Paraná busca agregar valor à produção da segunda safra
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O fortalecimento do El Niño aumenta os riscos para a biodiversidade e amplia a preocupação com os impactos dos extremos climáticos sobre os ecossistemas. O alerta ocorre em um momento em que o mundo ainda enfrenta dificuldades para avançar na conservação da natureza. Segundo o boletim do Instituto ClimaInfo, divulgado nesta semana, o fenômeno se intensifica no Pacífico enquanto indicadores brasileiros apontam expansão da seca, aumento dos focos de calor e maior número de pessoas afetadas por temporais.
Dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), divulgados em 26 de outubro, indicam que a anomalia de temperatura da superfície do Pacífico chegou a 2,5 °C. Esse foi o sétimo registro consecutivo na faixa de intensidade muito forte. A agência estima em mais de 83% a probabilidade de o El Niño permanecer forte ou muito forte entre janeiro e março de 2027.
Os efeitos do fenômeno podem agravar pressões já enfrentadas por florestas, oceanos e outros ecossistemas, especialmente em áreas degradadas e mais vulneráveis ao calor e à falta de água.
Os impactos do episódio de El Niño de 2023–2024 ajudam a dimensionar os riscos. Um estudo publicado em outubro de 2026 na revista Earth’s Future apontou que cerca de 75% das florestas tropicais enfrentaram condições extremas de calor e seca por seis meses, em média.
Outra pesquisa, publicada na revista Nature em 2025, identificou declínios na diversidade de artrópodes associados a episódios de El Niño. Esses organismos desempenham funções ecológicas importantes, como a decomposição da matéria orgânica, fundamental para a ciclagem de nutrientes nos ecossistemas.
O cenário também preocupa diante das dificuldades para cumprir as metas globais de conservação. A Conferência da ONU sobre Biodiversidade (COP17), realizada em Erevan, na Armênia, termina nesta sexta-feira (30), em meio a um diagnóstico de avanço insuficiente. O primeiro relatório global de avaliação do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal indica que menos da metade das metas nacionais avaliadas está no caminho certo para 2030.
O financiamento da conservação permanece entre os principais desafios. O marco internacional prevê reduzir, até 2030, em pelo menos US$ 500 bilhões por ano, os subsídios prejudiciais à natureza. No entanto, a primeira avaliação global aponta avanços limitados nesse compromisso.
No Brasil, a área sob seca chegou a 73,4% do território em setembro, a maior extensão desde fevereiro de 2025, segundo o Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). A parcela do país afetada por seca grave aumentou de 4,5% para 8,6%, com destaque para o Nordeste, onde 27,8% da região estava nessa condição.
Em Pernambuco, a área sob seca grave passou de 28% para 74% do estado em apenas um mês. A ANA atribui o agravamento à falta de chuva e às altas temperaturas registradas em setembro.
Na direção oposta, as chuvas acima da média mantêm o Sul sem seca, em um contraste regional compatível com o padrão historicamente associado ao El Niño.
Os focos de calor também se aproximam dos números registrados no ano anterior. Até 26 de outubro, o Brasil contabilizou 98.275 focos em 2026, apenas 0,5% abaixo do total observado no mesmo período de 2025. Em outubro, porém, o número ficou 21,3% acima do registrado um ano antes.
O Pará concentra parte importante desse avanço. O estado contabilizou 10.372 focos de calor em outubro, 3,6 vezes o total do mesmo mês de 2025. Entre agosto e setembro, a área sob seca no território paraense aumentou de 63% para 93%, conforme os dados da ANA.
Os efeitos da irregularidade climática também aparecem nos indicadores de recursos hídricos. Em 26 de outubro, os reservatórios do subsistema elétrico Sudeste/Centro-Oeste estavam com 54,9% de armazenamento, praticamente estáveis após quatro quedas consecutivas.
No Nordeste, os reservatórios monitorados pela ANA recuaram nos seis estados com dados agregados. Em Pernambuco, o nível caiu um ponto percentual em uma semana, chegando a 32%. O boletim agroclimatológico de outubro do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também prevê déficit de água no solo superior a 150 milímetros no oeste pernambucano em dezembro.
Ao mesmo tempo, eventos de chuva intensa, vendavais e granizo provocaram mais ocorrências com pessoas desalojadas ou desabrigadas. Entre 27 de setembro e 26 de outubro, foram registradas 2.724 pessoas nessa situação, 7,1 vezes o número observado no mesmo intervalo de 2025, quando houve 386 registros. O período também contabilizou três mortes, em Laranjeiras do Sul (PR), Seara e Ipumirim (SC).
Enquanto isso, a seca atingiu capitais como Porto Velho (RO) e Macapá (AP), além dos 16 municípios do Amapá, que tiveram decretos de seca ou estiagem reconhecidos pelo governo federal. Embora o número de municípios afetados tenha sido menor que em 2025, a população residente nessas localidades chegou a 4,87 milhões de pessoas, aumento de 69,4%.
Para o Sul, a previsão do Inmet indica chuva acima da média até dezembro no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e nas porções sul e leste do Paraná.
A combinação de calor, seca, incêndios e chuvas intensas reforça a vulnerabilidade dos ecossistemas diante das mudanças climáticas. A degradação ambiental pode reduzir a capacidade de florestas e outros ambientes naturais de resistir a eventos extremos e se recuperar após esses episódios.
Além da conservação das espécies, a proteção da biodiversidade contribui para manter serviços ecossistêmicos essenciais, como a regulação do clima, a disponibilidade de água e a produção de alimentos. Nesse contexto, o fortalecimento das políticas de conservação e a ampliação do financiamento ambiental são apontados como medidas importantes para reduzir os riscos climáticos e preservar a capacidade de recuperação dos ecossistemas.
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