Distribuição de insumos agropecuários fatura R$ 171 bi em 2025
Setor responde por 47% dos insumos que chegam aos produtores brasileiros, aponta pesquisa Andav e Cepea
A retirada de folhas caídas do pomar, usada de forma isolada, não reduziu o progresso da mancha foliar de Glomerella em macieiras. O manejo também não alterou a frequência de infecções latentes nas folhas. Os resultados indicam participação secundária da serapilheira como fonte de inóculo primário dos fungos do gênero Colletotrichum. Estruturas permanentes da planta, como gemas e ramos, podem contribuir para a sobrevivência e a dispersão do patógeno entre safras.
A conclusão resulta de dois experimentos conduzidos em pomares da região metropolitana de Curitiba (doi 10.1111/jph.70372). Pesquisadores da Universidade Federal do Paraná, da Epagri e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz avaliaram as safras 2020/21 e 2021/22.
A mancha foliar de Glomerella figura entre as principais doenças de verão da macieira no Brasil. Fungos do gênero Colletotrichum causam a doença. A cultivar Gala apresenta alta suscetibilidade. A enfermidade provoca lesões avermelhadas a arroxeadas nas folhas e pode causar desfolha prematura superior a 80% sob condições ambientais favoráveis.
Os pesquisadores compararam duas situações. Em uma delas, removeram as folhas caídas na projeção da copa próximo ao período de brotação. Na outra, mantiveram o material no solo. Cada experimento contou com 12 repetições de duas plantas. Os pomares continham macieiras Gala enxertadas sobre Marubakaido.
A equipe confirmou a sobrevivência do patógeno nas folhas caídas. No segundo experimento, 24% das folhas coletadas no solo apresentaram estruturas características de Colletotrichum. O resultado confirma o potencial desse material como reservatório do fungo. A presença do patógeno, porém, não significou contribuição dominante para a epidemia.
Armadilhas instaladas dentro da copa ajudaram a avaliar a dispersão dos conídios. Os equipamentos ficaram a 30 centímetros e a um metro e 80 centímetros do solo. Na safra 2020/21, a quantidade média de conídios não apresentou diferença estatística entre os tratamentos. Na safra seguinte, as maiores médias ocorreram nas armadilhas posicionadas a um metro e 80 centímetros, independentemente da retirada das folhas.
Esse padrão reforçou a hipótese de liberação do inóculo a partir de partes aéreas da macieira. Caso as folhas no solo representassem a principal fonte, os pesquisadores esperavam maior concentração de conídios perto da superfície. A dispersão por respingos de chuva tende a limitar o deslocamento do inóculo a partir do solo para regiões mais altas da copa.
Gemas, ramos e frutos mumificados aparecem como fontes potenciais. O patógeno consegue permanecer nesses tecidos durante o período de dormência. A chuva pode transportar os propágulos presentes nas partes aéreas e distribuí-los pela copa.
A análise de infecções latentes trouxe outro indício. O fungo apareceu em folhas assintomáticas antes da manifestação dos primeiros sintomas da doença. Na safra 2020/21, a frequência variou entre 18,3% e 24,1%. Na safra 2021/22, os valores ficaram entre 61,6% e 69,2%. A altura de coleta e o manejo das folhas caídas não produziram diferença significativa.
O progresso da doença também apresentou comportamento semelhante entre áreas com e sem retirada das folhas. A área abaixo da curva de progresso da doença não diferiu entre os tratamentos nas duas safras. A resposta mostra a capacidade dos ciclos secundários de infecção de compensar reduções parciais do inóculo inicial.
A mancha foliar de Glomerella possui caráter policíclico. Após o início da epidemia, novas infecções alimentam ciclos sucessivos. Por esse motivo, uma diminuição limitada do inóculo primário pode apenas retardar o início dos sintomas, sem reduzir a intensidade final da doença.
As condições meteorológicas favoreceram a epidemia nos dois anos. O primeiro experimento acumulou 596,5 milímetros de chuva e registrou 68 dias favoráveis à doença. O segundo acumulou 829,75 milímetros e teve 80 dias favoráveis. Os pesquisadores consideraram favoráveis os períodos com mais de dez horas de molhamento foliar e temperatura acima de 15 graus Celsius.
Os dados indicam necessidade de manejo integrado em pomares com histórico da doença. A retirada das folhas pode compor essa estratégia, mas não atua sobre todas as fontes de sobrevivência do patógeno. O estudo aponta a necessidade de medidas direcionadas também às estruturas aéreas.
Entre as práticas discutidas pelos pesquisadores aparecem os tratamentos de inverno com fungicidas à base de cobre, incluindo sulfato de cobre e oxicloreto de cobre. O trabalho também cita poda de ramos, retirada de resíduos vegetais, eliminação de frutos mumificados presentes nas plantas ou no solo e uso de agentes de controle biológico.
Em pomares com epidemias recorrentes, o inóculo pode permanecer estabelecido em tecidos perenes. Nesse cenário, o manejo exclusivo das folhas caídas tende a produzir efeito limitado sobre a pressão inicial de Colletotrichum e sobre o avanço da mancha foliar de Glomerella.
O trabalho foi realizado pelos pesquisadores Débora Petermann, Nicolly Campezi Xavier, Leonardo Araújo, Armando Bergamin Filho e Louise Larissa May de Mio.
Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura