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Em meio à Mata Atlântica do Vale do Ribeira, a propriedade da família de Agnaldo José de Oliveira carrega cerca de um século de história. Localizado no entorno do Parque Estadual Intervales, em Sete Barras, o Sítio Boa Vista passou por uma transformação nos últimos anos: o antigo monocultivo de banana prata deu espaço a um sistema agroflorestal que hoje reúne palmito juçara, espécies nativas de madeira, frutas e raízes cultivadas em meio à floresta.
Agricultor e integrante da Cooperativa Agropecuária de Produtos Sustentáveis do Guapiruvu (Cooperagua), Agnaldo representa a terceira geração da família na propriedade que pertenceu ao avô materno. A mudança no modelo produtivo começou no início dos anos 2000, impulsionada pelo desgaste do solo, pela instabilidade financeira e pela necessidade de adaptação das famílias da região após a criação do parque estadual, em 1995.
“Repensamos o modelo de produção e vimos que ter uma diversidade de culturas em meio à floresta poderia, por exemplo, impedir o avanço de pragas na nossa propriedade, promovendo o equilíbrio ambiental”, conta o produtor.
Hoje, nos oito hectares da propriedade, cinco são destinados ao manejo agroflorestal e três compõem a reserva legal. Além da banana, a família produz majoritariamente palmito juçara — espécie antes ameaçada de extinção na região — além de cedro, ipê, canela, jaca, fruta-do-conde, mandioca, cará e outras culturas.
“A regularização ambiental, há cerca de 10 anos, contribuiu para fortalecer nossos negócios e ampliar o acesso às políticas públicas. Também foi fundamental para avançarmos no manejo florestal sustentável, garantindo autorização para o manejo e corte da juçara”, observa Agnaldo.
A experiência do produtor é um exemplo do trabalho desenvolvido pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), para orientar produtores rurais sobre regularização ambiental, manejo sustentável e uso produtivo de áreas de preservação e vegetação nativa.
A iniciativa é conduzida pela Coordenadoria de Regularização Ambiental Rural (CRAR), que oferece apoio técnico sobre o Cadastro Ambiental Rural (CAR), Programas de Regularização Ambiental (PRA), Sistemas Agroflorestais (SAFs), coleta de produtos florestais e plantio comercial de espécies nativas.
Para o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho, a regularização ambiental deixou de ser apenas uma obrigação legal e passou a representar uma oportunidade para o produtor rural. “Quando o produtor recebe orientação técnica e segurança para investir, a preservação deixa de ser vista como obstáculo e passa a integrar a estratégia de desenvolvimento da propriedade rural”, destaca o secretário.
O Estado de São Paulo já superou a marca de 200 mil Cadastros Ambientais Rurais (CARs) validados, liderando a implementação do Código Florestal Brasileiro. Desse total, mais de 54 mil cadastros possuem passivo ambiental identificado, abrangendo uma área de 111.922 hectares. Desse total, o estado já contabiliza mais de 1.200 projetos de recomposição ( PRADAs ) validados em andamento, ou seja, são mais de 21.500 hectares em processo de recomposição ambiental entre Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais.
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