Mercado Agrícola - 3.fev.2026

Geopolítica derruba petróleo e pressiona commodities; fertilizantes entram em ciclo de alta

03.02.2026 | 16:22 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

O mercado internacional começou a semana sob forte tensão. A geopolítica puxou o petróleo para baixo, com queda superior a 5%, e provocou liquidação generalizada nas commodities. O movimento seguiu sinais de possível acordo entre Estados Unidos e Irã, o que reduziu o risco no Oriente Médio e enfraqueceu o petróleo, com reflexos diretos nos demais mercados.

Os fertilizantes seguiram caminho oposto. O mercado global entrou em fase de valorização. Principais países produtores indicam que o fundo das cotações ocorreu no ano passado. O gás natural subiu no mercado internacional, fator que pressiona a produção de ureia. Nitrogenados avançam no início do ano. O cloreto de potássio registra reajustes de 15% a 20% no mercado global, com sinais de novas altas. O cenário favorece decisões antecipadas de compra e exige atenção à relação de troca.

A possível ampliação da área de milho nos Estados Unidos, em detrimento da soja, tende a elevar a demanda por fertilizantes nitrogenados. O mercado reage com viés positivo frente a 2025.

Situação da soja

A soja sentiu o impacto inicial da queda do petróleo, mas tenta recuperar fôlego. O contrato março opera acima de US$ 10,60, com resistência em US$ 10,70. Julho trabalha próximo de US$ 10,90, mirando US$ 11. Óleo de soja sobe com retomada da demanda, puxada pela Índia, maior importadora mundial de óleos vegetais, e pelo inverno rigoroso no hemisfério norte, que elevou o consumo de gorduras.

A demanda por farelo mantém ritmo firme no mercado global e no Brasil. Mesmo com safra brasileira elevada, a produção mundial tende a igualar ou ficar abaixo do consumo. Há indícios de subestimação da demanda chinesa e brasileira nos números do USDA.

No Brasil, 94,5% da safra passada já foi comercializada, frente à média histórica de 96% para o período. Da safra nova, pouco mais de 33% está vendida, abaixo da média. Mato Grosso lidera, com 48% negociado. A colheita avança, com 12% da área colhida no país. O dólar em queda, sustentado pela taxa de juros em 15% ao ano, limita os preços em reais e favorece Chicago. Nos portos, os preços variam de R$ 126 a R$ 134 no spot. Fretes sobem e pressionam o produtor.

Situação do milho

O milho também sofreu com o efeito manada do petróleo, mas volta a buscar patamares mais altos em Chicago. O março tenta US$ 4,30. O julho mira US$ 4,50. Os fundamentos seguem positivos. O consumo global deve superar a produção. A demanda por ração cresce com o inverno rigoroso em regiões produtoras. O estímulo do governo Trump aos biocombustíveis tende a fortalecer o etanol de milho e o biodiesel à base de óleo de soja.

No Brasil, a colheita da safra de verão atinge cerca de 22%, com produção colhida próxima de 5,5 milhões de toneladas. A safrinha apresenta plantio em 12% da área. Atrasos na soja em Goiás reduzem a janela do milho e ampliam a área de sorgo. A expectativa aponta para mais de 2 milhões de hectares, acima da safra anterior. A B3 indica recuperação de preços. A demanda interna permanece recorde e as exportações seguem firmes.

Situação do trigo

O trigo tenta se sustentar após a pressão inicial. O março opera acima de US$ 5,30. O julho busca US$ 5,50. O inverno prolongado no hemisfério norte ameaça a próxima safra, com risco de perda de vigor das lavouras e problemas de encharcamento após o degelo. No mercado interno, o Brasil segue exportando. No Sul, os preços permanecem estáveis, com moinhos retomando estudos de compra após o período de férias.

Situação do arroz

O arroz dá sinais de reação. Na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, negócios alcançam R$ 53. O mercado mostra altas de 1% a 2% em fevereiro. No varejo, as promoções agressivas diminuíram. A indústria busca ajuste para recompor margens e sustentar o fluxo de compra ao produtor.

Situação do feijão

O feijão mantém viés de alta. O carioca nobre varia de R$ 260 a R$ 290 por saca. O feijão comercial avança para a faixa de R$ 235 a R$ 265. O feijão preto reage, com negócios entre R$ 165 e R$ 190, e pedidos acima de R$ 200. A oferta curta e a necessidade de reposição no varejo sustentam o movimento. A primeira safra ficou abaixo do volume do ano anterior, o que reforça o suporte aos preços.

Por Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

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