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Pesquisadores desenvolveram uma estratégia de desagregação para produzir um nanopesticida de benzoato de emamectina sem nanocarreadores e sem surfactantes. O método usa ácido acético em suspensão aquosa e gerou partículas com diâmetro médio de 7 nanômetros. O estudo relata aumento da bioatividade contra Megalurothrips usitatus e Meloidogyne enterolobii, além de maior penetração em folhas de feijão-caupi e raízes de pimentão.
O trabalho avaliou o efeito direto da redução de tamanho nas biointerações do pesticida. Segundo os pesquisadores, grande parte dos nanopesticidas envolve nanocarreadores ou surfactantes. Esses componentes podem alterar a interação com organismos e dificultar a separação entre o efeito do tamanho e o efeito da formulação.
Na estratégia testada, o ácido acético rompeu ligações de hidrogênio presentes nos agregados de benzoato de emamectina. A análise indicou ausência de reação química e ausência de complexo estável entre o ácido acético e a molécula ativa. O processo gerou uma dispersão coloidal estável chamada HOAc-EB.
A formulação apresentou estabilidade após 14 dias a 0 grau Celsius, 25 graus Celsius e 55 graus Celsius. Também manteve o tamanho das partículas após três ciclos de congelamento e descongelamento. O teor de ingrediente ativo não diferiu do benzoato de emamectina convencional nas condições avaliadas.
Nos bioensaios, o HOAc-EB reduziu a concentração letal mediana em 91 por cento contra Megalurothrips usitatus. O valor caiu de 3,02 miligramas por litro para 0,280 miligrama por litro. Contra Meloidogyne enterolobii, a concentração letal mediana caiu 56 por cento, de 18,5 miligramas por litro para 8,1 miligramas por litro.
Os pesquisadores também avaliaram o uso pela planta. Em folhas de feijão-caupi, o ângulo de contato da gota do HOAc-EB atingiu 66,3 graus, contra 87,8 graus do benzoato de emamectina convencional. A tensão superficial caiu de 64,1 milinewtons por metro para 53,1 milinewtons por metro. O resultado indica melhor espalhamento da calda sobre a superfície foliar.
Em solo, o HOAc-EB sofreu menor adsorção. O benzoato de emamectina convencional apresentou adsorção completa em 24 horas em concentrações abaixo de 250 miligramas por litro de ingrediente ativo. O HOAc-EB mostrou adsorção completa apenas em 62,5 miligramas por litro. Em 250 miligramas por litro, a adsorção ficou abaixo de 10 por cento.
A penetração translaminar também aumentou. Em folhas de feijão-caupi, o pico de ingrediente ativo acumulado com HOAc-EB alcançou 1,29 miligrama por grama aos 25 minutos. O valor superou em 5,1 vezes o resultado do benzoato de emamectina convencional, com 0,21 miligrama por grama aos 30 minutos.
Em raízes de pimentão, o pico de ingrediente ativo acumulado chegou a 1,09 miligrama por grama aos 25 minutos com HOAc-EB. O resultado superou em 4,4 vezes o valor observado com a formulação convencional, de 0,20 miligrama por grama. Apesar desse avanço, o composto não passou a apresentar comportamento sistêmico. O ingrediente ativo permaneceu no local de aplicação em folhas e raízes.
Os ensaios de campo mostraram diferenças conforme o alvo. No controle de Megalurothrips usitatus em feijão-caupi, o número de tripes por flor caiu para 5,5 após 48 horas com HOAc-EB. O tratamento convencional registrou 7,1 indivíduos por flor. A análise estatística não indicou diferença significativa entre os dois tratamentos.
No controle de Meloidogyne enterolobii em pimentão, a diferença apareceu com maior clareza. O tratamento convencional registrou 80,7 galhas por grama de raiz, valor sem distinção estatística em relação à testemunha, com 72,0 galhas por grama de raiz. O HOAc-EB reduziu o número para 37,6 galhas por grama de raiz.
A avaliação de segurança não apontou aumento de toxicidade em organismos não alvo. Em feijão-caupi, pulverizações repetidas com 1000 miligramas por litro durante 14 dias não causaram sintomas visíveis de fitotoxicidade. Em pimentão, uma aplicação por drench radicular na mesma concentração também não causou inibição visual de crescimento no período observado.
Os testes com zebrafish, minhocas e camundongos indicaram toxicidade semelhante entre HOAc-EB e benzoato de emamectina convencional. Os pesquisadores relatam ausência de aumento de toxicidade após a redução de tamanho.
O estudo também aponta viabilidade operacional. A formulação com até 30 por cento de ingrediente ativo foi obtida por simples mistura entre benzoato de emamectina, ácido acético e água. O processo dispensa moagem de alta energia, solventes orgânicos e surfactantes externos.
Outras informações em doi.org/10.1002/advs.75914
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