Lucro da Bunge cresce 91,6% no terceiro trimestre de 2026

Resultados refletem desempenho do processamento de soja e oleaginosas; companhia mantém projeção anual de lucro ajustado

29.10.2026 | 07:55 (UTC -3)
Revista Cultivar

A Bunge registrou lucro líquido de US$ 318 milhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 91,6% em relação aos US$ 166 milhões apurados no mesmo período de 2025. A companhia divulgou os resultados nesta quinta-feira (29/10). O desempenho contou com avanços nas operações de processamento e refino de soja e outras oleaginosas, além dos benefícios da ampliação de sua rede global após a integração com a Viterra.

O lucro diluído por ação das operações continuadas alcançou US$ 1,64, ante US$ 0,86 no terceiro trimestre de 2025. Na base ajustada, excluindo determinados ganhos, despesas e diferenças temporais de marcação a mercado, o indicador passou de US$ 2,27 para US$ 2,56.

O resultado operacional ajustado antes de juros e impostos (EBIT) atingiu US$ 846 milhões, crescimento de 11,8% sobre os US$ 757 milhões registrados um ano antes. Considerando apenas os segmentos operacionais, o EBIT ajustado somou US$ 997 milhões, ante US$ 924 milhões.

No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, a Bunge registrou lucro líquido de US$ 1,064 bilhão, frente a US$ 721 milhões no mesmo intervalo de 2025. O EBIT ajustado total alcançou US$ 2,072 bilhões, ante US$ 1,412 bilhão.

Processamento de soja

O segmento de processamento e refino de soja apresentou EBIT ajustado de US$ 565 milhões no terceiro trimestre, crescimento de 18,2% sobre os US$ 478 milhões registrados um ano antes. As vendas líquidas avançaram de US$ 10,857 bilhões para US$ 11,442 bilhões.

A companhia processou 11,745 milhões de toneladas de soja durante o trimestre, volume 3,2% inferior aos 12,139 milhões de toneladas do mesmo período de 2025. A comercialização de soja recuou de 7,246 milhões para 5,274 milhões de toneladas.

Em contrapartida, a produção de óleo de soja refinado aumentou de 932 mil para 1,051 milhão de toneladas.

A América do Norte apresentou a maior contribuição para a melhora dos resultados, impulsionada pelo processamento. A atividade de refino, entretanto, registrou desempenho inferior ao observado no ano anterior.

Na América do Sul, a Bunge obteve melhores resultados no processamento de soja na Argentina e no Brasil. O avanço compensou parcialmente os resultados inferiores nas operações de fertilizantes e refino nos dois países.

Na Europa, o processamento também apresentou melhora. Os ganhos sofreram compensação parcial pela redução dos resultados de originação na América do Sul e processamento na Ásia. A comercialização global de óleo de soja também ficou abaixo do registrado no ano anterior.

O volume processado diminuiu na América do Sul e na Ásia, enquanto a Europa apresentou crescimento. Nos Estados Unidos, os volumes permaneceram próximos aos registrados em 2025.

No acumulado de janeiro a setembro, a companhia processou 34,026 milhões de toneladas de soja, ante 29,553 milhões de toneladas no mesmo período de 2025. O EBIT ajustado do segmento alcançou US$ 1,387 bilhão, crescimento de 35,6%.

Outras oleaginosas

O segmento de processamento e refino de outras oleaginosas registrou EBIT ajustado de US$ 329 milhões no terceiro trimestre, ante US$ 275 milhões no mesmo período de 2025. O crescimento chegou a 19,6%.

O volume processado avançou 15,2%, passando de 3,129 milhões para 3,606 milhões de toneladas. A produção de óleos refinados aumentou de 711 mil para 872 mil toneladas.

As vendas líquidas atingiram US$ 4,302 bilhões, comparadas aos US$ 3,661 bilhões do terceiro trimestre de 2025.

Segundo a companhia, a América do Norte liderou a melhora dos resultados, com avanços no processamento e refino. Na Europa, o processamento apresentou desempenho superior, parcialmente compensado por resultados inferiores no refino e no biodiesel.

