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O mercado internacional de grãos ganhou suporte com a restrição na oferta de energia, os riscos climáticos e a intensificação de conflitos em rotas comerciais. A valorização do petróleo também ampliou o interesse por etanol, biodiesel e óleo de soja. No Brasil, as cotações da soja avançaram nos portos e no mercado de balcão. Milho e trigo receberam apoio das dificuldades produtivas e logísticas no exterior.
A soja opera nos maiores níveis em quase três anos. Os contratos negociados em Chicago superam 12 dólares por bushel. As posições para 2027 passam de 12,50 dólares por bushel. Esse cenário abriu espaço para operações destinadas à proteção de preços futuros.
No Brasil, produtores ampliaram as vendas durante a semana. A comercialização da safra atual alcançou 74%. O resultado ficou próximo dos 74,5% registrados no mesmo período do ano passado e da média de 75%.
A safra nova possui cerca de 27% da produção negociada. No ano anterior, o índice chegava a 30%. A média do período alcança 32%.
As operações por barter ganharam espaço. O produtor também passou a observar a disponibilidade e os preços do diesel e dos fertilizantes. O avanço do petróleo e os conflitos em rotas marítimas aumentaram a preocupação com os custos da próxima safra.
Nos Estados Unidos, mais de 70% das lavouras de soja entraram em florescimento. No mesmo período do ano passado, o índice alcançava 65%. A formação de vagens chegou a 40%, ante 30% na temporada anterior. O plantio antecipado acelerou o desenvolvimento das lavouras. Porém, o norte do cinturão produtor enfrenta chuvas irregulares. A previsão indica tempo mais seco nas próximas duas semanas. Esse quadro sustenta as cotações em Chicago.
O milho recebe suporte do clima irregular nos Estados Unidos e das perdas na Europa. A redução da produção europeia pode se aproximar de dez milhões de toneladas. Com isso, a União Europeia poderá importar mais de 30 milhões de toneladas na nova temporada.
Esse movimento abre espaço para milho e sorgo do Brasil. Os problemas no Mar Negro também limitam a movimentação de trigo e milho da Rússia e da Ucrânia. Os ataques na região dificultam a entrada de navios graneleiros.
Nos Estados Unidos, 65% das lavouras de milho entraram em florescimento. A média do período alcança 60%. A formação de espigas chegou a 20%, ante uma média de 16%.
No Brasil, a colheita da segunda safra de milho aproxima-se de 60%. Chuvas no Paraná, no sul de Mato Grosso do Sul e em parte de São Paulo reduziram o ritmo dos trabalhos. A expectativa de tempo firme deve permitir nova aceleração.
Mato Grosso concentra áreas em fase final de colheita. A produção brasileira da segunda safra caminha para 110 milhões de toneladas. As produtividades observadas mantêm-se dentro das expectativas. As perdas ficaram abaixo das projeções iniciais.
O sorgo também encontra suporte na redução da qualidade das lavouras norte-americanas. Menos de 45% das áreas apresentam condição boa ou excelente. No ano passado, esse índice chegava a 68%.
A colheita brasileira de sorgo supera 55%. Parte dos produtores retém o produto e entrega apenas os contratos firmados. No Porto de Santos, as indicações nominais variam entre 68 reais e 70 reais por saca.
O trigo opera acima de sete dólares por bushel em Chicago. Os contratos para meados de 2027 alcançam cerca de 7,50 dólares por bushel. A menor oferta internacional sustenta o avanço.
A safra de trigo dos Estados Unidos figura entre as piores das últimas duas décadas. A produção da Rússia também enfrenta dificuldades. Ataques a navios, terminais e estruturas de armazenagem no Mar Negro restringem os embarques.
No Brasil, a área plantada com trigo soma dois milhões de hectares. No ano passado, o cultivo ocupou 2,5 milhões de hectares. O excesso de chuva prejudica lavouras no Rio Grande do Sul e no Uruguai.
O arroz apresenta recuperação nas principais regiões produtoras. No Rio Grande do Sul, as cotações avançaram na Fronteira Oeste e na faixa litorânea. Em Tocantins, negócios superam 80 reais por saca. Em Cuiabá, os preços pagos pela indústria aproximam-se de 100 reais por saca. A oferta limitada e a reposição de estoques pelas empacotadoras sustentam o mercado. No Mercosul, o Paraguai indica redução na área plantada após uma temporada de preços abaixo do custo de produção.
O feijão segue direção oposta. A colheita irrigada da terceira safra aumentou a oferta de grãos carioca. Os lotes de maior qualidade, antes negociados perto de 500 reais por saca, passaram a indicar valores entre 280 reais e 310 reais.
O feijão carioca comercial varia de 260 reais a 280 reais por saca. A oferta supera a pressão de compra. O feijão-preto também apresenta mercado calmo, com indicações entre 185 reais e 215 reais por saca.
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