Pesquisa nos EUA detalha perdas de nutrientes em vinhedos

Estudo inclui folhas e ramos no balanço e aponta efeito de geadas sobre nitrogênio e fósforo

22.07.2026 | 06:50 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
O vento pode deslocar as folhas que caem de um vinhedo, tornando seus nutrientes indisponíveis para as videiras. Folhas de videira em uma pastagem próxima a um vinhedo (A) e folhas de videira presas pela vegetação nativa nas fileiras intermediárias de um vinhedo (B) - DOI 10.5344/ajev.2026.25041
O vento pode deslocar as folhas que caem de um vinhedo, tornando seus nutrientes indisponíveis para as videiras. Folhas de videira em uma pastagem próxima a um vinhedo (A) e folhas de videira presas pela vegetação nativa nas fileiras intermediárias de um vinhedo (B) - DOI 10.5344/ajev.2026.25041

A colheita concentra a maior parte da exportação anual de nutrientes em vinhedos irrigados de clima seco. Folhas senescentes e ramos retirados na poda também representam saídas relevantes. Em alguns elementos, esses tecidos vegetativos superam os frutos. O resultado reforça a necessidade de incluir produtividade, biomassa de folhas, peso de poda e ocorrência de geadas no planejamento da adubação (DOI 10.5344/ajev.2026.25041).

Pesquisadores da Universidade Estadual de Washington avaliaram vinhedos comerciais no leste do estado de Washington, nos Estados Unidos, entre 2021 e 2023. O trabalho envolveu Chardonnay, Sauvignon blanc e Syrah, cultivares de Vitis vinifera, além da Concord, híbrido com ascendência de Vitis labrusca e Vitis vinifera. A região apresenta clima árido, precipitação anual inferior a 200 milímetros e produção dependente de irrigação por gotejamento.

A equipe mediu a biomassa e a concentração de macro e micronutrientes nos frutos colhidos, nas folhas caídas após a primeira geada letal e nos ramos dormentes removidos durante a poda. O levantamento considerou nitrogênio, fósforo, potássio, magnésio, cálcio, enxofre, boro, manganês, cobre e zinco.

Maiores retiradas

Potássio e nitrogênio responderam pelas maiores retiradas via colheita. Nas uvas para vinho, cada tonelada de frutos exportou, em média, 3,0 quilogramas de potássio e 1,4 quilograma de nitrogênio. Na Concord, os valores chegaram a 3,6 quilogramas de potássio e 1,7 quilograma de nitrogênio por tonelada.

A colheita também retirou, na média das quatro cultivares, 0,4 quilograma de cálcio, 0,3 quilograma de fósforo, 0,1 quilograma de magnésio e 0,1 quilograma de enxofre por tonelada de frutos. A quantidade exportada por hectare acompanhou principalmente a produtividade de cada bloco. Por esse motivo, os pesquisadores consideram viável estimar a saída de nutrientes ao multiplicar o rendimento anual por valores médios de remoção por tonelada.

Retirada anual média

Nos vinhedos de uvas para vinho, a soma de frutos, folhas e ramos resultou em retirada anual média próxima de 36 quilogramas de nitrogênio e 63 quilogramas de potássio por hectare. Nos vinhedos de Concord, a soma de frutos e folhas alcançou cerca de 74 quilogramas de nitrogênio e 117 quilogramas de potássio por hectare. O estudo não avaliou os ramos da Concord devido ao sistema de poda mecânica.

As folhas responderam por parcela expressiva da saída de nutrientes. O cálcio predominou nesse tecido. As perdas potenciais alcançaram 58,2 quilogramas de cálcio por hectare na Concord. O nitrogênio chegou a 29,9 quilogramas por hectare, e o potássio atingiu 14 quilogramas por hectare. Entre os micronutrientes, o manganês apresentou a maior remoção por queda de folhas, com valores de até cerca de 310 gramas por hectare.

Participação das folhas

A participação das folhas ganhou importância para cálcio, magnésio e manganês. Nesses casos, a remoção foliar igualou ou superou a retirada pela colheita. Os ramos da poda contribuíram com uma fração menor para a maioria dos nutrientes, mas tiveram peso relevante na saída de cálcio e zinco. A variação anual acompanhou o peso de poda, sobretudo em Chardonnay e Syrah.

Geadas precoces alteraram a remobilização de nutrientes antes da queda das folhas. Em uma simulação com Chardonnay, as concentrações foliares de nitrogênio caíram perto de 50% entre setembro e novembro. O fósforo apresentou redução ainda maior, próxima de três vezes. A interrupção antecipada da senescência pode reter esses elementos nas folhas e reduzir a transferência para troncos, raízes e outras estruturas permanentes.

Ventos fortes

O risco aumenta em áreas com ventos fortes. Folhas desprendidas podem sair do vinhedo antes da decomposição. Folhas e ramos deslocados para as entrelinhas também podem fornecer nutrientes à vegetação de cobertura, em vez das videiras. Esse efeito ganha importância em áreas irrigadas por gotejamento, nas quais parte expressiva das raízes se concentra junto às linhas de plantio.

Quando folhas e ramos permanecem na área, a decomposição pode devolver parte dos nutrientes ao solo. O processo ocorre em ritmos distintos e depende da mineralização, da matéria orgânica, do microbioma e da distribuição das raízes. A retirada desses resíduos para controle de doenças transforma o conteúdo mineral em exportação efetiva e exige consideração no balanço da adubação.

O bagaço também apresenta potencial de reciclagem. Nas amostras analisadas, o retorno estimado de potássio variou conforme a cultivar e o ano. O bagaço de Chardonnay apresentou entre 2,31 e 3,13 quilogramas de potássio por tonelada de uvas. Em Syrah, os valores variaram de 1,23 a 1,99 quilograma por tonelada. A incorporação de bagaço e ramos nas linhas pode reduzir parte da exportação e acrescentar matéria orgânica a solos áridos.

Os pesquisadores recomendam um balanço nutricional específico para cada área. O cálculo deve integrar produtividade, biomassa vegetativa, concentração de nutrientes nos tecidos, época da geada e destino dos resíduos. Programas baseados apenas na carga de frutos podem subestimar a reposição necessária em vinhedos vigorosos, em safras com grande crescimento vegetativo ou em regiões sujeitas a geadas precoces e ventos.

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