Mercado Agrícola - 27.out.2026

Moeda norte-americana chega a R$ 5,40, impulsiona preços nos portos e amplia oportunidades para exportadores brasileiros

27.10.2026 | 16:19 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

A disparada do dólar após as eleições brasileiras provocou mudanças no mercado agrícola. A moeda norte-americana passou de R$ 4,99 para R$ 5,40, em meio à queda da bolsa e à reação negativa do mercado financeiro ao resultado eleitoral. O movimento elevou as cotações de soja e milho em reais nos portos brasileiros. Ao mesmo tempo, ampliou a pressão sobre os custos de produção. No cenário internacional, o mercado acompanha a possibilidade de elevação dos juros nos Estados Unidos, fator capaz de fortalecer ainda mais o dólar.

Situação da soja

Nos Estados Unidos, a colheita de soja alcançou 79% da área, contra 64% na semana anterior e média histórica de 77%. Em Illinois, principal estado produtor, os trabalhos chegaram a 82%, acima da média de 77%. A previsão de chuvas pode limitar o avanço das máquinas nesta semana.

Na Bolsa de Chicago, o contrato de novembro busca sustentação próxima de US$ 12,30 por bushel. As posições de 2027 permanecem acima de US$ 12,50. A entrada da safra norte-americana mantém pressão sobre os preços, enquanto a perspectiva de juros mais elevados nos Estados Unidos também limita a recuperação.

No Brasil, a comercialização da safra atual atingiu 82,4%, abaixo dos 84,3% registrados no ano passado e da média de 84,2%. Os produtores ainda mantêm aproximadamente 31,8 milhões de toneladas disponíveis para negociação. No mesmo período de 2025, o volume alcançava 26,9 milhões de toneladas.

As vendas antecipadas da nova safra chegaram a 39,7%, contra 40% no ano anterior e média de 40,8%. O volume negociado alcançou o recorde de 73,5 milhões de toneladas. A valorização do dólar abriu oportunidades de comercialização acima de R$ 150 por saca nos portos para entregas em 2027.

O plantio brasileiro alcançou aproximadamente 60% da área prevista. Mato Grosso lidera com 78%, seguido por Paraná e Rondônia, ambos com 70%. Mato Grosso do Sul registra 65% e Goiás chega a 60%. Os produtores aproveitam as janelas de tempo favorável para acelerar a semeadura.

As exportações brasileiras de soja em grão superaram 105 milhões de toneladas no acumulado do ano, ante 99,1 milhões no período correspondente de 2025. A China responde por aproximadamente 70% do volume. Somente nas três primeiras semanas de outubro, os embarques ultrapassaram 4,817 milhões de toneladas.

Para a próxima safra brasileira, a expectativa aponta área próxima de 50 milhões de hectares e produção ao redor de 185 milhões de toneladas, com potencial de alcançar 190 milhões.

Situação do milho

A colheita norte-americana de milho chegou a 60% da área, contra 44% na semana anterior e média histórica de 66%. Em Iowa, principal estado produtor, os trabalhos alcançaram 47%, abaixo dos 67% habituais. Na Europa, a colheita avança e confirma perdas de produção.

Em Chicago, o contrato de dezembro busca sustentação próxima de US$ 4,50 por bushel. As posições de 2028 permanecem acima de US$ 5. A expectativa de consumo mundial superior à produção oferece suporte às cotações futuras.

No Brasil, o plantio da primeira safra alcançou 92% da área prevista, contra 84% no ano passado e média de 85%. A projeção inicial aponta cultivo de aproximadamente 4,5 milhões de hectares, acima dos 4,1 milhões da temporada anterior.

Os agricultores brasileiros ainda mantêm cerca de 67 milhões de toneladas de milho disponíveis para comercialização. As exportações ganharam ritmo e se aproximam de 4,2 milhões de toneladas em outubro. No acumulado do ano, os embarques somam 23,9 milhões de toneladas, abaixo dos 28,3 milhões registrados em 2025.

A valorização do dólar melhorou as indicações nos portos e abriu oportunidades de venda. O aumento da demanda doméstica, especialmente para produção de etanol, também oferece sustentação. A avaliação aponta possibilidade de recuperação dos preços nos próximos meses, com maior participação dos exportadores nas compras.

No campo, o excesso de chuvas, a baixa luminosidade e os solos encharcados prejudicam lavouras da primeira safra no Paraná e em Santa Catarina.

