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Pesquisadores da North Carolina State University identificaram Prionus imbricornis como praga emergente em lavouras comerciais de mirtilo na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. A espécie pertence à família Cerambycidae e ataca raízes de Vaccinium corymbosum. O trabalho confirmou, por comparação genética, a presença do besouro em plantas infestadas no principal polo produtor do estado.
A identificação resolve uma dúvida presente desde 2010, quando produtores dos condados de Sampson, Pender e Bladen relataram danos severos em raízes e coroas de plantas da cultivar Duke. Relatos posteriores apontaram larvas de Prionus em áreas de mirtilo, mas a espécie envolvida permanecia sem confirmação. A dificuldade vinha do hábito subterrâneo das larvas e da semelhança morfológica entre espécies do gênero.
Os pesquisadores informam que a Carolina do Norte registra o primeiro caso nos Estados Unidos de Prionus imbricornis em alimentação ativa sobre plantas comerciais de mirtilo. A pesquisa também confirma Vaccinium corymbosum como novo hospedeiro da espécie por barcoding larval comparativo. Antes disso, os hospedeiros confirmados por adultos emergidos incluíam carvalho, castanheira e macieira.
As larvas causam o dano principal. Elas perfuram e consomem raízes, produzem galerias e comprometem o sistema radicular. Em mirtilo, os sintomas incluem morte de ramos no início da primavera, murcha foliar e plantas enfraquecidas. Muitas plantas infestadas podem sair do solo com a mão ou durante a colheita mecanizada. Quando esses sinais aparecem, a recuperação costuma não ocorrer.
A infestação já alcança escala relevante na região produtora. Os cientistas relatam centenas de plantas mortas com larvas ativas, milhares de plantas suspeitas e mais de 202 hectares com presença confirmada de Prionus nos últimos dois anos. As cultivares Duke, O’Neal, Star e Legacy aparecem entre os materiais infestados. A maioria das plantas afetadas tem de dez a quatorze anos, mas o estudo também cita plantas de cinco anos.
Os pesquisadores instalaram armadilhas de painel preto com feromônio sexual em seis fazendas comerciais, entre abril e setembro de 2025. As áreas ficavam nos condados de Pender, Sampson, Bladen e New Hanover. As armadilhas capturaram adultos de Prionus imbricornis e Prionus pocularis. Entre 5.150 adultos coletados, 89,6 por cento pertenciam a Prionus imbricornis.
A equipe coletou duas larvas em alimentação ativa em raízes de Vaccinium corymbosum, em duas fazendas de Pender e Sampson. Depois, sequenciou o gene CO1 dessas larvas e comparou os resultados com adultos identificados de Prionus imbricornis e Prionus pocularis. As larvas apresentaram correspondência de 98 por cento a 99 por cento com adultos de Prionus imbricornis.
O resultado indica Prionus imbricornis como espécie envolvida nas infestações de mirtilo. O artigo ressalta, porém, uma possibilidade ainda aberta: Prionus pocularis também pode ocorrer nas plantas, pois adultos dessa espécie apareceram nas armadilhas. A confirmação depende de novo barcoding ou da criação de larvas até a fase adulta.
O ciclo biológico dificulta o manejo. Adultos não se alimentam. Fêmeas depositam ovos no solo, perto da base das plantas. As larvas perfuram tecidos subterrâneos e podem levar de três a cinco anos até a pupação. No mirtilo da Carolina do Norte, as larvas podem atingir até 62 milímetros de comprimento e 15 milímetros de largura.
A pesquisa aponta limitações para o controle químico. Não há inseticidas registrados contra besouros Prionus em mirtilos nos Estados Unidos. As larvas permanecem protegidas no solo, dentro de raízes e caules, o que reduz o alcance de produtos de contato e sistêmicos. O estágio mais suscetível tende a ocorrer logo após a eclosão, algumas semanas depois do acasalamento.
Lorena Lopez, professora assistente de extensão no Departamento de Entomologia e Fitopatologia da North Carolina State University, iniciou ensaios com inseticidas. A meta envolve identificar moléculas eficazes e ajustar aplicações ao ciclo reprodutivo de Prionus imbricornis. O objetivo consiste em limitar o desenvolvimento inicial das larvas e reduzir danos radiculares.
O trabalho também trata do uso de feromônios. Estudos anteriores com outras espécies de Prionus indicaram potencial para interrupção de acasalamento em lúpulo, cereja e pecã. No entanto, a eficiência dessa tática para Prionus imbricornis em mirtilos ainda não passou por avaliação. As armadilhas com feromônio usadas na Carolina do Norte serviram para monitorar emergência de adultos e estimar populações.
Os cientistas alertam para uma limitação no monitoramento. O número de machos capturados em armadilhas com feromônio não indica, por si só, o nível de infestação nas plantas. Os adultos podem vir de áreas a centenas de metros de distância, inclusive de hospedeiros lenhosos vizinhos. A presença de larvas em alimentação ativa nas raízes permanece como principal evidência de infestação na cultura.
Outras informações em doi.org/10.1093/jipm/pmag018
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