Indústria têxtil do Camboja pode crescer com algodão brasileiro

No último mês, a Abrapa participou da primeira missão empresarial multissetorial brasileira feita ao país; foco foi mostrar o potencial do algodão brasileiro

02.04.2024 | 15:25 (UTC -3)
Catarina Guedes

A Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa) participou da primeira missão empresarial multissetorial brasileira feita ao Camboja, entre os dias 19 e 28 de março. O foco foi mostrar como o algodão brasileiro pode contribuir para o grande potencial, ainda não explorado, que a indústria têxtil cambojana tem pela frente. A iniciativa foi realizada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Nos últimos 20 anos, o Camboja tem aumentado suas exportações de vestuário em 12% ao ano, passando de receitas no valor de US$ 1 bilhão para US$ 9 bilhões, em 2022. Nesse ano, o país do Sudeste Asiático se posicionou como o sétimo maior exportador de roupas no mundo, segundo dados do World Trade Statistical Review 2023. No entanto, o país importa 100% dos fios e tecidos de que precisa para abastecer suas fábricas. Abrindo o mercado para a importação de algodão e investindo na abertura de fiações, ele pode vivenciar um salto de desenvolvimento econômico. 

Essa visão de futuro foi a mensagem central levada pelo diretor de Relações Internacionais da Abrapa, Marcelo Duarte, à missão do MRE. Responsável pelo Cotton Brazil, iniciativa que representa a cadeia produtiva do algodão brasileiro em escala global, o executivo apresentou a empresários e lideranças setoriais cambojanas um estudo que mapeia o potencial da indústria têxtil do país.

“O setor de fiação pode proporcionar uma agregação de valor de mais de 400% à economia cambojana, o que significa adicionar US$ 2,4 bilhões de receita por ano. Sem contar os ganhos sociais, como geração de empregos e novas oportunidades de negócios”, analisou Duarte. Hoje, um dos principais gargalos enfrentados pelo setor industrial é o fornecimento de energia estável e acessível. 

O Brasil é, desde já, candidato a fornecedor da matéria-prima. Terceiro maior produtor mundial e segundo maior exportador de algodão, o país tem se destacado pelo avanço nos índices de qualidade da fibra, pela rastreabilidade do produto e pela produção responsável. Na safra 2022/23, 82% da produção brasileira recebeu certificação socioambiental pelo programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR). Além disso, o Brasil é o maior fornecedor mundial de algodão com licenciamento Better Cotton. 

Pelo menos duas grandes tendências no mercado mundial contribuem para o desenvolvimento da indústria têxtil cambojana. A primeira delas é a busca por outros mercados fornecedores, além da China. “Um dos países que pode se beneficiar dessa demanda por diversificação é o Camboja, que hoje já responde por 2% do comércio mundial de roupas”, pontua Marcelo Duarte. 

A segunda tendência é a busca por roupas e produtos têxteis cada vez mais sustentáveis, pelo consumidor final. Nesse contexto, o algodão – fibra natural e reciclável – é uma opção mais responsável que as fibras sintéticas. 

Sobre a missão

A missão empresarial multissetorial foi realizada pelo Departamento de Promoção Comercial, Investimentos e Agricultura do Itamaraty (DPRA), órgão do Ministério de Relações Exteriores (MRE). Além do Camboja, a programação incluiu o Vietnã e a Tailândia – dois países que são mercados já consolidados do algodão brasileiro. 

Esta foi a primeira missão empresarial brasileira oficial ao Camboja da história. Nos últimos anos, o Brasil tem buscado se aproximar diplomática e comercialmente do país do Sudeste Asiático. Em 2023, o Chanceler brasileiro Mauro Vieira visitou oficialmente a capital cambojana, Phom Penh, e, neste ano, o Governo Brasileiro pretende implantar a Embaixada do Brasil no país.

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