Situação do sorgo

A colheita norte-americana de sorgo alcançou 56% da área, contra 46% na semana anterior e média histórica de 69%. No Kansas, principal estado produtor, os trabalhos chegaram a 40%, abaixo dos 65% habituais. Apenas 25% a 26% das lavouras apresentam condições boas ou excelentes.

No Brasil, a última safra ocupou 2,2 milhões de hectares e produziu aproximadamente 7,5 milhões de toneladas. A próxima temporada apresenta expectativa inicial de 2,5 milhões de hectares, com possibilidade de expansão para 2,7 milhões. O potencial produtivo alcança 9 milhões de toneladas.

As projeções de exportação apontam embarques superiores a 1,4 milhão de toneladas em outubro. Caso o volume se confirme, o acumulado entre janeiro e outubro ultrapassará 2,4 milhões de toneladas. Esse desempenho pode colocar o Brasil na segunda posição entre os exportadores mundiais de sorgo, atrás dos Estados Unidos.

Situação do trigo

O mercado internacional de trigo apresenta relativa estabilidade, diante da retomada de embarques pelo Mar Negro. Em Chicago, as posições entre o mercado disponível e o final de 2027 variam de US$ 6,10 a US$ 6,50 por bushel. A expectativa de consumo mundial superior à produção sustenta os contratos mais longos.

Nos Estados Unidos, o plantio do trigo de inverno alcançou 76% da área, contra 63% na semana anterior e média histórica de 77%.

No Brasil, o trigo gaúcho apresenta indicações próximas de R$ 1.500 por tonelada no mercado de lotes. No Paraná, os valores superam R$ 1.560. A colheita paranaense aproxima-se da conclusão, enquanto os produtores gaúchos aproveitam os períodos favoráveis para retirar o cereal do campo.

As exportações brasileiras somaram aproximadamente 1,087 milhão de toneladas entre janeiro e outubro, abaixo das 1,528 milhão de toneladas no mesmo período de 2025. As importações chegaram a 4,823 milhões de toneladas, contra 5,555 milhões no ano anterior. Somente em outubro, as compras externas alcançaram 453,6 mil toneladas.

Situação do arroz

A valorização do dólar abriu espaço para recuperação das cotações de arroz destinadas à exportação. No porto de Rio Grande, os indicativos próximos de R$ 89 a R$ 90 por saca podem alcançar R$ 95, conforme a evolução cambial. O encarecimento das importações também favorece a sustentação dos preços internos.

Em Uruguaiana, o mercado iniciou a semana com indicações próximas de R$ 79 por saca. No varejo, pacotes de cinco quilogramas aparecem em promoções entre R$ 17 e R$ 18. Marcas comerciais variam de R$ 22 a R$ 26, enquanto produtos de maior valor alcançam R$ 36.

O plantio gaúcho ultrapassou 60% da área prevista. Na Fronteira Oeste, os trabalhos se aproximam de 80%. A região central do estado permanece abaixo de 30%.

As exportações brasileiras de arroz em equivalente casca somaram aproximadamente 1,755 milhão de toneladas no ano, contra 1,233 milhão em 2025. As importações alcançaram 1,55 milhão de toneladas, ante 1,333 milhão. O saldo comercial positivo aproxima-se de 205 mil toneladas.

Situação do feijão

O mercado de feijão mantém preços firmes diante das dificuldades produtivas e da perspectiva de menor oferta. No sudoeste paulista, as chuvas prejudicam a colheita, a qualidade e a produtividade. No Paraná, temperaturas inferiores a 10 graus afetam lavouras em florescimento e formação de vagens.

O feijão-carioca de classificação 9 ou superior apresenta indicações entre R$ 310 e R$ 320 por saca em Goiás e Minas Gerais. Em São Paulo, os valores variam de R$ 325 a R$ 350, com leve tendência de alta.

Para o feijão-carioca comercial, de classificação 8 a 8,5, as referências ficam entre R$ 280 e R$ 295 em Goiás e Minas Gerais, com indicações pontuais de R$ 300. No mercado paulista, os preços variam de R$ 315 a R$ 330.

O feijão-preto apresenta indicações entre R$ 270 e R$ 280 por saca. Produtores paranaenses buscam R$ 300, mas ainda não há registros de negócios nesse patamar.

A redução da área cultivada, associada às perdas de produtividade e qualidade, aponta oferta limitada nos próximos meses. O mercado acompanha a retomada das compras do varejo e a reposição dos estoques.

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