Nova doença bacteriana em milho confunde diagnóstico

Patógeno causa clorose semelhante à deficiência de ferro e pode elevar custos no campo

20.03.2026 | 08:53 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
Foto: Ken Obasa
Foto: Ken Obasa

Uma nova doença bacteriana em milho e sorgo, identificada no Texas, Estados Unidos, provoca sintomas visuais semelhantes à deficiência de ferro. O quadro pode induzir diagnósticos equivocados e levar produtores a aplicar micronutrientes sem efeito sobre o problema. O agente causal envolve a bactéria Pantoea agglomerans.

Pesquisadores observaram, em 2023, descoloração foliar verde-limão com clorose internerval em gramíneas espontâneas no noroeste do Texas -- região conhecida como Panhandle. Pouco depois, sintomas idênticos surgiram em lavouras de milho e sorgo. Plantas afetadas apresentaram atraso no desenvolvimento. Houve redução no crescimento reprodutivo. Em casos severos, plantas não chegaram à fase reprodutiva.

A distribuição das plantas sintomáticas ocorreu de forma irregular nas áreas. Esse padrão indicou origem biológica. Análises de tecido vegetal e solo descartaram deficiência de ferro. Em alguns casos, plantas com sintomas apresentaram teor de ferro maior que plantas sadias.

Microrganismo isolado

Os pesquisadores isolaram o microrganismo após descartar fungos e outros agentes. O isolamento exigiu meio de cultura específico para fitoplasmas. Testes com microscopia, antibióticos e sequenciamento de DNA confirmaram a presença de Pantoea agglomerans.

O estudo detalha a nova doença, denominada clorose internerval induzida por Pantoea (PIC). O patógeno demonstrou capacidade de reproduzir os sintomas em plantas inoculadas, cumprindo os postulados de Koch. Plantas infectadas exibiram folhas cloróticas, entrenós encurtados e atraso no desenvolvimento. Algumas não formaram espigas ou produziram estruturas com poucos grãos.

As plantas doentes mostram folhas amareladas entre nervuras e porte reduzido. Em sorgo, surgem panículas mal formadas ou sem grãos.

Comportamento incomum

A pesquisa também aponta comportamento incomum da bactéria. O isolado identificado apresenta possível variação genética dentro da espécie Pantoea agglomerans. Análises filogenéticas indicam proximidade com outras linhagens, mas com diferenças relevantes.

Ponto relevante envolve o metabolismo do ferro. Testes laboratoriais indicaram produção elevada de sideróforos pelo patógeno. Essas moléculas sequestram ferro no ambiente celular. O nutriente permanece presente, mas indisponível para a planta. Isso explica a clorose sem deficiência real.

Na prática, o sintoma induz erro de interpretação. A clorose internerval, típica de deficiência de ferro, leva à recomendação de adubação corretiva. Nesse caso, a aplicação não resolve o problema. O custo de produção aumenta sem retorno agronômico.

Locais confirmados

A doença já foi confirmada em cerca de metade dos condados do Texas Panhandle. Registros recentes indicam presença também em regiões central e sul do estado. A ocorrência em gramíneas espontâneas sugere reservatórios alternativos.

Os pesquisadores destacam a necessidade de diagnóstico preciso. A recomendação envolve análise laboratorial antes de qualquer intervenção nutricional. A identificação correta evita gastos desnecessários e direciona futuras estratégias de manejo.

Ainda não há definição clara sobre os mecanismos de disseminação. Os pesquisadores investigam possíveis rotas de transmissão no campo. A compreensão desses processos deve orientar medidas de controle e reduzir impactos econômicos nas culturas de milho e sorgo.

Outras informações em doi.org/10.1094/PHP-07-25-0184-RS

<b>(A)</b> sintomas foliares verde-limão brilhantes em capim-de-johnson (pontas de seta pretas) na beira de uma estrada no Condado de Moore, TX; <b>(B)</b> clorose intervenal associada (pontas de seta vermelhas) em capim-de-johnson; <b>(C)</b> em plantas jovens de milho (pontas de seta pretas) na borda de um milharal
(A) sintomas foliares verde-limão brilhantes em capim-de-johnson (pontas de seta pretas) na beira de uma estrada no Condado de Moore, TX; (B) clorose intervenal associada (pontas de seta vermelhas) em capim-de-johnson; (C) em plantas jovens de milho (pontas de seta pretas) na borda de um milharal
<b>(D)</b> plantas de sorgo em fase de maturação; <b>(E)</b> plantas de milho em fase reprodutiva, apresentando clorose intervenal; <b>(F)</b> vista aproximada de plantas jovens de sorgo com clorose intervenal
(D) plantas de sorgo em fase de maturação; (E) plantas de milho em fase reprodutiva, apresentando clorose intervenal; (F) vista aproximada de plantas jovens de sorgo com clorose intervenal
<b>(G)</b> plantas de milho atrofiadas (ponta de seta branca) ao lado de plantas assintomáticas; <b>(H)</b>&nbsp;conjunto de plantas de sorgo atrofiadas (pontas de seta brancas) sem panícula, cercado por plantas de sorgo assintomáticas; <b>(I)</b> imagem ampliada de plantas de sorgo maduras com panículas subdesenvolvidas e murchas (pontas de seta brancas) - Fotos:&nbsp;Ken Obasa e Dennis Coker
(G) plantas de milho atrofiadas (ponta de seta branca) ao lado de plantas assintomáticas; (H) conjunto de plantas de sorgo atrofiadas (pontas de seta brancas) sem panícula, cercado por plantas de sorgo assintomáticas; (I) imagem ampliada de plantas de sorgo maduras com panículas subdesenvolvidas e murchas (pontas de seta brancas) - Fotos: Ken Obasa e Dennis Coker

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