Mercado Agrícola - 27.jan.2026

Soja mantém viés de alta em Chicago; mercado interno enfrenta pressão de oferta

27.01.2026 | 14:16 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

A soja opera com leve viés de alta no mercado internacional, sustentada por fundamentos globais positivos. Em Chicago, o contrato spot busca suporte acima de US$ 10,60. Os vencimentos de julho e agosto testam US$ 10,90, com possibilidade de avanço até US$ 11. A expectativa aponta consumo total da safra global, o que sustenta o fôlego do mercado externo.

No Brasil, o quadro inverte. Uma supersafra avança sobre o mercado. Parte da produção da temporada passada segue disponível. A comercialização ocorre abaixo da média histórica. Gargalos logísticos, fretes em alta, dólar em queda e prêmios mais fracos pressionam as cotações. O mercado deve atravessar um período de preços deprimidos nos próximos 60 dias, antes de reação posterior.

A safra 2024/25 registra cerca de 93% negociados, contra média histórica de 94%. O volume comercializado soma 159,5 milhões de toneladas, de um total colhido de 171,5 milhões. Restam aproximadamente 12 milhões de toneladas sem fixação. Na safra nova, a comercialização alcança 32%, abaixo dos 39% do mesmo período do ano passado. Tradicionalmente, o produtor vende entre 60% e 65% até o fim de maio para gerar caixa.

O excesso de oferta nas próximas semanas limita a reação dos preços. O dólar mais barato e a taxa Selic em 15% ao ano atraem capital externo e mantêm a moeda pressionada. Em algumas regiões, os preços da soja se aproximam de R$ 100 por saca, com registros abaixo desse patamar no Mato Grosso. O frete no estado acumula alta entre 8% e 12% nos últimos dias, ampliando a pressão sobre o produtor.

A colheita avança lentamente. Mato Grosso alcança 15%. Paraná soma 8%. Goiás registra 3%. O Brasil chega a cerca de 6%. As chuvas persistentes nos estados centrais reduzem o ritmo dos trabalhos.

As exportações de soja batem recorde em janeiro. Nas três primeiras semanas do mês, os embarques somaram 1,52 milhão de toneladas, acima do total de todo janeiro do ano passado. O farelo também alcançou recorde, com 1,63 milhão de toneladas. Soja, farelo e óleo geraram quase US$ 1,4 bilhão, o equivalente a cerca de R$ 7,4 bilhões em divisas.

No campo, a safra evolui dentro da normalidade. Produtores do Sul relatam necessidade de chuvas, após elevação das temperaturas e redução das precipitações. O potencial produtivo nacional oscila entre 175 e 180 milhões de toneladas.

Situação do milho

O milho apresenta fundamentos positivos no mercado internacional. A produção global não atende integralmente a demanda. Em Chicago, os contratos tentam consolidar suporte acima de US$ 4,30 no março e US$ 4,40 no julho. O inverno rigoroso no hemisfério norte eleva o consumo de energia e pode atrasar o plantio da próxima safra, fator de sustentação para os preços.

No mercado interno, o milho segue em calmaria. O dólar mais fraco limita a competitividade da exportação, com preços entre R$ 66 e R$ 67 nos portos. A indústria de ração compra de forma pontual. Os estoques disponíveis garantem conforto ao setor consumidor. As exportações, no entanto, seguem firmes. Nas três primeiras semanas de janeiro, os embarques alcançaram 3,74 milhões de toneladas, acima do volume total do mesmo mês do ano passado.

Situação do trigo

O trigo recupera fôlego após ajuste negativo. O mercado internacional reage diante da forte oferta do Leste Europeu e da possibilidade de mudanças geopolíticas que afetem moedas e fluxo de vendas. No Brasil, os moinhos mantêm compras lentas. No Rio Grande do Sul, os preços giram em torno de R$ 1.050 por tonelada no mercado interno e R$ 1.150 na exportação. O Paraná registra valores entre R$ 1.150 e R$ 1.200. As exportações alcançaram recorde histórico para janeiro, superando as importações no período.

Situação do arroz

O arroz permanece pressionado no mercado gaúcho, com oferta elevada e indústria operando no curto prazo. As exportações avançam em ritmo superior ao do ano passado, mas ainda insuficientes para dar maior liquidez. No Tocantins, a oferta restrita impulsiona reação de preços, com negócios saindo de R$ 70 para R$ 75 por saca, e pedidos próximos de R$ 80.

Situação do feijão

O feijão apresenta movimento oposto. A colheita da primeira safra sustenta recuperação das cotações. O feijão carioca nota 9 varia de R$ 240 a R$ 260, com vendedores buscando valores acima de R$ 300. O feijão preto também reage, com oferta menor até maio e preços avançando de R$ 160 para patamares próximos de R$ 180. O mercado espera nova rodada de compras do varejo nas próximas semanas.

Por Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

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