Hedgepoint eleva estimativa da safra brasileira de soja

Consultoria projeta uma produção recorde de 171,5 milhões de toneladas

24.02.2025 | 16:37 (UTC -3)
Luciana Minami

A nova estimativa da Hedgepoint Global Markets aponta para uma produção recorde de soja no Brasil em 2024/25, chegando a 171,5 milhões de toneladas, um aumento de 700 mil toneladas em relação a janeiro. De acordo com Luiz Fernando Roque, coordenador de inteligência de Mercado, o ajuste positivo se deve às altas produtividades registradas em estados como Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Bahia, favorecidos pelo clima após o início das chuvas, em outubro de 2024.

Essas produtividades ajudam a compensar perdas no Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, onde a seca afetou as lavouras, principalmente em janeiro deste ano, levando a ajustes negativos nas produtividades médias esperadas para esses estados.

O clima nas próximas semanas ainda pode impactar a produção final, especialmente no Rio Grande do Sul, onde a colheita começa em março. “Até a sexta (14), 27% da safra já havia sido colhida, ritmo levemente inferior ao do ano passado (29%), mas acima da média das últimas cinco safras (25%), mostrando recuperação dos atrasos iniciais”, observa o analista.

NDVI: Índice de Vegetação (Estados-chave)

“A análise dos “índices de diferença normalizada de vegetação” (NDVI, na sigla em inglês) confirma as nossas estimativas de alta produtividade para Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, onde os valores permaneceram acima da média, indicando bom desenvolvimento das lavouras”, indica Luiz.

E prossegue: “No Rio Grande do Sul, o índice reflete um desenvolvimento menos saudável das plantas em comparação com anos anteriores, mas sem indicar uma “catástrofe” em nível estadual. A recente melhora climática ajudou a aproximar os índices da média considerada normal, trazendo algum alívio para as lavouras gaúchas”.

Desenvolvimento das lavouras e clima

Os dados da Conab indicam que, até 16 de fevereiro, 28,7% das lavouras brasileiras estavam na fase de enchimento de grãos, com a maioria no Rio Grande do Sul. Além disso, 2,1% ainda estavam em desenvolvimento vegetativo e 7,4% em floração, também concentradas no estado. “Esses números reforçam a necessidade de monitoramento climático nas próximas semanas para a safra gaúcha. Em comparação com o ano passado, houve um aumento na fase de enchimento de grãos (24,6% em 2023), mas uma redução nas fases de desenvolvimento vegetativo (5,5%) e floração (13,4%)”, aponta.

“Os mapas climáticos indicam pouca umidade entre 20 e 26 de fevereiro na maior parte do Brasil, favorecendo o avanço da colheita na região central. No entanto, a seca na Região Sul pode agravar as condições das lavouras no Rio Grande do Sul”, ressalva.

Entre 27 de fevereiro e 5 de março, a umidade retorna ao Rio Grande do Sul e ao norte do Mato Grosso, enquanto chuvas intensas na Região Norte podem dificultar a colheita e o escoamento da safra para os portos do Arco Norte, impactando os prêmios de exportação e basis. “Além disso, temperaturas mais altas nos próximos 14 dias no Rio Grande do Sul, combinadas com baixa umidade, podem prejudicar ainda mais as lavouras. Para março, a previsão continua apontando para baixa umidade no Sul, aumentando os riscos de perdas produtivas”, finaliza.

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