Mercado Agrícola - 5.jun.2026

Soja sustenta exportações recordes em meio à pressão externa

05.06.2026 | 10:27 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

A soja mantém o protagonismo nas exportações brasileiras em 2026, mesmo com pressão sobre as cotações em Chicago. O mercado internacional opera sob influência do clima nos Estados Unidos, da tensão geopolítica no Oriente Médio e da disputa comercial entre China e Estados Unidos. No Brasil, os prêmios positivos ajudam a compensar parte da queda externa e sustentam os preços nos portos.

O plantio da soja nos Estados Unidos entrou na reta final. Segundo o relato, o USDA indicou avanço acima de 91% a 92% da área. A média histórica para o período fica em 85%. O avanço dentro da janela ideal pressiona Chicago. As posições perderam suportes anteriores e passaram a trabalhar com suporte em 11 dólares por bushel e resistência em 11,50 dólares por bushel.

A demanda chinesa também pesa sobre os preços. A China aparece com compras menores nos relatórios recentes de exportações norte-americanas. O país asiático concentra aquisições no Brasil. Esse movimento dá suporte aos prêmios brasileiros, todos acima de 50 pontos positivos nas posições curtas e longas de 2026.

O petróleo acima de 90 dólares por barril mantém pressão sobre custos internacionais. Esse cenário afeta fertilizantes, transporte marítimo, frete e seguro. A tensão envolvendo Irã, Israel e Líbano continua no radar, embora o mercado demonstre menor reação direta a cada nova rodada de notícias.

No Brasil, a safra de soja fechou em torno de 180 milhões de toneladas, conforme o relato. Cerca de 65% da produção foi negociada. No ano anterior, o índice alcançava 68%. A média fica em 68,5%. O atraso percentual não representa queda equivalente em volume, pois a safra atual supera a anterior.

A safra nova teve avanço recente nas negociações, sobretudo por operações de barter. O volume negociado chega a cerca de 17%. No mesmo período do ano anterior, o índice ficava perto de 23%. A média alcança 25%. A área pode crescer entre 500 mil hectares e um milhão de hectares. Parte das fixações ocorreu com produtores aproveitando níveis de preço.

Situação do milho

No milho, Chicago também sente a pressão do plantio norte-americano. A área semeada chegou a 96%, ante média histórica de 94%. As condições favoráveis reduzem sustentação aos preços. O contrato julho perdeu suportes e passou a operar perto de 4,20 dólares por bushel. O mercado ainda trabalha com viés de baixa no curto prazo.

A safra norte-americana de milho tem área projetada em 38 milhões de hectares, abaixo dos 40 milhões de hectares do ciclo anterior. Apesar do fundamento positivo em oferta e demanda, o efeito safra domina o momento. Ucrânia, Rússia e China também apresentam condições normais de produção, segundo o relato. Esse conjunto amplia a pressão sobre Chicago.

No Brasil, a colheita do milho avança. Mato Grosso colheu entre 3% e 4% da área. As primeiras lavouras apresentam bom desempenho. As áreas colhidas após 20 ou 25 de junho exigem maior atenção, pois parte delas sofreu com clima mais quente e seco.

Situação do trigo

O trigo opera com leve pressão. O contrato julho perdeu o suporte de seis dólares por bushel e busca sustentação perto de 5,80 dólares por bushel. Os vencimentos mais longos também recuaram. Ainda assim, a curva indica aperto futuro, com preços de 2027 acima dos valores atuais. O consumo mundial tende a superar a produção no novo ciclo, conforme o relato.

No mercado brasileiro, o trigo gaúcho trabalha entre 1.300 reais e 1.330 reais por tonelada. No Paraná, os valores variam de 1.330 reais a 1.380 reais por tonelada. No balcão ao produtor, o Paraná opera perto de 70 reais por saca na maior parte das regiões, com exceção do sul do estado e da região próxima a Ponta Grossa, onde os valores ficam entre 77 reais e 80 reais por saca. No Rio Grande do Sul, a referência fica perto de 68 reais por saca.

O plantio de trigo ganha ritmo, mas a área deve cair. Em 2025, o Brasil plantou mais de 2,5 milhões de hectares. Para 2026, a projeção fica entre 2,2 milhões e 2,3 milhões de hectares. Produtores ainda indicam intenção menor. A preocupação envolve mercado, qualidade do grão e risco de chuvas na colheita no Sul.

Situação do sorgo

No sorgo, a área brasileira aproxima-se de 2,2 milhões de hectares. A colheita começa em algumas regiões. O país pode exportar entre 450 mil e 500 mil toneladas na nova temporada. Nos Estados Unidos, maior exportador mundial, o plantio atinge cerca de 50%, em linha com a média histórica. Kansas passa de 30%, também dentro da média. Texas aproxima-se de 90%. O sorgo ganha espaço com a demanda de etanol.

Situação do arroz

No arroz, o mercado gaúcho opera com estabilidade. Produtores reclamam dos preços. A Conab anunciou novos editais de Pepro para junho. O pregão do dia 10 inclui mais de 52 mil toneladas ofertadas no Rio Grande do Sul e cerca de 5,8 mil toneladas em Santa Catarina.

As referências de arroz variam entre 51 reais e 55 reais, conforme o tipo e a região. O varejo mostra grande dispersão. Há promoções abaixo de 11 reais, ofertas entre 14 reais e 17 reais e gôndolas normais entre 18 reais e 30 reais para algumas marcas.

Situação do feijão

No feijão, a colheita no Paraná muda o ambiente de preços. O mercado atingiu pico nas últimas semanas, com feijão nota 9 acima em 500 reais por saca. Os indicativos recuaram para 415 reais a 450 reais. Compradores indicam possibilidade de valores abaixo de 400 reais na próxima semana.

O feijão comercial nota 8 a 8,5 também perdeu força após negócios próximos ou acima de 450 reais por saca. Já aparecem referências abaixo de 400 reais. O feijão preto chegou perto de 300 reais no melhor momento recente, mas recuou para 220 reais a 240 reais. A chegada da oferta paranaense explica a pressão.

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