no Sul, com impactos sobre a safra 2026/27

20.09.2026 | 10:25 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações do Inmet
Previsão de anomalias de (a) precipitação (mm) e (b) temperatura média do ar (°C) para o trimestre outubro, novembro, dezembro/2026, produzida conjuntamente pelo Inmet, Cptec/Inpe e Funceme
Previsão de anomalias de (a) precipitação (mm) e (b) temperatura média do ar (°C) para o trimestre outubro, novembro, dezembro/2026, produzida conjuntamente pelo Inmet, Cptec/Inpe e Funceme

A primavera de 2026 deve ocorrer sob influência de um El Niño muito forte, com efeitos distintos sobre a distribuição das chuvas e as temperaturas no Brasil. O prognóstico conjunto do Inmet, Inpe e Funceme aponta déficit de precipitação em grande parte do Centro-Norte, excesso de chuva no Sul e temperaturas acima da média em extensa área do país. O cenário exige atenção no planejamento da semeadura e no manejo da água durante o início da safra 2026/27.

As projeções divulgadas pela NOAA/CPC indicam 98% de probabilidade de condições de El Niño muito forte no trimestre de outubro a dezembro de 2026. A classificação considera valores iguais ou superiores a 2 graus Celsius no índice Oceânico Niño Relativo da região Niño 3.4. As águas superficiais do Pacífico Equatorial registram anomalias positivas desde março de 2026.

Região Sul

A Região Sul apresenta previsão de chuvas acima da média nos três estados. Rio Grande do Sul e Santa Catarina podem registrar acumulados até 200 milímetros acima da média histórica do trimestre. As temperaturas devem superar a média em grande parte da região. No leste do Paraná, os desvios positivos podem alcançar 1 grau Celsius. O Rio Grande do Sul tende a registrar valores próximos da média, com anomalias negativas de até 0,5 grau Celsius no sul do estado.

A maior frequência de chuva no Sul pode favorecer culturas de verão e pastagens com nutrição adequada. Em contrapartida, os períodos chuvosos podem reduzir as janelas disponíveis para operações agrícolas e dificultar a entrada de máquinas nas lavouras.

Nas áreas de arroz irrigado, o excesso de água merece atenção, principalmente em solos com drenagem deficiente. A combinação entre baixa capacidade de drenagem e altos acumulados de chuva pode comprometer a emergência e o estabelecimento inicial das lavouras.

Região Sudeste

No Sudeste, o prognóstico indica possibilidade de excesso de chuva em São Paulo, Rio de Janeiro e centro-sul de Minas Gerais. Os desvios podem atingir 100 milímetros. Grande parte do Espírito Santo pode registrar déficit, com anomalias negativas de até 50 milímetros.

São Paulo e sul de Minas Gerais apresentam condições favoráveis para a implantação de soja e milho. Os volumes previstos podem contribuir para níveis mais elevados de armazenamento de água no solo. No norte e noroeste de Minas Gerais e no Espírito Santo, a redução das chuvas, junto das temperaturas mais altas, deve aumentar a demanda evaporativa da atmosfera e a necessidade hídrica de plantas e animais.

O norte e o noroeste mineiro merecem atenção nas áreas de soja. A irregularidade das chuvas no início do período chuvoso, associada ao calor, pode ampliar o risco durante a implantação das lavouras. O prognóstico recomenda acompanhamento diário das previsões meteorológicas para apoiar o planejamento da semeadura.

Em São Paulo, as condições previstas tendem a favorecer cana-de-açúcar e hortifruticultura. Apesar das temperaturas mais elevadas, os acumulados e a distribuição das chuvas devem contribuir para atender à demanda hídrica das culturas.

Região Centro-Oeste

Na Região Centro-Oeste, o prognóstico indica condições distintas entre as áreas produtoras. Mato Grosso do Sul, sul de Goiás e sul de Mato Grosso devem receber maiores acumulados de chuva. O cenário tende a favorecer a semeadura, o estabelecimento e o desenvolvimento inicial da soja 2026/27, mesmo com temperaturas acima da média.

O norte de Mato Grosso e o norte de Goiás apresentam outra condição. A previsão indica menores volumes de chuva e alta demanda evapotranspirativa. Essa combinação pode elevar o risco de déficit hídrico no início do ciclo.

Para Mato Grosso, o prognóstico aponta déficit de chuva principalmente no centro-norte. As temperaturas podem superar a média climatológica em até 2 graus Celsius na faixa norte do estado. No Mato Grosso do Sul e no sul de Goiás, a tendência favorece excesso de chuva.

Região Nordeste

A Região Nordeste também deve enfrentar predomínio de déficit de precipitação. Parte do setor leste, entre Rio Grande do Norte e Alagoas, pode registrar volumes levemente acima da média. As temperaturas devem permanecer acima dos valores climatológicos. Em alguns estados, os desvios podem alcançar ou superar 2 graus Celsius.

No Matopiba, a combinação entre irregularidade das chuvas e temperaturas mais elevadas pode ampliar os desafios para o início da nova safra de grãos. Em áreas irrigadas, o cenário tende a apresentar condições mais favoráveis, embora o calor possa elevar a demanda hídrica das culturas. O acompanhamento da disponibilidade de água e do momento da irrigação ganha importância durante a emergência, o estabelecimento e o desenvolvimento vegetativo.

Nas áreas de sequeiro do Nordeste, o início do período chuvoso pode apresentar forte variação dos acumulados entre locais próximos e dentro de uma mesma propriedade. As temperaturas elevadas podem aumentar as perdas de água por evaporação e transpiração. O prognóstico também aponta possível redução da taxa de rebrota das pastagens e menor disponibilidade de massa de forragem.

Região Norte

Na Região Norte, a previsão indica predomínio de chuvas abaixo da média climatológica em praticamente toda a área. Roraima, norte e nordeste do Amazonas, além do oeste e centro-sul do Pará, podem registrar acumulados até 200 milímetros inferiores à média. Leste do Acre, extremo noroeste do Pará e norte do Amapá apresentam previsão próxima das condições climatológicas.

As temperaturas devem superar a média em toda a Região Norte, com desvios de até 2 graus Celsius. Norte do Amapá e noroeste do Pará podem apresentar valores próximos da média do período.

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