Farsul pede securitização ampla para dívida rural
Entidade quer incluir cooperativas, cerealistas e operações fora dos bancos
O mercado agrícola entrou na segunda quinzena de maio com atenção dividida entre o clima nos Estados Unidos, a crise envolvendo o Irã e os movimentos comerciais da China. Em Chicago, soja e milho operam de lado. No Brasil, produtores reduzem o ritmo de venda, enquanto custos, crédito restrito e incertezas sobre clima limitam decisões para a próxima safra.
Na soja, o plantio norte-americano avança dentro da janela adequada. A área semeada já passou de 75%, contra 68% no mesmo período do ano passado e média de 60%. Em Illinois, o plantio alcança cerca de 80%, ante média próxima de 70%. O clima segue com chuvas e sem problemas relevantes. O principal risco citado pelo mercado envolve a possibilidade de El Niño no fim de junho, em julho e no começo de agosto, período importante para definição produtiva.
Em Chicago, a soja mantém suporte próximo de US$ 11,50 por bushel e resistência entre US$ 12,10 e US$ 12,20. A maior parte das posições segue abaixo de US$ 12. O petróleo acima de US$ 100 por barril ajuda a limitar quedas mais fortes.
No Brasil, novos dados da Abiove indicam esmagamento recorde em 2026. A entidade projeta processamento de 62,5 milhões de toneladas de soja. A produção estimada chega a 48,1 milhões de toneladas de farelo e 12,6 milhões de toneladas de óleo. As exportações previstas somam 114,1 milhões de toneladas de soja em grão, 24,8 milhões de toneladas de farelo e 1,6 milhão de toneladas de óleo. O volume total do complexo soja alcançaria 140,5 milhões de toneladas.
A comercialização da safra atual de soja alcança cerca de 63,5%. No mesmo período do ano passado, passava de 66%. A média chega a 67%. Para a safra nova, os negócios ficam perto de 16%, abaixo dos 21% registrados no ano passado e da média de 22%. Em Mato Grosso, a venda antecipada se aproxima de 19% a 20%, com predominância de operações via barter. O produtor busca insumos e crédito por meio dessa modalidade, diante da escassez de dinheiro.
No milho, Chicago também opera de lado. O contrato tem suporte próximo de US$ 4,60 por bushel. As posições de 2027 ficam acima de US$ 5. O plantio norte-americano já passou de 80%, contra 78% no ano passado e média de 75%. Iowa, maior produtor, alcança 92% da área plantada, ante 85% no mesmo período anterior. A janela ideal de plantio fechou em grande parte das regiões no dia 20 de maio, mas a janela técnica segue até o fim do mês.
No Brasil, o produtor não observa reação no balcão. A B3 mostra melhora nas posições futuras, com contratos de 2027 entre R$ 74,50 e R$ 75,50 por saca. O porto indica compras entre R$ 66 e R$ 67 para agosto e setembro, mas vendedores pedem valores maiores. Os negócios seguem pontuais.
A safrinha recebeu chuvas em parte do Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais. Ainda há dúvidas sobre o tamanho da produção. As projeções variam de 98 milhões a 108 milhões de toneladas. O número final deve ficar no meio desse intervalo. A safra tende a ficar abaixo das 113,3 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior. Houve problemas em Goiás, Minas Gerais, leste de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. Também houve geada no centro do Paraná.
Para o milho de verão 2026/27, as negociações de insumos seguem lentas. Produtores mostram desânimo com sementes, fertilizantes e defensivos. A ureia pesa no custo. As cotações de balcão, entre R$ 48 e R$ 60 nas melhores posições, apertam as margens. O produtor calcula necessidade de alta produtividade para obter lucro. O cenário indica nova redução de área na primeira safra, com avanço da soja.
No trigo, Chicago avançou nos últimos dias e depois acomodou. O suporte de curto prazo fica perto de US$ 6,50 por bushel. Os contratos de 2027 operam na faixa de US$ 7. O mercado internacional mostra fundamentos de sustentação, com problemas nas safras dos principais exportadores.
A safra dos Estados Unidos apresenta baixa qualidade. Apenas 27% das lavouras principais aparecem em condição boa ou excelente. Rússia, Ucrânia e Cazaquistão também enfrentam problemas após inverno prolongado e germinação desuniforme. A oferta mundial pode ficar abaixo de 800 milhões de toneladas, diante de consumo próximo de 840 milhões de toneladas.
No Brasil, o produtor segue desanimado. A área de trigo deve cair. A Conab aponta 2,2 milhões de hectares, ante 2,5 milhões no ano passado. Outras estimativas indicam 2,3 milhões de hectares. Pela percepção de campo, a área pode não chegar a 2 milhões de hectares. O produtor avalia custo elevado e preço entre R$ 1.300 e R$ 1.370 por tonelada. Esse valor não cobre o custo, segundo a avaliação apresentada. Para obter margem, muitos produtores precisariam superar 5 toneladas por hectare.
No arroz, a semana teve calmaria. A Conab divulgou 13 editais de pregão de Pepro, com volume total de 333,7 mil toneladas. Os prêmios partem de R$ 10,18 e chegam a R$ 11,37 para a Fronteira Oeste. As ofertas incluem 48,8 mil toneladas para Santa Catarina e 284,9 mil toneladas para o Rio Grande do Sul.
A colheita de arroz chega ao fim. A produção caminha para 11 milhões de toneladas, abaixo das 12,8 milhões de toneladas do ano passado. A demanda deve alcançar 11 milhões de toneladas ou mais. As exportações acumuladas desde janeiro se aproximam de 900 mil toneladas. O mercado, porém, ainda mostra pouca reação. Compradores evitam estoque por causa do custo do dinheiro. Produtores buscam liquidez e alternativas de exportação.
No feijão, o mercado segue firme. O feijão carioca nobre, nota 9, se aproxima de R$ 500 por saca. Houve indicação de negócio nesse valor, com prazo. O carioca comercial, nota 8 a 8,5, opera acima de R$ 400, entre R$ 400 e R$ 435. A oferta limitada sustenta os preços.
O feijão preto também avançou. As indicações variam de R$ 250 a R$ 290 por saca. Alguns vendedores relatam negócios próximos de R$ 300 com prazo, enquanto compradores indicam R$ 260 a R$ 270. A segunda safra sofreu impacto das geadas, o que reduziu o potencial de oferta.
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