Mercado Agrícola - 6.fev.2026

Soja reage após anúncio de vendas dos EUA à China

06.02.2026 | 08:14 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

A soja ganhou fôlego nesta semana após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre negociações com a China. Trump informou conversa com Xi Jinping e citou compromisso para que os chineses completem 20 milhões de toneladas de soja americana na safra 2025/26. O volume pode subir para 25 milhões em 2026/27. O mercado reagiu com alta forte em Chicago, levando os contratos para acima de US$ 11 por bushel.

A valorização sustentou os preços em dólar e ajudou a relação de troca do produtor brasileiro. O movimento amenizou a pressão provocada pela alta dos fertilizantes. Analistas alertam para cautela em fixações acima de US$ 11,10, diante do histórico de volatilidade do discurso político americano. Mesmo assim, o mercado tenta formar suporte próximo de US$ 11.

No Brasil, a soja interrompeu a trajetória de queda. A colheita avança e alcança cerca de 15% da área nacional, com 26,5 milhões de toneladas colhidas. Mato Grosso lidera os trabalhos, com cerca de 35% colhido. Paraná soma 25%. Goiás atinge 8%. Rondônia chega a 25%. Grande parte do volume quita contratos antecipados.

As condições da safra variam de boas a excelentes, apesar de falta de chuvas pontuais no Rio Grande do Sul. A área plantada cresce e se aproxima de 50 milhões de hectares, o que mantém a expectativa de safra grande. A comercialização da safra nova segue atrasada, com cerca de 34% negociado, abaixo da média histórica. O cenário indica pressão de oferta nos próximos 60 a 90 dias.

No mercado internacional, a demanda por óleo vegetal sustenta o complexo soja. O inverno rigoroso no hemisfério norte eleva o consumo de gorduras. Há sinais de compras de óleo por China e Índia. O setor de biocombustíveis aguarda estímulos ao biodiesel nos Estados Unidos, o que amplia o uso de óleo de soja. A ração também ganha demanda com o frio intenso.

Situação do milho

O milho acompanhou o movimento positivo. Em Chicago, março tenta segurar US$ 4,30 por bushel. Julho opera acima de US$ 4,40. O mercado reflete demanda firme por etanol e ração. No Brasil, o plantio da safrinha alcança 18%, abaixo do ideal para fevereiro. Goiás e Mato Grosso registram cerca de 25% plantado. Paraná soma 20%. Os preços internos pararam de cair, com expectativa de reação após o carnaval.

Situação do trigo

O trigo segue atento ao inverno polar no hemisfério norte. O risco climático ainda não gerou reação expressiva em Chicago. No Brasil, moinhos retomam compras de forma gradual com a volta das aulas. As cotações mostram estabilidade.

Situação do arroz

O arroz iniciou reação no Rio Grande do Sul. Indicações apontam alta no mercado gaúcho, com expectativa de exportações acima de 2 milhões de toneladas na nova temporada. A área menor reduz a produção nacional para algo próximo de 11 milhões de toneladas. O ajuste de oferta no Mercosul reforça o viés de sustentação.

Situação do feijão

No feijão, a oferta curta da primeira safra acelera os preços. O feijão carioca registra novas altas e já há referências próximas de R$ 300 por saca para lotes nobres. O feijão preto perdeu fôlego após fortes altas em janeiro, pressionado por promoções no varejo e avanço da colheita no Paraná. A perspectiva segue de pouca oferta nos próximos meses.

Por Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

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