Seca perde força no Brasil, mas avança no Sul e no Norte
Área afetada recua para 49% do país em março, aponta Monitor de Secas
A Epagri avança no desenvolvimento de um cultivar híbrido de cebola com alto potencial produtivo e menor suscetibilidade a doenças, voltado às condições climáticas do Alto Vale do Itajaí. Os trabalhos são conduzidos na Estação Experimental de Ituporanga, região marcada pela elevada umidade, fator que favorece a incidência de doenças foliares.
A pesquisa de melhoramento genético é liderada pelo engenheiro-agrônomo Daniel Pedrosa Alves e está em andamento desde 2014. Segundo o pesquisador, os híbridos em avaliação apresentam resultados promissores e devem passar pelo último ciclo de testes a campo antes do início do processo de registro no Ministério da Agricultura e Pecuária.
“Os resultados até o momento foram bastante satisfatórios. Alguns materiais apresentam bom potencial produtivo e baixa suscetibilidade a doenças, que são o principal desafio na região devido à alta umidade”, afirma.
De acordo com Alves, a adaptação ao clima local é um dos diferenciais do projeto. Atualmente, a maior parte dos híbridos disponíveis no mercado foi desenvolvida para regiões de clima seco, o que limita seu desempenho em áreas mais úmidas, como o Alto Vale do Itajaí.
Caso seja confirmado, este será o primeiro cultivar híbrido de cebola lançado pela unidade, que desde 1984 já desenvolveu dez cultivares no sistema de polinização aberta. Entre as vantagens dos híbridos estão maior uniformidade das plantas, maturação mais homogênea e potencial para ganhos de produtividade e qualidade comercial dos bulbos.
O desenvolvimento de híbridos exige um processo longo e altamente técnico. Para obter plantas geneticamente puras, são necessárias até oito gerações de autofecundação, o que pode levar mais de uma década. No programa da Epagri, a meta é atingir níveis de pureza genética de 93,75%.
Atualmente, a equipe trabalha com mais de 400 genitores, capazes de gerar mais de 70 mil combinações híbridas. Como não é viável testar todas em campo, os pesquisadores utilizam estratégias de seleção para identificar os materiais mais promissores.
O programa avança em duas frentes: a purificação das linhagens e a geração de híbridos experimentais. A cada ano, cerca de dez novos híbridos são desenvolvidos para avaliação agronômica, considerando características como formato, cor e tamanho dos bulbos, produtividade e resistência a doenças.
As análises moleculares são realizadas em parceria com a Estação Experimental de Itajaí, enquanto os testes de campo e a produção de sementes ocorrem em Ituporanga. O projeto também conta com cooperação de empresas privadas do setor.
Apesar do uso consolidado em regiões produtoras de alto rendimento no mundo, os híbridos ainda ocupam apenas cerca de 5% da área cultivada com cebola em Santa Catarina. Segundo a Epagri, isso se deve, em grande parte, à baixa adaptação das cultivares disponíveis às condições ambientais do estado.
A expectativa dos pesquisadores é que o novo material contribua para mudar esse cenário, ampliando o uso de tecnologia no campo e elevando a produtividade da cultura.
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