Programa Soja Legal de MT avança com nova estrutura

Reformulação classifica propriedades em níveis e fortalece a gestão sustentáve

09.01.2026 | 15:15 (UTC -3)
Bruna Lima Brito Damasceno
Foto: Mateus Dias
Foto: Mateus Dias

O Programa Soja Legal, da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), entrou, em 2025, em uma nova fase, mais técnico, robusto e conectado às demandas atuais do agro e da sociedade. A reformulação marca o início de um ciclo voltado à valorização de boas práticas ambientais, trabalhistas e sociais, com a criação de um sistema de categorização em três níveis, Bronze, Prata e Ouro, que reconhece o comprometimento do produtor mato-grossense com a sustentabilidade.

Mais do que cumprir normas, o novo Soja Legal se tornou uma ferramenta de gestão e transparência, auxiliando o produtor a conhecer melhor sua propriedade e planejar melhorias contínuas. O programa atua em diferentes frentes, legislação ambiental, trabalhista, regularidade fundiária, boas práticas agrícolas e gestão responsável, com base em requisitos legais.

“Cada vez mais diante das narrativas, o Programa Soja Legal é uma maneira de fazer um raio-x da propriedade e mostrar que os produtores já fazem um bom trabalho, tanto na área ambiental, social e trabalhista, dentro da sua propriedade, preocupado com os recursos naturais, recursos humanos, trazendo sempre a produção alinhada com a sustentabilidade e a responsabilidade social”, destacou Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja MT.

Segundo ele, a nova estrutura é também um passaporte de credibilidade para o produtor mato-grossense. “O programa, de fato, é o passaporte para mostrar ao mundo a sustentabilidade do nosso produtor, de conquistar novos mercados e também, através de números e dados, desfazer as narrativas lá de fora que nossos concorrentes comerciais acabam muitas vezes disseminando sobre a agricultura brasileira. O Programa Soja Legal é esse passaporte que mostra que a nossa agricultura é responsável e, acima de tudo, contribui para um mundo melhor”, disse.

Nova estrutura

O vice-presidente da Aprosoja MT e coordenador da Comissão de Sustentabilidade, Luiz Pedro Bier, explica que a reformulação tornou o programa mais técnico e moderno, com novas etapas e ferramentas digitais que garantem confiabilidade às informações.

“O programa ficou mais robusto. Hoje nós sistematizamos a coleta de evidências, deixando o produtor preparado para uma certificação. Ele foi moldado para atender também à visão do mercado financeiro e, por fim, temos agora um diagnóstico socioambiental feito numa fase prévia, em que a área do produtor entra no sistema da Aprosoja MT. Assim conseguimos monitorar qualquer alteração que venha a ocorrer na propriedade, como novos embargos ou outras questões ambientais, e avisar o produtor”, avaliou.

Esse diagnóstico é o ponto de partida da jornada dentro do Soja Legal. A partir das informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e da visita técnica, é elaborado um relatório que identifica pontos fortes e oportunidades de melhoria. Conforme o percentual de conformidade, a propriedade recebe uma classificação Bronze (50% a 75%), Prata (75% a 91%) ou Ouro (92% a 100%), e um plano de aprimoramento contínuo é estabelecido para quem ainda não alcançou os níveis mais altos de adequação.

A produtora Daiana Costa Beber, delegada coordenadora do Núcleo de Nova Mutum e uma das primeiras na categoria Ouro, conta que decidiu participar do programa para avaliar, de forma técnica, o nível de conformidade da fazenda às leis e boas práticas.

“Nós sempre buscamos produzir de forma sustentável, respeitando o que prescrevem as leis e também o meio ambiente. Com o Programa Soja Legal, pensamos que seria interessante verificar a aderência das nossas práticas ao que estabelece a legislação. Foi interessante ver que atendemos muito bem a todas as normas e, além disso, o processo serviu de incentivo para melhorarmos a gestão e a propriedade como um todo”, afirmou.

Para ela, o diagnóstico foi completo e trouxe aprendizados importantes. “O que chamou muita atenção foi o olhar técnico e detalhista da equipe que fez a implantação. Tivemos vários insights de fazer ajustes e melhorias tanto na gestão quanto em práticas sustentáveis”, acrescentou. Para Daiana Costa Beber, a iniciativa é essencial para dar visibilidade ao trabalho responsável que o produtor já realiza em Mato Grosso.

“O Programa Soja Legal mostra como o produtor mato-grossense já está comprometido com uma produção responsável. Ele ajuda a dar visibilidade e cria uma imagem positiva para o agro do estado. Sabemos que o mercado busca cada vez mais saber a origem da soja. Então, ter uma certificação como essa pode sim se tornar um diferencial competitivo, abrindo portas e valorizando o nosso produto”, concluiu.

Valorização das boas práticas

O novo Soja Legal consolida o papel de Mato Grosso como referência mundial em sustentabilidade. Ao mesmo tempo em que orienta o produtor sobre suas obrigações legais, o programa oferece segurança técnica e reconhecimento público, pilares essenciais para o futuro da agricultura.

Mais do que uma atualização, essa nova fase representa um marco na valorização das boas práticas e da imagem do agro mato-grossense. Fazer parte é fazer certo e o produtor de Mato Grosso, mais uma vez, mostra que sustentabilidade, produtividade e responsabilidade podem caminhar lado a lado.

Para fazer parte do programa, o produtor deve entrar em contato com o Canal do Produtor pelo telefone (65) 3027-8100.

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