Consórcio com fava reduz incidência de pragas na canola

Pesquisa realizada na Suíça identificou redução de até 89% na oviposição de gorgulhos e de 58% na presença de besouros

28.10.2026 | 15:04 (UTC -3)
Revista Cultivar
doi 10.1002/ps.8835
doi 10.1002/ps.8835

O cultivo consorciado de canola com fava (Vicia faba) reduziu a incidência de quatro grupos de insetos-praga. Pesquisa conduzida pela Agroscope, na Suíça, com participação do INRAE, da AgroParisTech e da Université Paris-Saclay, na França, identificou redução nos danos foliares, na colonização por adultos e na oviposição. O consórcio com fava de primavera, sensível ao frio, apresentou os melhores resultados contra pragas de primavera.

O estudo avaliou experimentos de campo nas safras 2022/2023 e 2023/2024. Os pesquisadores compararam canola em monocultivo, consórcios com fava de inverno (resistente à geada) ou de primavera (sensível à geada) e canola com plantas artificiais de polietileno.

O consórcio reduziu entre 35% e 38% os danos causados por Phyllotreta spp. nos cotilédones. A presença de adultos de Psylliodes chrysocephala diminuiu entre 32% e 37%.

Pragas de primavera

Os efeitos alcançaram as pragas de primavera. A oviposição de Ceutorhynchus napi caiu 62% com fava resistente ao frio e 89% com fava sensível. A abundância de Brassicogethes aeneus nas inflorescências diminuiu 30% e 58%, respectivamente.

As plantas artificiais também reduziram os danos de Phyllotreta spp. em 19%, a oviposição de Ceutorhynchus napi em 49% e a presença de Brassicogethes aeneus em 46%. Os resultados indicam participação de barreiras visuais e físicas na dificuldade dos insetos para localizar a cultura hospedeira.

Por outro lado, as plantas artificiais não reduziram de forma significativa a presença de adultos de Psylliodes chrysocephala e resultaram em mais larvas por planta do que os consórcios com fava. Segundo os autores, o efeito mais fraco das plantas artificiais sobre as pragas de outono e sobre Ceutorhynchus napi sugere a atuação de outros mecanismos, como a interferência olfativa.

Efeitos protetores

A fava sensível à geada manteve efeitos protetores após sua morte no inverno. Os pesquisadores apontam possíveis contribuições dos resíduos vegetais e de compostos voláteis liberados durante a decomposição. O experimento não permitiu determinar a participação de cada mecanismo.

O consórcio com fava sensível ao frio apresentou tendência de aumento da produtividade da canola em relação ao monocultivo, com efeito apenas marginalmente significativo (P = 0,07). Os demais tratamentos não alteraram o rendimento (doi 10.1002/ps.8835).

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