Na Argentina, os resultados de processamento e refino recuaram. A distribuição global também apresentou desempenho inferior, enquanto as operações de originação de canola no Canadá e na Austrália registraram avanços.

A Bunge atribuiu o crescimento dos volumes processados em todas as regiões a condições mais favoráveis de margens.

Nos nove primeiros meses de 2026, o processamento de outras oleaginosas alcançou 10,377 milhões de toneladas, ante 7,270 milhões de toneladas no mesmo período do ano anterior. O EBIT ajustado acumulado passou de US$ 371 milhões para US$ 779 milhões.

Comercialização de grãos

O segmento de comercialização de grãos e moagem apresentou redução nos resultados. O EBIT ajustado recuou de US$ 120 milhões para US$ 87 milhões no terceiro trimestre, queda de 27,5%.

As vendas líquidas aumentaram de US$ 6,428 bilhões para US$ 6,764 bilhões. Entretanto, o volume movimentado diminuiu de 24,080 milhões para 23,806 milhões de toneladas.

A companhia registrou melhora nas operações globais de comercialização de grãos e serviços comerciais. Esses ganhos não compensaram os resultados inferiores nas atividades de frete marítimo, açúcar e moagem de trigo.

No acumulado dos nove primeiros meses, o volume movimentado atingiu 74,216 milhões de toneladas, ante 40,972 milhões de toneladas no mesmo período de 2025.

Óleos tropicais e ingredientes especiais

O segmento de óleos tropicais e ingredientes especiais registrou EBIT ajustado de US$ 16 milhões, frente a US$ 51 milhões no terceiro trimestre de 2025.

Os resultados recuaram na América do Norte, na Europa e na Ásia, principalmente por impactos de curto prazo nas margens associados a interrupções comerciais de origem geopolítica. Também pesaram despesas de comissionamento, aceleração da produção e transição de unidades industriais.

Esses custos envolveram as atividades de óleos tropicais e concentrados proteicos de soja.

As operações globais de comercialização de óleos tropicais, por outro lado, apresentaram resultados superiores aos do ano anterior.

Integração com a Viterra e investimentos

A Bunge informou avanços na captura de sinergias de custos relacionadas à integração com a Viterra. A companhia também destacou oportunidades comerciais decorrentes da ampliação de sua estrutura global.

Após o encerramento do trimestre, a Bunge Chevron Ag Renewables iniciou a produção em uma nova linha de processamento de oleaginosas em Destrehan, no estado norte-americano da Louisiana.

Segundo a empresa, os investimentos em expansão passam da fase de aceleração da produção para a etapa de contribuição aos resultados.

O CEO da Bunge, Greg Heckman, afirmou que a presença global e as cadeias de valor diversificadas posicionaram a companhia para aproveitar oportunidades e gerenciar riscos em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas, mudanças nos fluxos comerciais e alterações nas políticas governamentais.

Projeções para 2026

A Bunge manteve sua projeção de lucro ajustado por ação entre US$ 9,25 e US$ 9,75 para o conjunto de 2026.

Em relação às estimativas anteriores, a companhia revisou levemente para baixo a expectativa para processamento e refino de soja e reduziu a projeção para óleos tropicais e ingredientes especiais.

A projeção para comercialização de grãos e moagem apresentou melhora. As estimativas para processamento de outras oleaginosas e para a área corporativa permaneceram inalteradas.

A companhia também atualizou a previsão de despesas líquidas com juros para uma faixa entre US$ 640 milhões e US$ 670 milhões, ante US$ 620 milhões a US$ 660 milhões na estimativa anterior. A alíquota efetiva anual ajustada deve ficar entre 23% e 25%, frente à faixa anterior de 22% a 26%.

Os investimentos de capital devem alcançar valores próximos ao limite superior da faixa prevista de US$ 1,5 bilhão a US$ 1,7 bilhão. A empresa estima depreciação e amortização de aproximadamente US$ 975 milhões em 2026.

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