GO Safra 2025/26: soja e milho têm cenários distintos

Agro em Dados aponta recorde nas exportações de soja e cenário de ajuste no mercado de milho

19.01.2026 | 16:36 (UTC -3)
Revista Cultivar

A safra 2025/26 de grãos em Goiás avança sob cenários distintos, segundo o levantamento Agro em Dados de janeiro, divulgado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do estado (Seapa). Enquanto a soja caminha para um bom desempenho em volume, sustentada pela ampliação de área, o milho encerrou 2025 com preços mais baixos, mas mantém perspectivas positivas no mercado interno e externo.

Soja: área maior sustenta produção, apesar de menor produtividade

Em dezembro, a regularização das chuvas permitiu a normalização e a conclusão da semeadura da soja em Goiás, com necessidade apenas de replantios pontuais em áreas com menor estande. De acordo com a Conab, a concentração do plantio nos estágios finais da janela tende a resultar em elevada uniformidade fenológica das lavouras, o que deve encurtar o período de colheita.

Esse cenário, no entanto, pode gerar gargalos logísticos. Com a colheita mais concentrada, há expectativa de aumento da demanda por fretes em um intervalo reduzido, o que pode pressionar a logística e elevar os custos de transporte no estado.

A projeção para a safra goiana 2025/26 indica redução de produtividade em relação à temporada anterior, reflexo das condições climáticas e da estratégia adotada por parte dos produtores de reduzir investimentos em adubação e defensivos para conter custos. Ainda assim, a expansão da área cultivada deve garantir um bom desempenho da produção total, movimento semelhante ao observado no cenário nacional.

No comércio exterior, Goiás apresentou forte desempenho em 2025. No acumulado de janeiro a novembro, os municípios de Rio Verde, Jataí, Cristalina, Montividiu e Itumbiara lideraram as exportações de soja em grão. Além da relevância produtiva, essas regiões concentram as maiores capacidades estáticas de armazenagem do estado, fator estratégico para a eficiência logística, a comercialização na entressafra e a preservação da qualidade do produto.

Segundo a 76ª edição do Agro em Dados, Goiás superou o recorde histórico de exportações do complexo soja, registrado em 2023, ainda antes do fechamento de 2025. O avanço em volume, porém, veio acompanhado de desvalorização do grão, que atingiu o menor valor por tonelada dos últimos cinco anos, reforçando a necessidade de maior atenção às estratégias de comercialização por parte dos produtores.

Milho: preços recuam, mas demanda segue firme

O mercado do milho apresentou maior volatilidade ao longo de 2025. A cotação iniciou o ano em alta, alcançando em março o pico de R$ 90,33 por saca, sustentada por demanda aquecida e oferta ajustada. A partir de abril, os preços recuaram e permaneceram em patamares mais baixos até julho. No segundo semestre, foram registradas leves altas consecutivas, com o grão encerrando dezembro com média de R$ 69,62 por saca, reflexo da menor disponibilidade no mercado.

No cenário internacional, o USDA projeta produção global de 1,2 bilhão de toneladas de milho na safra 2025/26, acima da temporada anterior, impulsionada por maior área e produtividade. Mesmo assim, os estoques globais devem recuar, diante do aumento do consumo.

No Brasil, a demanda doméstica deve alcançar 94,6 milhões de toneladas, volume recorde, segundo a Conab. Em Goiás, as exportações de milho avançaram em 2025, elevando o saldo da balança comercial do cereal para US$ 977,1 milhões, alta de 22,1% em relação ao ano anterior. As vendas externas concentram-se tanto em milho para consumo quanto para semeadura, enquanto as importações seguem restritas ao grão destinado exclusivamente ao plantio.

Etanol de milho abre novas oportunidades

O avanço da produção de etanol de milho também amplia as perspectivas para o setor. A partir desse processo, são gerados os coprodutos DDG e DDGS, utilizados como fonte de proteína e energia na alimentação animal. Entre 2021 e 2025, o valor exportado desses produtos pelo Brasil cresceu quase 200 vezes, e o número de países compradores passou de 24 para 37.

Embora Goiás não tenha registrado exportações de DDG/DDGS nos últimos dois anos, o estado apresenta potencial para ingressar nesse mercado, impulsionado pela expansão das usinas de etanol de milho. A habilitação das exportações brasileiras para a China, prevista no Protocolo de Proteínas e Grãos Derivados da Indústria do Etanol de Milho, reforça o dinamismo do setor e amplia as oportunidades de crescimento.

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