RS Safra 2025/26: geadas afetam lavouras de milho

Safra de inverno começa sob cautela no estado, aponta a Emater/RS

21.05.2026 | 16:17 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações da Emater/RS

A colheita das culturas de verão avançou no Rio Grande do Sul favorecida pelo predomínio de tempo seco, enquanto as primeiras geadas do outono causaram danos pontuais em lavouras tardias de milho e feijão. As informações constam no Informativo Conjuntural nº 1920, divulgado pela Emater/RS nesta quinta-feira (21/5).

Na soja, a colheita alcançou 98% da área cultivada no Estado. Segundo a Emater/RS, a redução da umidade dos grãos trouxe maior fluidez às operações e diminuiu descontos por umidade nas unidades de recebimento.

A safra, no entanto, apresentou grande variabilidade de rendimento entre regiões e até dentro dos municípios, reflexo da irregularidade das chuvas, das condições de solo, do posicionamento das cultivares e do nível tecnológico adotado. Em áreas mais afetadas pela estiagem entre janeiro e fevereiro, especialmente em solos rasos e arenosos, ocorreram perdas expressivas.

As produtividades variaram de menos de 1.000 quilos por hectare até áreas acima de 4.000 kg/ha, sobretudo em lavouras irrigadas e cultivadas com materiais de ciclo intermediário. A produtividade média estadual está estimada em 2.871 kg/ha em uma área de 6,62 milhões de hectares.

No milho, a colheita chegou a 96% da área cultivada. Restam principalmente lavouras tardias em maturação fisiológica e enchimento de grãos. As geadas registradas no período provocaram danos localizados, especialmente em áreas de maior altitude e em cultivos de segunda safra, causando queima parcial da área foliar.

Parte dessas áreas foi destinada à produção de silagem. A produtividade média do milho no Estado está estimada em 7.424 kg/ha em 803 mil hectares cultivados.

A colheita do milho silagem também se aproxima do fim, alcançando 97% da área. Segundo a Emater/RS, as geadas anteciparam o corte de algumas lavouras e levaram produtores a direcionarem áreas originalmente destinadas à produção de grãos para ensilagem. Em alguns casos, houve perda de qualidade bromatológica devido à dessecação precoce das plantas.

No feijão segunda safra, as geadas causaram danos pontuais em áreas ainda em enchimento de grãos, especialmente em baixadas, mas a qualidade dos grãos colhidos segue considerada satisfatória. A produtividade média projetada é de 1.401 kg/ha.

Safra de inverno começa com cautela

O plantio do trigo iniciou de forma incipiente no Estado, acompanhando a abertura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). Apesar das condições favoráveis para manejo e implantação das primeiras áreas, a próxima safra é marcada por cautela entre os produtores.

De acordo com a Emater/RS, os principais fatores são os elevados custos de produção, maior restrição ao crédito rural, limitações na cobertura securitária e o risco climático associado à possível atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera.

A tendência é de redução da área cultivada com trigo, além de menor investimento tecnológico, com aumento do uso de sementes próprias e menor procura por sementes fiscalizadas. Em 2025, o Rio Grande do Sul cultivou 1,16 milhão de hectares de trigo, com produtividade média de 2.968 kg/ha.

Entre as culturas de inverno, a canola apresenta movimento oposto, com perspectiva de expansão de área devido à busca por alternativas mais rentáveis aos cereais tradicionais. Já a cevada deve registrar redução de área cultivada em função do maior receio climático e do risco de perdas qualitativas associadas ao excesso de chuvas durante o ciclo.

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