Fim do vazio sanitário e antecipação da semeadura da soja em MS

​Com fim do vazio sanitário da cultura da soja em Mato Grosso do Sul os produtores rurais do estado já podem iniciar a semeadura da oleaginosa

19.09.2016 | 20:59 (UTC -3)
Sílvia Zoche Borge

Com fim do vazio sanitário da cultura da soja em Mato Grosso do Sul, que vai de 15 de junho a 15 de setembro, os produtores rurais do estado já podem iniciar a semeadura da oleaginosa. Mas o agricultor precisa ficar atento a alguns fatores, como as condições de umidade e a disponibilidade de água no solo - se estas estão adequadas para a cultura nesse momento.

No hotsite Guia Clima, da Embrapa Agropecuária Oeste, é possível conferir dados atuais da pesquisa fornecidas pelas estações meteorológicas de Dourados e de Rio Brilhante.

Segundo o pesquisador Carlos Ricardo Fietz, da Embrapa Agropecuária Oeste, na região de Dourados, até 14 de setembro, a disponibilidade de água no solo ainda estava um pouco acima de 50%, já próxima a um nível de umidade desfavorável. Dourados já está a dez dias se chuva, por isso o produtor preciso ficar alerta, porque a umidade do solo está diminuindo. Até 15 de setembro, a chuva média acumulada pelas estações meteorológicas da Embrapa, em Dourados, foi 2,9 mm - a chuva média mensal em setembro em Dourados é 104,3 mm (confira os dados de cada mês desde 1979).

Em Rio Brilhante, onde há estação meteorológica desde 2013, devido a parceria entre a prefeitura do município e a Embrapa Agropecuária Oeste, os dados também mostram que, apesar de ter chovido um pouco mais neste mês de setembro, é preciso ter cautela, já que a chuva média mensal de Rio Brilhante é 126.9 mm e o registro de chuva até 15 de setembro é de apenas 8,3 mm, e também está a dez dias sem chuva. Mas a disponibilidade de água no solo ainda está boa, quase 70%. Na região de Rio Brilhante, não há deficiência hídrica até então (confira clicando aqui), mas é preciso ficar atento, já que nesse período há irregularidade na distribuição de chuvas, o que dificulta o estabelecimento da cultura.

Por isso, a antecipação para setembro pode proporcionar menor probabilidade de obtenção de altas produtividades da soja. Além disso, o pesquisador Rodrigo Arroyo Garcia, também da Embrapa Agropecuária Oeste, alerta que "os prováveis veranicos afetarão a fase mais sensível da soja (formação e enchimento de vagens), e a fase da colheita coincidirá com períodos chuvosos."

Outro fator importante é que ao decidir semear a soja em setembro, o produtor deixa de ter acesso a algumas políticas agrícolas, como o seguro da lavoura e o Programa Agricultura de Baixo Carbono (Programa ABC), já que a recomendação do zoneamento agrícola em Mato Grosso do Sul é a partir de 1º de outubro.

Diferentemente do vazio sanitário, o zoneamento agrícola não está estabelecido em lei, mas é um estudo elaborado para diminuir riscos relacionados a fenômenos climáticos, com metodologia validada pela Embrapa e adotada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O zoneamento é o indicativo da melhor época de semeadura, levando-se em consideração três fatores concomitantes: histórico de dados climáticos da região, características da cultivar e o tipo de solo. Por isso, os pesquisadores ressaltam que o produtor precisa avaliar bem vários fatores e decidir se compensará fazer o cultivo da soja, em Mato Grosso do Sul, antes de outubro.


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